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O que Bruno disse quando Godinho não aceitou a AGE em 2013: “Ditatorial e anti-democrático. Sporting é dos sócios e ninguém os calará”

Em janeiro de 2013, Bruno de Carvalho, então candidato a presidente, escreveu uma dura e extensa crítica a Godinho Lopes num post do Facebook por este não aceitar uma Assembleia Geral Extraordinária - mesmo depois de um requerimento ter recolhido o número necessário de assinaturas para a realização da mesma. Hoje, BdC está do outro lado e defende-se contra quem exige AGE

Pedro Candeias

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A 23 de janeiro de 2013, às 00h11, Bruno de Carvalho publicou um extenso post (com um parecer jurídico incluído) na sua conta do Facebook. O texto também foi enviado às redacções.

Antetítulo: “Comunicado à Imprensa”.
Título: “O Sporting é dos sócios e ninguém os calará”.

Vivia-se um período turbulento no Sporting e BdC, um dos rostos da oposição, decidiu criticar publicamente a posição de Godinho Lopes e da direção que liderava, enquanto presidente do clube, por não aceitar a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que poderia resultar na destituição do Conselho Diretivo (CD).

Começava assim: “Face a um conjunto de manobras inqualificáveis para que a AGE do Sporting Portugal não se realizasse, vimos demonstrar toda a nossa indignação por um processo que tem tentado atirar o seu carácter essencial para segundo plano e colocado na ordem do dia dúvidas e processos de intenções, que nada interessam para este assunto. O essencial é e será sempre dar a voz aos sportinguistas e acreditar sempre na sua capacidade de decidir o que é melhor para o clube.”

O contexto em 2013 era o seguinte: o movimento “Dar Rumo ao Sporting” tinha recolhido o número necessário de assinaturas de sócios para a realização da AGE a 6 de janeiro de 2013, mas Godinho Lopes, os restantes membros do CD e a Mesa da Assembleia Geral (MAG) recusavam-se a ceder. A MAG, aliás, tinha chegado a exigir ao “Dar Rumo ao Sporting” que custeasse a AG.

Prosseguiu BdC no seu post: “Perante as notícias vindas a público e a iminência de a AGE não se realizar por falta de cumprimento daquele requisito [o dinheiro], aliada à vontade expressa e inequívoca de os sócios em quererem ser ouvidos [...] decidi [...] assegurar este montante, o que acabou por vir a acontecer. Foi com estupefacção e estranheza que observámos que foram necessários mais de 15 dias, após a entrega do requerimento por parte dos sócios para a convocação da AGE, para aferir a conformidade da documentação entregue. [...] Só pode não ter tido a celeridade exigida por lhes terem sido dadas instruções em contrário e quiçá alguma coação para que assim o fizessem, a que têm de obedecer para não verem em perigo os seus postos de trabalho, num período de tanta dificuldade económica”.

Godinho Lopes numa imagem que nunca mais se irá repetir: a apresentação de um treinador, enquanto presidente do Sporting

Godinho Lopes numa imagem que nunca mais se irá repetir: a apresentação de um treinador, enquanto presidente do Sporting

AFP

Por outro lado, Bruno de Carvalho também se manifestou contra “uma intoxicação informativa sobre a necessidade de realização, não de uma, mas duas ou até mesmo três Assembleias Gerais para os sócios se pronunciarem sobre a destituição da direcção” e alertou para as insinuações de eventual impugnação da AGE por parte da direção de Godinho Lopesque evidenciavam “um conjunto de manobras dilatórias para tentar evitar dar voz aos sócios, o que é indigno e inadmissível”.

O então candidato e rosto da oposição, que fora derrotado por Godinho Lopes numa confusa e polémica e violenta noite eleitoral, lançava, então, um repto e um aviso: “Perante este estado ditatorial e anti-democrático que se quer instaurar no Sporting Clube de Portugal, não podemos ficar calados e temos que manifestar bem alto a nossa indignação. Na AGE, os sócios decidirão aquilo que entenderem o que é melhor para o clube, assim lhes seja dada a oportunidade, que por direito próprio é sua”.

E agora?

Corta para 2018 e, hoje, o contexto é este: a Mesa da Assembleia Geral assegura já ter recolhido o número de assinaturas exegíveis para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária, já fez o pedido de meios aos serviços do clube para a realização da mesma – só que a disponibilização dos meios depende da vontade do Conselho Diretivo que, até ver, ainda não deram resposta à MAG.

Pelo contrário, o CD assegurou ter um ponto de vista contrário na noite de segunda-feira passada, numa nota enviada à imprensa: “Sendo que, estando ou não demissionária, a MAG não o pode fazer. Assim, os serviços do Sporting CP prestarão o apoio técnico quando forem verificados os pressupostos legais para a realização da AG; quando forem verificadas as assinaturas que constam no requerimento e que nunca foram mostradas; quando for efectuado o depósito em conta, por parte dos requerentes, para garantir os custos dessa mesma AG”.

Há vários custos relacionados com uma AGE: o aluguer do espaço, a disponibilização de funcionários, a lista de sócios com quotas em dia e a segurança, são alguns deles.

O argumento de BdC é simples: Jaime Marta Soares, presidente da MAG, está demissionário porque isso foi veiculado em vários meios de comunicação social; como tal, Jaime Marta Soares não tem poder para convocar uma AGE; e, por isso, quem tem de ‘bancar’ a AGE, a ter lugar na Altice Arena a 23 de junho, são os “requerentes”.