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As 34 páginas que justificam a rescisão de Rui Patrício: “Vocês são uns meninos mimados, eu sou o presidente, eu faço o que eu quiser”

A Tribuna Expresso revela a carta enviada por Rui Patrício ao Sporting, que detalha em pormenor o final de época turbulento no clube e aponta o dedo a Bruno de Carvalho, caraterizado como "alucinado e tresloucado"

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Fim da linha. Rui Patrício enviou, esta sexta-feira, a rescisão unilateral do contrato que o ligava ao Sporting, alegando justa causa, depois de ter sido colocada em causa a sua "segurança e integridade física", fazendo-o "temer pela vida".

Rui Patrício alega foram violados os seus direitos "de forma grave, culposa e reiterada", assim como posta em causa a sua "dignidade pessoal e profissional, quer de forma direta quer indireta, através do condicionamento do grupo de trabalho".

Condicionamento que, alega o capitão do Sporting, foi culpa de Bruno de Carvalho. "A partir de janeiro do corrente ano o presidente começou a colocar uma pressão inaceitável em todos os jogadores e na equipa, insinuando que os maus resultados seriam resultado da falta de profissionalismo dos jogadores", lê-se no documento.

A comprová-lo, Patrício apresenta várias mensagens de Whatsapp enviadas por Bruno de Carvalho aos capitães e aos jogadores, que diz serem de "crítica e ataque permanente, por isto ou por aquilo".

As mensagens apresentadas por Patrício sucedem-se, após vários jogos, e são demonstrativas, alega o jogador, de como "o presidente invetivava os jogadores, tanto nas derrotas como nas vitórias".

Após a derrota em Madrid, contra o Atlético, que motivou um post de Facebook de Bruno de Carvalho a criticar os jogadores, o grupo pediu uma reunião urgente ao presidente, mas Bruno só queria reunir após o jogo para o campeonato contra o Paços.

Os jogadores decidiram então lançar um comunicado conjunto e, aí sim, houve então uma reunião entre jogadores e presidente - mas não antes de Bruno de Carvalho recorrer ao Facebook para anunciar processos disciplinares aos jogadores.

Depois, na reunião, Patrício descreve Carvalho como "visivelmente exaltado, com 'ar de ditador', alucinado e visivelmente tresloucado", tendo até "uma postura física" de "enorme agressividade". Quando questionado por William Carvalho sobre o facto de estar a incentivar "reações agressivas contra os jogadores", Bruno de Carvalho "afirmou que se lhe quisesse bater não precisava de chamar ninguém".

Ao contrário de Jorge Jesus, que terá tido uma atitude conciliatória, segundo Patrício, Bruno de Carvalho não quis resolver o diferendo a bem. "Você disse que vinha aqui para pedir desculpas", terá dito Jesus, ao que Bruno respondeu: "Pedir desculpas, eu não fiz nada de mal... No final da época eu vou-me embora, vou para junto da minha família, nada mais importa, está aqui o REI [referindo-se a Jorge Jesus] e eu vou-me embora, para junto da minha família, que é o mais importante, que gosta de mim".

E, depois, retirou as suspensões aos jogadores, alegadamente proferindo a seguinte frase: "Vou tirar a suspensão, o mister pode convocar quem quiser, é o rei do clube, mas os processos vão continuar".

Entre os jogos com o Atlético de Madrid, em Alvalade (a 12 de abril), e com o Portimonense (a 28 de abril), "o ambiente foi sempre mau, mas sem a agressividade anterior", relata Patrício.

Ainda assim, quando a equipa tinha hipótese de ficar em 2º lugar, antes do jogo contra o Marítimo, na última jornada da Liga, Patrício cita mais um "ataque" de Bruno de Carvalho, numa entrevista dada pelo presidente ao Expresso: "Não só não profere uma única palavra de incentivo aos jogadores, como entendeu, mais uma vez, utilizar expressões desabonatórias dos jogadores".

Leia a carta na íntegra: