Tribuna Expresso

Perfil

Sporting

Gestifute reage: “O presidente exigiu um aumento no preço de dois milhões. O negócio Patrício fracassou por exigência adicional inopinada”

A Gestifute reagiu em comunicado às acusações de chantagem de Bruno de Carvalho. A empresa de Jorge Mendes reclama, ainda, uma dívida por saldar por ter intervido na renovação de contrato com Adrien Silva, em 2012

Expresso

O português Jorge Mendes é dono da Gestifute, que representa muitos dos astros do futebol envolvidos no escândalo de fuga ao fisco em Espanha

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Partilhar

Em comunicado no seu site, a empresa Gestifute, que representou Rui Patrício na transferência falhada para o Wolverhampton, reagiu às acusações de chantagem de Bruno de Carvalho. “O negócio acabaria por fracassar ontem ao fim da tarde quando o Administrador Executivo da Sporting SAD, Dr. Guilherme Pinheiro, visivelmente constrangido e embaraçado, transmitiu à Gestifute que o Presidente da Sporting SAD afinal exigia um aumento no preço de 2 milhões de euros: “mais dois milhões ou não há negócio” — o que foi recusado de imediato pelo clube comprador. Em duas palavras: o negócio não fracassou por qualquer chantagem da Gestifute; o negócio fracassou por força de uma exigência adicional inopinada e de última hora ao arrepio das condições já perfeitamente definidas e acordadas”.

Recorde-se que Bruno de Carvalho disse, em conferência de imprensa, que Rui Patrício não seguiu para Inglaterra porque a Gestifute pediu sete milhões de euros do bolo de 18 milhões a ser pago pelo Wolverhampton.

A empresa de Jorge Mendes garante que tudo fez para conseguir um acordo com o Wolverhampton e que foi o próprio clube quem pediu ajuda para a transferência. “Nada neste processo decorreu por iniciativa da Gestifute, a qual se limitou a aceder a uma quase súplica do Sporting e unicamente pela consideração devida a esta instituição”. E quem fez esse pedido foi Guilherme Pinheiro, Administrador Executivo, que pediu “encarecidamente à Gestifute que tentasse conseguir uma proposta para a transferência do jogador Rui Patrício, de modo a evitar a rescisão iminente deste.”

No texto de oito pontos, a Gestifute reclama, ainda, uma percentagem da venda de Adrien Silva para o Leicester que não foi “devidamente saldada”. “Em 2012, numa situação em que o mesmo Sporting corria o risco de o jogador ficar livre” a Gestifute interviu e “não cobrou de imediato qualquer importância, ficando a sua remuneração dependente de uma futura transferência”.

Leia o comunicado na íntegra:

“1. Na conferência de Imprensa realizada hoje, a propósito da rescisão do contrato com justa causa pelo jogador Rui Patrício, o Presidente da Sporting SAD acusou a Gestifute de fazer “chantagem” (“ou nos pagam mais de 7 milhões ou não há negócio”). Nada mais longe da verdade.

2. Foi a Sporting SAD, através do seu Administrador Executivo Dr. Guilherme Pinheiro e do seu advogado interno que, no passado dia 23 de Maio, pediu encarecidamente à Gestifute que tentasse conseguir uma proposta para a transferência do jogador Rui Patrício, de modo a evitar a rescisão iminente deste, e propôs que, simultaneamente com esse pedido de intervenção, se resolvesse o diferendo com a Gestifute relativo ao jogador Adrien Silva, sem prejuízo do pagamento da contrapartida devida à Gestifute, já anteriormente contratualizada, pela própria transferência do jogador Rui Patrício.

3. O referido diferendo relaciona-se com a intervenção da Gestifute na renovação do contrato do jogador Adrien Silva, a qual teve lugar também a pedido do Sporting, em 2012, numa situação em que o mesmo Sporting corria o risco de o jogador ficar livre (à semelhança, aliás, do que ocorreu na mesma altura quanto ao próprio Rui Patrício). Em contrapartida desses serviços, a Gestifute não cobrou de imediato qualquer importância, ficando a sua remuneração dependente de uma futura transferência, consistindo numa percentagem do preço respectivo, a qual não foi devidamente saldada aquando da transferência de Adrien Silva para o Leicester.

4. O pedido dirigido à Gestifute, bem como o acordo quanto aos valores a pagar pela Sporting SAD à Gestifute e ao próprio jogador Rui Patrício, eram doconhecimento e mereciam a concordância expressa do Presidente da Sporting SAD, conforme foi expressamente garantido à Gestifute pelos representantes da Sporting SAD; tais valores, aliás, constam expressamente das minutas contratuais, validadas por tais representantes.

5. Nada neste processo — rigorosamente nada — decorreu por iniciativa da Gestifute, a qual se limitou a aceder a uma quase súplica do Sporting, e unicamente pela consideração devida a esta instituição.

6. A Gestifute tudo fez para conseguir obter o acordo de um clube inglês para a transferência do jogador Rui Patrício pelos 18 milhões de euros pretendidos pela Sporting SAD, tendo inclusivamente o jogador, satisfeito com esta possibilidade, realizado exames médicos no dia de ontem, com autorização da Sporting SAD. Tudo isto, mais uma vez, com o conhecimento e concordância expressa do Presidente da Sporting SAD.

.7 De forma totalmente surpreendente, o negócio acabaria por fracassar ontem ao fim da tarde quando o Administrador Executivo da Sporting SAD, Dr. Guilherme Pinheiro, visivelmente constrangido e embaraçado, transmitiu à Gestifute que o Presidente da Sporting SAD afinal exigia um aumento no preço de 2 milhões de euros: “mais dois milhões ou não há negócio” — o que foi recusado de imediato pelo clube comprador. Em duas palavras: o negócio não fracassou por qualquer chantagem da Gestifute; o negócio fracassou por força de uma exigência adicional inopinada e de última hora ao arrepio das condições já perfeitamente definidas e acordadas.

8. Todos estes factos poderão ser naturalmente confirmados pelos referidos administrador executivo, Dr. Guilherme Pinheiro, e advogado interno, supondo que à sua obrigação de não faltarem à verdade não se sobreponha um outro qualquer dever deslocado de lealdade para quem definitivamente não a merece.”