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Bruno de Carvalho acusa Jaime Marta Soares e Miguel Poiares Maduro de mentirem aos sócios do Sporting

Presidente do Sporting afirma que a providência cautelar pedida pelo líder da mesa da assembleia geral foi indeferida "liminarmente"

Expresso e Lusa

Jose Carlos Carvalho

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Bruno de Carvalho acusou Jaime Marta Soares e Miguel Poiares Maduro de mentirem aos sócios do Sporting. Em declarações efetuadas nesta sexta-feira por telefone e em direto na SIC Notícias, o presidente do clube afirmou que o ex-ministro do governo liderado por Pedro Passos Coelho, que também esteve em direto a prestar a sua interpretação sobre a decisão judicial que foi conhecida hoje,apenas disse "disparates", lamentando que o tivesse feito a partir de uma cidade "tão bonita" como Florença.

Em causa está a decisão do Tribunal Cível sobre o pedido de providência cautelar realizado pelo presidente da mesa da assembleia do Sporting com o objectivo de garantir uma reunião de sócios a 23 de junho, destinada a discutir e votar a destituição do atual conselho diretivo. Bruno de Carvalho afirmou à SIC Notícias que a simples leitura da decisão judicial permite concluir que todos os pedidos feitos por Marta Soares junto do tribunal foram "liminarmemte indeferidos", contestando, desta forma, as interpretações feitas pelo presidente da mesa e por Miguel Poiares Maduro, jurista e sócio do Sporting.

O Tribunal Cível, de acordo com a Lusa, considerou Jaime Marta Soares como legítimo presidente da mesa da assembleia geral do Sporting e validou a convocação de uma reunião magna para dia 23, apesar de faltarem os meios adequados para a realizar. Na decisão cautelar, a que a agência teve acesso, é dito que se "afigura sumariamente demonstrada a existência da qualidade do requerente [Jaime Marta Soares] e indiciariamente a convocatória da Assembleia Geral (AG) por quem de direito". Isto é, Jaime Marta Soares tem legitimidade para convocar uma reunião dos sócios.

Contudo, o juiz considerou que, na exposição de Marta Soares sobre a reunião magna, não são expostos os "meios adequados a acautelar que a Assembleia Geral não se transforme num risco para a integridade física dos participantes, mas simplesmente o cumprimento das formalidades necessárias para a sua integral realização". Pelo exposto, concluiu o juiz, "indefere-se liminarmente o presente procedimento cautelar".

Marta Soares pediu ao tribunal que se pronunciasse sobre a marcação da Assembleia Geral de dia 23, alegando que a convocou ao abrigo dos Estatutos do Sporting, pelo que entende que é o clube que "tem de providenciar todos os meios necessários à realização" da mesma. Porém, alega Marta Soares, quando o conselho diretivo do Sporting Clube de Portugal, liderado por Bruno de Carvalho, se apercebeu que o presidente da mesa da AG pretendia convocar a reunião magna "também para a revogação com justa causa do mandato dos seus membros, passou a boicotá-la ostensivamente".

Nos fundamentos para a providência é solicitado "um Plano de Segurança para a realização da referida Assembleia Geral, requerendo a colaboração das autoridades policiais", entre outros pedidos. Justifica o pedido que a realização de uma AG "sem os meios necessários, pode redundar numa verdadeira tragédia, atendendo ao clima de tensão, crispação e confrontação que é público e notório. Ora, o tribunal entendeu que não foram apresentados os meios adequados a acautelar que a reunião magna do clube não se possa transformar num risco para a integridade física dos participantes, pelo que indeferiu a sua realização.

O presidente do Sporting, nas declarações feitas à SIC Notícias, afirmou que os sócios que pretendam realizar uma assembleia geral que inclua na ordem de trabalhos a destituição da atual direção terão que reunir o número de assinaturas necessários de acordo com os estatutos e seguir os procedimentos exigidos. Neste caso, garantiu que a assembleia se realizaria. mesmo que a consequência fosse a sua saída da liderança do clube.

Já Jaime Marta Soares, também em declarações à SIC Notícias, disse entender que a posição do tribunal é a de que “a Assembleia Geral deve realizar-se”. Desmentindo “categoricamente” Bruno de Carvalho, Marta Soares insistiu que o presidente do Sporting “mente, para impor a sua vontade” e disse esperar que lhe sejam entregues “todos os elementos necessários para que os sócios se manifestem em liberdade total e absoluta”.

“Nada está esgotado”, referiu ainda. “Bruno de Carvalho não é o Sporting. O que ele não quer é ir a votos. Do que é que tem medo?”, concluiu Marta Soares.