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Sporting. Advogado critica prisão preventiva e anuncia recurso

Nuno Torres foi o condutor da viatura que, no dia das agressões, entrou nas instalações da Academia do Sporting, em Alcochete

Lusa

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O advogado de um dos quatro arguidos presos preventivamente suspeitos de comparticipação na invasão de instalações e agressões aos futebolistas e equipa técnica do Sporting na Academia do clube anunciou nesta sexta-feira que vai recorrer da decisão.

"Obviamente vamos recorrer. Isto não se justifica de maneira nenhuma. É a bitola estipulada pelo Ministério Público, os órgãos de comunicação social também não ajudaram (...) a partir de agora temos de recorrer", disse Francisco Macedo, advogado de Nuno Torres, à saída do interrogatório judicial que hoje decorreu no Barreiro.

Nuno Torres foi o condutor da viatura que, no dia das agressões, entrou nas instalações da Academia do Sporting, em Alcochete, e retirou alguns dos alegados agressores, entre os quais o ex-líder de claque do Sporting Juventude Leonina Fernando Mendes.

Em comunicado distribuído aos jornalistas, o tribunal justificou a aplicação da medida de coação mais gravosa, devido aos "tipos de crime que lhes são imputados" e por se verificarem perigo de fuga, perturbação do inquérito, "continuação da atividade criminosa, bem como de grave perturbação da ordem e tranquilidade públicas".

"Saio verdadeiramente frustrado por não poder tirar daqui o meu cliente. Mas vou recorrer (...) Há de vir a acusação. Quando ela vier requeremos a abertura de instrução. É outra fase. Depois logo vemos se vai a julgamento ou não", afirmou o causídico, manifestando esperança de "reduzir a dimensão da medida de coação" hoje aplicada para "no máximo, dos máximos, prisão domiciliária".

À saída do interrogatório judicial, os advogados dos restantes arguidos escusaram-se a prestar declarações.
De acordo com a Procuradoria Distrital de Lisboa (PGDL), os quatro detidos foram constituídos arguidos "por existirem fortes indícios de comparticipação" na invasão e agressões ocorridas na Academia do Sporting, em 15 de maio. Segundo a mesma fonte, os factos em causa são "suscetíveis de integrar a prática dos crimes de introdução de lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravada, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionário e terrorismo".

No dia 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na Academia do clube por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'. Na altura a GNR deteve 23 dos atacantes, que permanecem em prisão preventiva.