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Rescisões são “ameaça concreta” às operações do Sporting, diz PWC

O impacto das rescisões dos jogadores do Sporting atinge os 16,5 milhões de euros no ativo do clube, avança a auditora da SAD do Sporting à CMVM, o que representa uma redução dos capitais próprios para os 9 milhões negativos

Joana Madeira Pereira

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Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), nesta madrugada de terça-feira, a auditora do clube de Alvalade refere que a saída dos jogadores mais valiosos coloca "uma ameça concreta em relação à continuidade das operações da Sporting SAD". Esta informação faz parte de um relatório remetido à SAD sportinguista pela PWC, na qualidade de auditora da sociedade desportiva cotada em bolsa.

Nele, lê-se: "(...) Informamos Vª Exas. que na sequência das recentes rescisões de contratos de trabalho desportivo de jogadores da Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD (“Sporting SAD” ou “Sociedade”), considerados como sendo dos mais valiosos em termos de mercado, e do consequente impacto na gestão do risco de liquidez da Sporting SAD, em virtude da impossibilidade de realização do valor de venda dos referidos ativos no curto prazo e dos impactos conexos na atividade da Sociedade, constatamos existir a esta data uma ameaça concreta em relação à continuidade das operações da Sporting SAD, para além das menções relatadas anteriormente nas Certificações Legais das Contas e Relatórios de Auditoria por nós emitidos".

Registam-se, até ao momento, a saída de nove jogadores do Sporting por rescisão por justa causa: Battaglia, Bas Dost, Bruno Fernandes, Gelson Martins, Podence, Rafael Leão, Rúben Ribeiro, Rui Patrício e William Carvalho.

De acordo com o comunicado publicado na CMVM, as rescisões destes jogadores implicam uma redução do ativo (calculado de acordo com as últimas contas publicadas pela SAD, a 31 de março) de cerca de 16,5 milhões de euros, o que impacta também negativamente nos capitais próprios, que passam de 7,5 milhões de euros para os 9 milhões negativos.

Diz o comunicado: "Os impactos calculados a 31 de Março de 2018, data a que reportam as últimas contas publicadas pela Sociedade, em termos do Activo Intangível – Valor do Plantel, indicam, para os jogadores comunicados pela Sociedade como factos relevantes, um valor de redução do mesmo em cerca de 16.5 milhões de euros, representando 6% do Total do Activo; da mesma forma, o impacto da possível imparidade associada ao valor do plantel, sem qualquer efeito de imposto sobre o rendimento, conduziria, na mesma data de 31 de Março de 2018, a que o total dos Capitais Próprios passasse de 7.5 milhões de euros para cerca de 9.0 milhões de euros negativos."

SAD do Sporting responde

No mesmo comunicado, a SAD sportinguista, liderada por Bruno de Carvalho, responde às contas da sua auditora, e assegura que as operações do clube estão asseguradas. "O Conselho de Administração considera que a continuidade das operações da Sociedade se encontra assegurada, encontrando-se a trabalhar com o objectivo de promover as operações necessárias à melhoria da performance económico-financeira, com a devida sustentabilidade, nomeadamente, através do crescimento das principais linhas de receita, do controlo dos gastos operacionais, mantendo um nível de investimento adequado, e da procura dos melhores negócios de venda de direitos desportivos e federativos de jogadores", lê-se.

Além de apontar para "uma descida acentuada dos gastos com pessoal" na sequência das rescisões por justa causa, que continua a considerar "ilegais", os responsáveis do clube recordam que a SAD "continua a dispor de direitos desportivos e federativos sobre um leque considerável de jogadores profissionais de futebol; o Conselho de Administração considera que o referido plantel permite assegurar o mesmo nível de desempenho desportivo das épocas anteriores".

Os responsáveis lembram, ainda, que contam com o apoio da banca, apontando para a reestruturação financeira acordada com "os bancos financiadores" em 2014 de acordo com, com "pressupostos económico-financeiros aceitáveis e exequíveis". Segundo a SAD do Sporting, poderá ser concretizado um aumento de capital no valor de 18 milhões de euros, "com consequente reembolso do mesmo valor ao Novo Banco". Da mesma forma, poderá proceder-se a uma nova emissão de VMOC (valores imobiliários obrigatoriamente convertíveis) da Sporting SAD, subscrita pelo Novo Banco e pelo Millennium BCP, no montante global de 55 milhões de euros (a emitir em moldes idênticos à emissão de 80 milhões).