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Se não for destituído, Bruno de Carvalho exige a saída de Jaime Marta Soares

O presidente do Sporting deu esta noite uma entrevista à RTP3 onde abordou o que vai acontecer amanhã na assembleia geral do clube e explicou ainda a última polémica à volta do boletim de voto. "Jaime Marta Soares embirrou com a palavra significa”

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José Carlos Carvalho

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Ou sim ou sopas. Bruno de Carvalho (BdC) disse esta noite em entrevista à RTP3 que na assembleia geral de sábado só há dois caminhos: os sócios votam a sua destituição ou recusam a sua destituição, cenário que obrigatoriamente, diz, terá de conduzir Jaime Marta Soares e as comissões criadas neste período turbulento para fora do clube. Quanto à “chantagem” de que foi acusado, por um pedido de mudança de última hora do boletim de voto, BdC explicou que Marta Soares “embirrou” com uma palavra.

O presidente do Sporting começou por dizer que não estará presente no antigo Pavilhão Atlântico, no Parque das Nações, em Lisboa, onde decorrerá a AG, com segurança reforçada como se de um jogo de alto risco se tratasse. BdC informou que propôs uma trégua, anulando todos os processos e providências cautelares de parte a parte, para que o conselho diretivo pudesse estar na AG, apagando assim a sua suspensão. “Os estatutos são claros: os que não são sócios não podem estar na AG. Como para aquelas pessoas não sou sócio, eu não vou.”

Bruno de Carvalho voltou a referir que a AG de sábado está “ferida de ilegalidades”, mas que preferiu não a impugnar para finalmente os sócios terem voz. “Tenho pena que todos estes órgãos, que para mim são ilegais, a primeira coisa que tenham feito foi suspender-nos, exatamente para não nos dar hipóteses de ir à AG, que nunca foi para se realizar… Está ferida de ilegalidades”, diz, acusando Jaime Marta Soares, o presidente demissionário da mesa da AG, de mentir relativamente à validação dos votos (assinaturas) dos sócios. “Não há notário, não existem votos, nem estão certificados.”

José Carlos Carvalho

O presidente do Sporting diz que as suas providências cautelares foram “todas indeferidas sem audição” porque o clube está “sob assalto”. E foi mais longe: “Já tinha percebido que existem juízes que vestem outras causas que não a da Justiça”.

Bruno de Carvalho diz que não se conhece caderno de encargos, convidados e propostas, mas garante: “Se a AG decorrer dentro da normalidade e eu for destituído, nunca mais ponho os pés no Sporting e nunca mais me recandidato ao Sporting. Se for votada a não destituição, os sportinguistas têm de fazer Jaime Marta Soares e os órgãos todos desaparecerem”.

Ou Bruno de Carvalho ou Marta Soares. E explica porquê: “Se o resultado for a nosso favor, eles expulsam-nos de sócios passados dois dias. É o que está preparado”. Amanhã têm de ser retiradas conclusões e consequências, diz.

Quanto aos boletins de voto, a polémica desta sexta-feira que dava conta de exigências de última hora por parte de BdC, algo que terá colocado em xeque a AG, será uma questão de semântica. Ou escolha de palavras. O boletim dirá que os sócios votam a “revogação do conselho diretivo por justa causa”, com as opções “sim”, “não” e “abstenho-me”. O que BdC exigiu, segundo o próprio, foi que estivesse explicado entre parêntesis algo do género: “Sim (significa a saída do conselho diretivo)”, “Não (significa a continuidade do conselho diretivo”. Ou seja, “Jaime Marta Soares embirrou com a palavra significa”.