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Bruno Fernandes de volta: “Vou ser bem claro: o meu empresário pediu uma melhoria de contrato, mas rejeitei-a. Voltei nas mesmas condições”

Depois da rescisão unilateral, o médio assinou um novo contrato com o Sporting e negou que tenha pedido um aumento para voltar ao clube: "Vou ser bem claro: o meu empresário melhorou o meu contrato, nas negociações, mas eu rejeitei essa melhoria. Quis voltar com as mesmas condições"

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O melhor jogador da Liga portuguesa em 2017/18 é, novamente, do Sporting. Depois de ter apresentado a rescisão, alegando justa causa, Bruno Fernandes voltou a assinar pelo clube, por cinco anos, segundo comunicado à CMVM.

O médio de 23 anos foi apresentado esta terça-feira, ao lado de José Sousa Cintra, líder da SAD, que se congratulou com o regresso do jogador. "É uma grande satisfação e um grande orgulho estar na companhia do melhor jogador de Portugal, como bem disse a Liga. O Bruno Fernandes é um caso à parte, que teve um comportamento exemplar que tenho de realçar publicamente", disse o presidente interino.

"O assunto demorou um pouco mais tempo do que esperava mas a culpa não é do jogador, é que às vezes os empresários complicam um pouco as coisas. A forma como ele quis regressar foi muito importante. O jogador não quis que o ordenado fosse aumentado - isto é prestar um serviço ao clube", garantiu Sousa Cintra, negando relatos dos últimos dias que diziam que Bruno Fernandes pediu um aumento para voltar a assinar.

"Ele quis voltar ao Sporting de forma voluntária, para servir o Sporting. É uma mais-valia muito importante e vamos ter um plantel muito bom este ano para lutar pelo primeiro lugar. Hoje é um dia feliz para o Sporting", concluiu o presidente, passando depois a palavra ao jogador, que explicou ao pormenor o seu regresso.

"Queria só dar umas palavras aos sportinguistas. Estou muito honrado por poder continuar a vestir a camisola. Sempre foi uma honra estar aqui e vai continuar a sê-o. Como já referi, vim para o projeto Sporting para tentar dar títulos.O que posso prometer aos sportinguistas é mais do mesmo: muita entrega, muita garra, muita luta, independentemente dos golos e das assistências, a minha atitude será sempre a mesma. Mais do que a nível individual, quero que este ano seja melhor a nível coletivo. No ano passado lutámos até ao fim e conquistámos apenas a Taça da Liga. Digo 'apenas' porque temos de conquistar mais", explicou.

Questionado sobre o novo treinador, José Peseiro, Bruno Fernandes disse que já tinha falado com ele, mas ainda não sabia se iria integrar o estágio que o plantel está a cumprir atualmente na Suíça. "É uma pessoa que acredito que pode ajudar, neste período de adaptação. O trabalho só começou agora, com jogadores de qualidade que regressaram ao clube", disse. "Não tenho férias há quatro anos, devido à seleção. Mas se o mister entender que é para voltar agora, eu volto", garantiu.

Pedro Fiuza

Apesar de ter sido confrontado com o possível regresso de Bruno de Carvalho ao clube, caso vencesse as eleições à presidência do clube, Bruno Fernandes não quis falar sobre o ex-presidente. "Não recebi qualquer garantia sobre isso [se BdC voltaria ou não], nem estou preocupado com isso. Estou preocupado com os objetivos do Sporting. Independentemente de quem vier para presidente do Sporting, estarei disponível para representar o clube", assegurou.

O internacional português também pormenorizou a principal razão que o fez voltar a Alvalade: a segurança. "A mais forte foi a questão da segurança e o presidente Sousa Cintra assegurou-nos que tudo isso foi tratado. Acho que os acontecimentos foram graves, passaram e neste momento o Sporting está numa nova fase. Voltei porque o projeto desportivo continua o mesmo: lutar por títulos. Não vivo de prémios individuais nem do dinheiro que foi muito falado nos últimos dias. Estou a perseguir um sonho e sou feliz dentro do campo. Voltei ao Sporting porque me senti feliz aqui, o Sporting tornou-se uma casa muito importante para mim, apesar dos acontecimentos que deixaram marcas. Respeito a opinião de todos os que podem estar ou não de acordo com o meu regresso, mas eu vou lutar pelo Sporting", afirmou.

Mário Cruz / Lusa

Questionado sobre a alegada melhoria salarial no novo contrato que assinou, Bruno Fernandes esclareceu: podia ter sido aumentado, mas não foi aumentado. "Os empresários, obviamente, lutam pelos interesses do jogador. O que sempre disse foi que não precisava de melhoria nenhuma para voltar para o Sporting. Uma coisa é o Sporting chegar à minha beira e dizer que tive uma boa prestação e me quer aumentar. Agora, eu fazer chantagem, não", desmentiu.

"Sou apaixonado pelo futebol. Se fosse pelo lado financeiro, se calhar hoje já não estava no Sporting. Houve propostas que chegaram ao clube, mas não quero ser vendido ao desbarato. Um dia, se sair, é para sair pela porta grande. Quero que fique bem claro que não foi por falta de clubes interessados que voltei ao Sporting. Houve clubes que disseram que se eu perdesse em tribunal eles pagavam", contou o jogador, que não quis falar sobre um alegado interesse do Benfica: "Não sei nada disso, porque deixo tudo para o meu empresário, confio muito nele".

Sobre as possíveis críticas de alguns adeptos sobre o seu regresso, Bruno Fernandes desvalorizou. "Obviamente vou voltar à Academia e reviver o que aconteceu, é inevitável, mas é isto que faz crescer os jogadores, têm de ser fortes psicologicamente. Obviamente fico triste ao ver coisas a dizer que sou mercenário e só estou a voltar pelo dinheiro e porque ninguém me queria e joguei pouco no Mundial. Não gosto mas tenho de saber lidar com isso, porque a vida de um futebolista, hoje em dia, passa por isso. As questões financeiras não são o mais importante para mim. Sou jovem, tenho tempo para ganhar dinheiro. O que me interessa é estar feliz, que a minha filha cresça bem, que a minha mulher esteja bem, que os meus pais estejam bem", confessou.

"Vou ser bem claro: o meu empresário melhorou o meu contrato, mas eu rejeitei essa melhoria de contrato. Quis voltar com as mesmas condições que tinha. Atualmente, o Sporting está num momento complicado, vai haver eleições. Se o futuro presidente entrar e depois quiser aumentar-me o contrato, aí sim, eu aceito.", concluiu.