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Foi nas últimas, mas Kikas estreou-se a vencer

Na última onda, nos últimos minutos e ainda teve de esperar na areia para saber o resultado. No primeiro heat em que competiu no circuito mundial de surf, em Snapper Rocks, na Austrália, Frederico Morais bateu Felipe Toledo e Ace Buchan e passou à terceira ronda

Diogo Pombo

Kelly Cestari/WSL

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“Quanto é que precisava?”

Esta foi a pergunta que saiu da boca de Frederico Morais. Já estava na areia, com a prancha na mão, a assinar as t-shirts de alguns miúdos e quando reparou que um deles era português. A transmissão televisiva não apanhou a resposta, mas a bateria, a primeira em que competia no circuito mundial de surf, tinha acabado de terminar. No momento em que saiu da água, faltavam quatro décimas a Kikas para que a sua pontuação lhe chegasse para ser melhor que Felipe Toledo e Adrian Buchan.

O português tinha saído do mar após surfar uma última onda e, nesse momento, os juízes ainda estava a decidir como, e por quanto, a pontuar. Frederico Morais já tinha a onda melhor pontuada da bateria (8.73) e precisava de um 6.93 para acabar em primeiro. Segundos passam, ele caminha na areia e sai o resultado - é um 6.97.

A vitória é de Kikas. À primeira, na primeira vez que compete numa etapa do circuito mundial de surf como residente e não como convidado. “Estou super ansioso. Vai ser um grande ano. Trabalhei toda a minha vida para isto”, disse o português, de 25 anos, no final. Ele bateu Felipe Toledo, brasileiro que costuma prosperar com um surf veloz e cheio de manobras aéreas, que em 2015 conquistou este Quiksilver Pro Gold Coast, que se realiza em Snapper Rocks, onda situada em Coolangatta, na costa este da Austrália.

Com este resultado, Frederico Morais avançou diretamente para a terceira ronda do evento e terá que esperar até à noite desta quinta-feira (que já será a manhã australiana de sexta-feira), para saber quem defrontará - ainda têm que ir para água algumas baterias da ronda dois, que serve de repescagem para os surfistas derrotas na primeira ronda.

  • As mãos na água, a cabeça no mar

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    O título do livro de Mário Cesariny podia ser um dos lemas da vida de Frederico Morais. Ele tem as mãos na água de cada vez que toca na prancha, no fato, num abraço ao pai ou no cabelo com sal e aloirado pelo sol. Que são muitas vezes, porque a cabeça de Kikas está sempre no mar e nas ondas desde que a mãe, à beira da água, o viu, pela primeira vez, a pôr-se de pé na prancha, aos 7 anos