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A segunda etapa para Frederico Morais

A segunda etapa do circuito mundial arranca na noite desta terça-feira, em Margaret River, na costa oeste australiana. Lá mora uma onda que pode favorecer o estilo de surf de Frederico Morais, que vai logo competir contra John John Florence, campeão mundial, na primeira ronda

Diogo Pombo

Pedro Mestre/ANSurfistas

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Parecia combinado, uma coincidência que se alinhou com os planetas e pôs toda a gente que gosta de uma boa história a sorrir. Antes de o circuito mundial de surf arrancar, a World Surf League (WSL) colocou uma câmara à frente de vários surfistas e pediu-lhes para dizerem, com poucas palavras, o que mais esperava para este novo ano de competição. Chegou a vez de Owen Wright e o australiano respondeu o seguinte: “O que mais espero que aconteça é ganhar um evento com a minha mulher e o meu pequeno filho lá. E que saia da água e os possa ver a sorrir. Será fantástico se conseguir fazer isso”.

A vontade dele alinhou-se com as ondas, com a prancha que pisava com os pés e com o que foi capaz de fazer com esta relação. Owen Wright foi melhor que outros 31 surfistas a remarem para o mesmo sítio. Ele ganhou, chorou, abraçou a mulher e o filho, que o esperaram na areia, engoliu a irmã e campeã mundial feminina, Tyler Wright num abraço ainda maior, e sorriu.

O homem que venceu a primeira etapa do circuito de 2017 era o mesmo que passara 2016 quieto, em casa, a descansar, a levar uma vida tranquila e agarrada à tranquilidade longínqua do mar - afastada por uma lesão cerebral sofrida nos corais do Havaí, um ano antes.

O português, 13.º do ranking graças aos 1.750 pontos que levou da primeira etapa, onde foi eliminado por Kelly Slater na terceira ronda, voltará a surfar contra um campeão mundial. Desta feita, é logo o tipo que se pode gabar de ainda o ser. Kikas vai competir contra John John Florence na sexta bateria, o havaiano que o derrotou duas vezes no ano passado - em Peniche, na terceira ronda da etapa do circuito mundial, e em Haleiwa, no Havaí, na final de um evento do circuito de qualificação.

O surf de Frederico, de linhas fortes, rasgadas vincadas na onda e manobras longas e poderosas que abusam dos rails (as bordas) da prancha, tem em Margaret River uma onda que lhe pode favorecer. Além de John John, o português vai ter a companhia de Jacob Wilcox na primeira ronda, um surfista australiano que venceu os trials de acesso à prova.

As baterias da primeira ronda:

Heat 1: Kelly Slater (EUA), Mick Fanning (AUS), Leonardo Fioravanti (ITA)
Heat 2: Kolohe Andino (EUA), Stuart Kennedy (AUS), Ezekiel Lau (HAV)
Heat 3: Matt Wilkinson (AUS), Miguel Pupo (BRA), Jack Freestone (AUS)
Heat 4: Jordy Smith (ZAF), Kanoa Igarashi (EUA), Nat Young (EUA)
Heat 5: Gabriel Medina (BRA), Wiggolly Dantas (BRA), Jesse Mendes (BRA)
Heat 6: John John Florence (HAV), Frederico Morais (PRT), Jacob Willcox (AUS)
Heat 7: Owen Wright (AUS), Connor O'Leary (AUS), Ian Gouveia (BRA)
Heat 8: Joel Parkinson (AUS), Caio Ibelli (BRA), Jadson Andre (BRA)
Heat 9: Adriano de Souza (BRA), Adrian Buchan (AUS), Jeremy Flores (FRA)
Heat 10: Michel Bourez (PYF), Conner Coffin (EUA), Joan Duru (FRA)
Heat 11: Julian WIlson (AUS), Josh Kerr (AUS), Bede Durbidge (AUS)
Heat 12: Filipe Toledo (BRA), Sebastian Zietz (HAV), Ethan Ewing (AUS)

  • As mãos na água, a cabeça no mar

    Surf

    O título do livro de Mário Cesariny podia ser um dos lemas da vida de Frederico Morais. Ele tem as mãos na água de cada vez que toca na prancha, no fato, num abraço ao pai ou no cabelo com sal e aloirado pelo sol. Que são muitas vezes, porque a cabeça de Kikas está sempre no mar e nas ondas desde que a mãe, à beira da água, o viu, pela primeira vez, a pôr-se de pé na prancha, aos 7 anos