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Frederico Morais: “Caiu um bocado a ficha. Estou aqui, é mesmo verdade”

Apanhámos Kikas em Portugal, durante uma pausa para apresentar um projeto que começou com amigos, e estivemos um pouco à conversa sobre a experiência que tem sido o circuito mundial de surf. Na quarta-feira, o tour chega a meio e a Jeffrey's Bay, na África do Sul, uma das ondas preferidas de Frederico Morais

Diogo Pombo

João Maria Catarino

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Como é que achas que está a correr?
Vamos a meio e faço um balanço positivo deste início de ano, acho que está a correr bem. Hum

Cansado?
Não, entusiasmado para a segunda metade do ano. Vão ser muitas viagens, muitas horas de avião, mas muita coisa nova ao mesmo tempo. Acima de tudo, estou a adorar a experiência, a adorar pertencer ao world tour, e pronto, quero lá continuar.

O que tem estado a ser melhor do que estavas à espera?
As ondas, sem dúvida alguma. São inacreditáveis, é um salto de qualidade gigante. Depois, não tinha assim grandes expetativas. Uma pessoa ganhava um bocado do sabor ao ambiente com alguns campeonatos em Peniche, via como eram os lockers e algumas novidades. Ou seja, quando chegas ao circuito, não é aquela novidade toda. O tour em si é que é de um profissionalismo incrível, aí sim, sinto um salto enorme.

E piores do que estavas à espera?
Acho que não. O tour está muito bem organizado e estruturado, temos todo o suporte que precisamos, tanto a nível de media, como de staff. Cada vez está mais profissional. Assim fica fácil fazermos o nosso trabalho e focarmo-nos apenas no mar, no surf e nas manobras, que são o mais importante. Acho que todos os surfistas que se qualificam para o world tour, depois, não querem sair. É realmente um sonho.

A primeira etapa, na Austrália, foi um choque?
Caiu um bocado a ficha [ri-se]. Aconteceu, pensei “estou aqui, é mesmo verdade”. Ainda para mais numa onda que adoro. Desde muito novo que vou a Snapper Rocks, de férias, com os meus pais, só para surfar, treinar e tudo isso. E poder competir ali na minha primeira etapa significou muito. É um sítio do qual gosto muito e onde já vou há muitos anos. Ainda para mais, no meu primeiro heat no tour como residente, passar em primeiro contra o Filipe Toledo e o Ace Buchan, com muito bom surf e muito renhido, foi bom.

A malta cobra-te muito o facto de seres rookie?
Não, não, nada. Rookie é apenas a palavra, eles encaram-nos como qualquer outro adversário. Os veteranos do tour são impecáveis. A palavra é só mesmo por termos entrado este ano, porque, em termos de surf e competição e tudo o resto, é igual.

Houve alguém no circuito que te tenha surpreendido?
Hum, não, são todos simpáticos, já os conhecia a todos, minimamente. Tinha essa ideia, de que todos eram pessoas simpáticas e educadas. Todos são amigos e não há um que, pronto, goste menos. Dou-me e falo bem com todos, é um tour saudável.

Não acontece dares-te mais com os brasileiros?
Nem por isso. Dou-me bem com eles, sim, mas o fator língua não influencia. Falo tão com com os brasileiros como falo com os australianos. Não influencia nada o ser português e poder dar-me mais com os brasileiros. Toda a gente fala inglês. Se calhar até me dou mais com os australianos do que com os brasileiros, sinceramente.

Faltam seis etapas por realizar. Em qual te apetece mais surfar?
Em Jeffrey’s Bay e em Portugal. São as duas etapas onde quero muito surfar. Estou muito entusiasmado e mal posso esperar.

Jeffrey’s Bay é já a próxima.
É uma onda que adoro, adoro, adoro. E Portugal, claro, porque vai ser um campeonato muito especial.

  • As mãos na água, a cabeça no mar

    Surf

    O título do livro de Mário Cesariny podia ser um dos lemas da vida de Frederico Morais. Ele tem as mãos na água de cada vez que toca na prancha, no fato, num abraço ao pai ou no cabelo com sal e aloirado pelo sol. Que são muitas vezes, porque a cabeça de Kikas está sempre no mar e nas ondas desde que a mãe, à beira da água, o viu, pela primeira vez, a pôr-se de pé na prancha, aos 7 anos