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Se ontem foi o heat de uma vida, este foi um heat para a história: Kikas está nas meias-finais em J-Bay

Português voltou a ser melhor que John John Florence e fez o seu melhor resultado de sempre no circuito mundial. Na África do Sul, segue-se outro peso-pesado: o brasileiro Gabriel Medina

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Alan van Gysen

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O que fazes quando estás a perder mesmo no final de uma bateria? Frederico Morais responderia: “Um 10 perfeito”.

Foi exatamente o que aconteceu esta tarde em Jeffreys Bay, África do Sul, onde o surfista português cometeu a proeza de se qualificar para as meias-finais do Corona Open J-Bay. Nunca antes Kikas tinha chegado tão longe numa prova do circuito mundial.

Para tal acontecer, Frederico voltou a bater o campeão mundial em título, John John Florence, o que já tinha acontecido na véspera, na 4.ª ronda, quando o cascalense foi primeiro na sua bateria à frente do havaiano e de Mick Fanning. E se na terça-feira Kikas tinha feito o heat da sua vida, palavras do próprio, o que dizer deste.

É que na 4.ª ronda, Frederico Morais, estreante enquanto membro a tempo inteiro do circuito mundial, tinha feito um acumulado de 19,07 (9,60 e 9,47) para ultrapassar Florence e Fanning. Esta tarde fez ainda melhor: nas duas últimas ondas fez 9,77 e 10, face aos 9,57 e 9,10 de John John.

"Foi o meu primeiro 10 no circuito, contra o melhor surfista do mundo. Um dos objetivos é ser rookie do ano, sem dúvida", revelou Frederico após os quartos-de-final. "As ondas estavam tão divertidas... Cada vez que surfo conta o John John temos heats bastante discutidos".

Nas meias-finais, Kikas terá pela frente outro campeão do Mundo, o brasileiro Gabriel Medina.

  • As mãos na água, a cabeça no mar

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    O título do livro de Mário Cesariny podia ser um dos lemas da vida de Frederico Morais. Ele tem as mãos na água de cada vez que toca na prancha, no fato, num abraço ao pai ou no cabelo com sal e aloirado pelo sol. Que são muitas vezes, porque a cabeça de Kikas está sempre no mar e nas ondas desde que a mãe, à beira da água, o viu, pela primeira vez, a pôr-se de pé na prancha, aos 7 anos