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Após dias e dias de espera, “Eu Amo Portugal” vence em Cascais

O Cascais Women's Pro esteve três dias parado, a aguardar que o mar se revoltasse com a inatividade e desse ondas às mulheres do circuito mundial de surf. Quando o oceano despertou, a australiana Nikki Van Dijk, que se desfez em amores por Portugal nas redes sociais, ganhou a final a Carissa Moore - e ajudou a tornar Sally Fitzgibbons ainda mais líder do ranking

Diogo Pombo

Laurent Masurel/WSL

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Domingo, segunda e terça-feira foram dias de turismo para quem era suposto estar por cá, entre as praias de Carcavelos e do Guincho. As senhoras do circuito mundial de surf foram fortalecendo a faceta pela qual hoje Portugal mais é conhecido e falado e, durante três dias, publicaram imagens atrás de fotografias junto ao mar, a monumentos e a sítios bonitos.

Não havia nada para fazer, leia-se, não rebentavam ondas decentes para se surfar o restante da oitava etapa do circuito feminino.

Mas, esta quarta-feira, as marés, os ventos e as ondulações alinharam-se para haver condições de sobra para, no Guincho, se realizar o resto da competição, que retomou nos quartos-de-final. Lá já não estava Courtney Conlogue, segunda classificada no ranking, pelo que Sally Fitzgibbons, a líder, tinha água de sobra para aumentar a vantagem.

A australiana, que conversou com a Tribuna Expresso antes da competição, avançou até às meias-finais, fase em que foi eliminada pela conterrânea que escrevera "Eu Amo Portugal" como legenda a uma fotografia que publicara, nas redes sociais, de um pôr-do-sol assistido na praia.

Nikki Van Dijk avançou até à final onde encontrou Carissa Moore, ex-tricampeã mundial. A australiana bateu a havaiana com uma pontuação de 10.67 contra 10.10, dígitos tímidos numa escala até 20 porque as ondas do Guincho não davam para muito mais.

Nikki, de 22 anos, ganhou assim a primeira final em que surfou no circuito mundial. "Estou a viver hoje o sonho que tenho desde os 8 anos. Sabe mesmo muito bem. Agora que ganhei a primeira, vou ficar com fome para ganhar muito mais! Estava na água e não conseguia ouvir as pontuações da praia, mas tentei continuar focada", disse a australiana, no final, ao receber o prémio.

A vitória da surfista da terra dos cangurus fez com que, pela terceira etapa seguida, a vencedora fosse alguém que a teoria não coloca como candidata ao título - na prova anterior, a brasileira Silvana Lima conquistou Lower Trestles, nos EUA e, antes, foi Sage Ericsson a vencer em Huntington Beach, também na costa da Califórnia.

Com os resultados na etapa portuguesa, Sally Fitzgibbons aumentou a vantagem na liderança do circuito. A australiana tem agora 3.500 pontos a mais que Courtney Conlogue, com duas etapas (França e Havai) ainda por realizar.