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Uma nota "que não se consegue todos os dias" não chegou para Vasco Ribeiro

O surfista português que competiu em Peniche com um wildcard foi eliminado por John John Florence, campeão mundial. Mas foi por um triz, ou pelos juízes, que a melhor onda de Vasco Ribeiro não foi tão boa quanto precisava - porque "faltou um bocadinho de tamanho", disse-nos Tiago Pires, o seu manager, no final

Diogo Pombo

Pedro Mestre/WSL

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Last wave was a five, point, nine. Five, point nine.

O speaker pronuncia esta palavras e muitas pessoas que estão na areia, quase de imediato, assobiam e apupam. Desaprovam a média dos pontos que resulta da forma como cinco juízes (ou três, porque a melhor e a pior nota são descartadas) viram a última onda de Vasco Ribeiro.

O tetracampeão nacional precisa de um 6.92, uma nota boa, mas não muito complicada de obter, tendo em conta as cavernas que muitas ondas abrem a meio da tarde de domingo, em Supertubos. Os juízes sinalizam a estratégia tem de passar por aí - são forretas a pontuar ondas sem tubos e pouco generosos com tubos que durem menos que dois segundos. São exigentes, querem mais, sobem a fasquia.

E os 5.90 que dão a Vasco surgem após o português estar, pelo menos, três segundos escondido numa onda, e depois de a finalizar com um aéreo de aterragem instável e desegonçada, mas aterrado com sucesso.

"Acho que não era a nota, sinceramente. Mas também acho que, apesar de o tubo ter sido muito técnico e muito longo, faltava um bocadinho de tamanho à onda. Ele esteve muito tempo lá dentro, o que explica o 5.90, uma nota que não se consegue todos os dias numa onda daquele tamanho. E depois fez um aéreo que não completou, o que podia ter ajudado um bocado à nota."

A avaliação é de Tiago Pires, o primeiro português a qualificar-se para o circuito mundial de surf, onde ficou de 2008 a 2014, que questiono no final da bateria. Porque ele usa os sete anos de experiência que teve nesta vida para agora ser o manager e uma espécie de mentor de Vasco Ribeiro.

Fala sobre a melhor tentativa que faz para apanhar John John, o relaxado havaiano, "sempre um adversário muito complicado em qualquer mar", que abre o heat com dois tubos consecutivos que despertam estupefações na praia.

Um deles vale um 8.67, a melhor nota da bateria que termina com uma vantagem de 1.01 sobre Vasco Ribeiro (14.74 contra 13.73).

O português é aplaudido, desperta o barulho na areia quando abandona o mar e regressa ao palanque da competição, derrotado, mas sorridente. "Estava descontraído e gosta de estar aqui a surfar dentro da multidão. Dá-lhe pica estar aqui entre os melhores, é aqui que ele quer fazer a carreira, é sempre uma boa experiência para ele", revela Saca.

Sobrou-lhe tempo para ir em busca da nota, de continuar a tentar fazer melhor do que as "outras duas oportunidades" que ainda teve e "o tubo para a direita" do qual não saiu. "Ele estava bastante confiante, só que, depois, a esperar pela prioridade e não vindo assim tantas ondas, é complicado", resume Tiago Pires, já com duas pranchas debaixo de um braço, pronto para abandonar o recinto da prova com Vasco.

Para o ano, com ou sem wildcard, porque Vasco Ribeiro está no 33º lugar do circuito de qualificação e pode imitar o que Frederico Morais foi capaz, o ano passado: ir buscar a entrar no CT ao Havai, com um brilharete nas derradeiras duas prova de 10.000 pontos da temporada.

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    Strider Wasilewski é um comentador da WSL e uma das vozes, e caras, mais ouvidas e vistas para quem acompanha as etapas do circuito mundial de surf. O americano passa o primeiro dia do Meo Rip Curl Pro, em Peniche, dentro e fora de uma tenda e não dentro de água, a comentar o que se passa sentado numa prancha: "É quem eu sou. Para mim é mais natural estar dentro de água, é mais desafiante ter que fazer entrevistas ou comentário aos heats"