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O mundial de surf vai ter uma etapa num rancho a 200 quilómetros do mar

Na próxima época, o circuito mundial de surf masculino e feminino vão ter uma etapa em Leemore, na Califórnia, que fica a 200 quilómetros do Oceano Pacífico. Como? Kelly Slater construiu lá uma onda artificial e a World Surf League decidiu, de vez, colocar os surfistas a competirem lá. E optou, também, por não trazer as melhores surfistas a Cascais em 2018

Diogo Pombo

Sean Rowland/WSL

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“Há heats em que, por vezes, não vêm ondas durante 10 minutos. Ali é uma coisa constante, ondas que aparecem de três em três minutos, para a esquerda e para a direita, e aparecem de certeza. E é uma onda boa atrás da outra. É nisso que é bom e que poderá trazer pessoas que não se interessam muito por surf.”

Em quatro frases, Teresa Bonvalot resumia em setembro, à Tribuna Expresso, o que de bom há em Leemore, no meio da ruralidade da Califórnia, nos EUA. A surfista portuguesa falava sobre um rancho, no meio do campo, onde, em dezembro de 2015, alguém teve a ideia de construir máquinas e mecanismos que fabricassem ali, no meio do campo, o que o mar faz a cerca de 200 quilómetros.

Kelly Slater quis realizar “um sonho” e “um projeto de 10 anos” de criar uma onda artificial sob um preceito que, no fundo, coincide com o que a surfista portuguesa acha: “Surfar grandes ondas num ambiente controlado, onde não há disputa por ondas, não há o stress sobre quem apanhou a melhor, onde toda a gente pode relaxar, divertir-se e focar-se em melhorar o seu surf”.

Quase dois anos após a divindade dos 11 títulos mundiais ganhos criar a onda artificial, diz-se, mais evoluída e real do planeta, foi anunciado, na sexta-feira, que o Surf Ranch - como Slater a batizou - fará parte do circuito mundial de surf em 2018.

Esta invasão de tecnologia e maquinaria num desporto que sempre, mesmo sempre, pregou o contacto entre o surfista, o oceano e a natureza, nem é inesperada: em maio do ano passado, a World Surf League (WSL), sem adiantar valores, revelou a compra de uma fatia das ações da Kelly Slater Wave Company, empresa do calvo surfista mais famoso que é dona do rancho. Nesta segunda-feira, a entidade estipulou que a etapa em Leemore acontecerá em setembro, antes de o circuito rumar à Europa (logo, antes das etapas francesa, portuguesa e havaiana).

Dois mil e dezoito, portanto, é o ano que marcará a chegada de uma onda artificial ao circuito mundial de surf. A etapa não deverá fugir muito ao formato que a WSL e Kelly Slater testaram, em setembro, numa prova experimental: uma onda é fabricada de três em três minutos e, num heat, cada surfista tem o direito de apanhar duas para cada lado. “Não tenho dúvidas que tanto a qualidade, como a experiência [de surfar esta onda] está à altura de um evento do CT”, argumentou Adrian Buchan, australiano que compete no circuito mundial, à WSL.

Disse-o porque já teve a oportunidade de experimentar a onda de rancho, em setembro, num teste em que não houve convites para todos os surfistas do circuito. Como Frederico Morais, por exemplo, ou Teresa Bonvalot, que não integra a elite feminina, mas assistiu à experiência por ser namorada de Kanoa Igarashi.

Quanto a outras novidades para 2018, o circuito masculino vai trocar a etapa das Ilhas Fiji por uma em Bali, na Indonésia, o destino de férias predileto para qualquer surfista. Já no mundial feminino, a maior notícia é a ausência da etapa de Cascais, que nos últimos anos não se apresentou muito simpática na qualidade das ondas. Em vez da paragem português, as melhores surfistas do mundo vão parar em Jeffrey’s Bay, Bali e Leemore.

O calendário do circuito mundial masculino em 2018:

Quiksilver Pro Gold Coast, Austrália - 11 a 22 de março
Rip Curl Pro Bells Beach, Austrália - 28 de março e 8 de abril
Margaret River Pro, Austrália - 11 a 22 de abril
Oi Rio Pro, Brasil - 10 a 19 de maio
Bali Pro, Indonésia - 27 de maio a 9 de Junho
Corona Open J-Bay, África do Sul - 2 a 13 de julho
Tahiti Pro Teahupo'o, Tahiti - 10 a 21 de agosto
Surf Ranch Lemoore, EUA - 5 a 9 de setembro
Quiksilver Pro France, França - 3 a 14 de outubro
Meo Rip Curl Pro Portugal, Portugal - 16 a 27 de outubro
Billabong Pipe Masters, Havai/EUA - 8 a 20 de dezembro

E o calendário do circuito mundial feminino:

Roxy Pro Gold Coast, Austrália - 11 a 22 de março
Rip Curl Women’s Pro Bells Beach, Austrália - 28 de março a 8 de April
Margaret River Pro, Austrália - 11 a 22 de abril
Oi Rio Pro, Brasil - 10 a 19 de maio
Bali Pro, Indonésia - 27 de maio a 9 de Junho
Corona Open J-Bay, África do Sul - 10 a 17 de julho
Vans US Open of Surfing, EUA- 30 de julho a 5 de agosto
Surf Ranch Lemoore, EUA - 5 a 9 de setembro
Roxy Pro France, França - 3 a 14 de outubro
Hawaii Women’s Pro, Havai/EUA - 25 de novembro a 6 de dezembro

  • Teresa Bonvalot viu a onda artificial de Kelly Slater e contou-nos como foi

    Surf

    Teresa Bonvalot só tem 18 anos e já conseguiu muita coisa no surf. É bicampeã europeia júnior, já foi duas vezes campeã nacional e a mais recente das coisas boas foi ter assistido, ao vivo, ao evento experimental que a WSL realizou na onda artificial que Kelly Slater inventou: "O objetivo deles é chegar aos Jogos Olímpicos"