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John John: dois nomes, dois títulos

O havaino é campeão do mundo de surf, outra vez. John John Florence tornou-se apenas no segundo homem desde Andy Irons, outro havaiano, a defender o título que tinha vencido pela primeira vez na carreira. Ele é bicampeão mundial

Diogo Pombo

Ed Sloane/WSL

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O que impressionava nele era a tranquilidade.

O encolher dos ombros que, mesmo não o fazendo, se notava a cada resposta que dava, afirmação que fazia ou de vez que fintava as perguntas sobre a pressão, o título, as vitórias, os pontos.

Quando John John Florence esteve em Peniche, há uns meses, para ser eliminado nos quartos de final e adiar a decisão do circuito mundial para o Havai, a sua terra, tudo lhe foi tão natural como a reação que teve há umas horas, em Oahu, cercado por uma multidão felicitadora: “Agora tenho que ir para o meu heat, não é?”.

Pelo segundo ano seguido, este havaiano de pele clara e de cabelo ainda mais branco, tinha os pés na areia quando ficou a saber que era o melhor surfista do mundo. Há um ano, John John estava em Portugal, tranquilo da vida, quando a derrota de alguém na água lhe garantiu o primeiro título mundial da carreira. E, na madrugada desta segunda-feira, lá esteve ele em terra, a olhar para as ondas de Pipeline, enquanto Gabriel Medina perdia contra Jeremy Flores.

Ele estava praticamente no quintal de casa, talvez com os irmãos e a mãe a vê-lo, a progenitora solteira que os criou, sozinha, e a quem John John agradeceu por os ter aproximado do mar. “Levou-me a mim e aos meus irmãos a viajar quando eramos novos, fez com que amássemos o oceano e acho que é por isso que estamos todos aqui - pelo amor ao oceano. Portanto, obrigado mão, não estaria aqui sem ti”, disse, no desfecho do Billabong Pipe Masters, que perdeu para Jeremy Flores, o surfista da Ilha Reunião que reclamou o favor que lhe fez com uma vitória na final.

Este resultado fez de John John Florence bicampeão mundial com apenas uma etapa conquistada durante a época - em Margaret River, na Austrália, em março. Antes e depois da vitória na terceira paragem do circuito, o havaiano terminou duas provas em 13º (Rio de Janeiro e Fiji), outras duas em 5º (Jeffreys Bay e Tahiti) e quatro em 3º (Gold Coast, Bells Beach, Trestles e Hossegor). Gabriel Medina, o brasileiro que fecha o ano como o primeiro dos últimos, venceu as etapas de França e Portugal.

Kelly Cestari/WSL

O surfista que aos seis anos já era patrocinado por marcas de surf e aos 13 se estreou no Vans Triple Crown (o prestigiante conjunto de três provas havaianas que encerram a temporada do surf), fez o que ninguém fazia desde Andy Irons: em 2003, o também havaiano e falecido surfista, defendeu com sucesso o primeiro título da carreira. Viria a conquistar um terceiro consecutivo, algo que John John deverá, agora, perseguir.

Mesmo que tenha o ar de quem tudo relativiza, ou que, encostado a uma parede, preferisse dar a volta ao mundo de veleiro antes de vencer outro título mundial (admitiu-o em entrevista à Tribuna Expresso), é o que deverá fazer.

Ele é tão apaixonado por velejar e fotografar (tem um pequeno estúdio analógico em casa, no Havai) como é por surfar, mas, aos 25 anos, parece estar focado como quem apenas pensa em surf. Algo que, até ao ano passado, lhe era apontado como uma falha, uma aresta por limar na pedra humana à qual todos reconheciam talento mais do que bruto.

Porque poderá chegar o dia em que velejará entre etapas do circuito mundial. Mas talvez não tenha outra oportunidade de igualar o legado de Andy Irons (foi tricampeão) ou de dar início a um feito que está escondido desde que Kelly Slater virou quarentão:

Uma nova hegemonia no surf.

Os sete anos de John John Florence no circuito mundial de surf

2011: 34º
2012:
2013: 10º
2014:
2015: 14º
2016: Campeão
2017: Campeão

  • A repetição de John John

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    O surfista havaiano pode sagrar-se campeão mundial pela segunda vez nas mesmas ondas, em Peniche. E falou à Tribuna Expresso antes de a etapa portuguesa do circuito mundial de surf

  • Se lhe apetecer, isto vai repetir-se mais vezes que o nome dele

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    John John Florence venceu em Peniche e, pela primeira vez, é campeão mundial de surf. A frase "era uma questão de tempo" nunca fez tanto sentido: aprendeu a nadar aos dois anos, começou a surfar com cinco, aos oito já se enfiava em Pipeline, onda havaiana e, com 13, foi convidado para o Triple Crown. Ele faz aéreos e sobrevive a tubos com a mesma facilidade com que encara o surf. "Já me disseram que tenho um estilo preguiçoso", admitiu, em tempos. Mas o talento é tanto que só não ganhará mais títulos se não quiser