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Tempestade no mar, ondas no rio. As aventuras do surfista João Kopke no Jamor e no Terreiro do Paço

Félix é o nome da tempestade que, durante o fim de semana, deu à costa portuguesa ventos a tocar nos 100 km/h e ondulação a roçar os 14 metros. E João Kopke é o surfista que (mais uma vez) aproveitou as ondas que o temporal formou em sítios inusitados, como na Cruz Quebrada, onde o Jamor desagua no Tejo, ou mesmo à frente da praça mais conhecida de Lisboa

Diogo Pombo

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O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) fartou-se de avisar para o que aí vinha: ventos zangados e a soprarem perigosamente, ondulações no mar assustadoramente grandes, um cenário climatérico para manter as pessoas entre quatro paredes. Chegou a ser acionado o Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo, um tipo de cautela que prevê o pior quando o tempo (que não é tempo, mas sim clima) se diz mau (que não é mau nem bom, é subjetivo).

João Kopke olhou para as previsões e para o temporal que aí vinha. Surfista de 22 anos, foi várias vezes campeão nacional em miúdo, mas, no último par de anos, as ondas e o surf deixaram de significar apenas competição para ele.

Começaram-lhe a dar ideias.

Prevendo que o vento, a ondulação e toda a tempestade no mar implicaria consequências em águas, por norma, mais calmas, o surfista pôs as pranchas no carro e conduziu em direção ao Rio Tejo. Não tinha bem noção de onde queria ir, apenas ideias (lá está). Porque sabia que tamanhas ondas a dirigirem-se para a costa poderiam dar boas experiências em sítios onde não é costume haver tal coisa.

E João parou com os amigos na Cruz Quebrada, onde o Rio Jamor desagua no Tejo e águas se confluem, vestiu o fato, pegou na prancha e atirou-se às pequenas e tímidas ondas que ali se formaram. Nem um metro de altura tinham e mal força guardavam para darem boleia a alguém, mas o resultado foi o que o surfista do Estoril queria - pessoas a surfarem num sítio onde ninguém o diria.

Muito menos se esperaria ver tipos em pé numa prancha mesmo à frente do Terreiro do Paço, a maior praça de Lisboa, que está virada para o Rio Tejo e bem mais longe do mar do que a Cruz Quebrada. João Kopke, acompanhado por um amigo (Tomás Valente), também aproveitou as réplicas do temporal se divertir nas pequenas ondas que ali se formaram.

Há pouco mais de um ano, Kopke já tinha feito o mesmo aquando da passagem de outra tempestade (Dália) por Portugal. Na altura, escolheu a Torre de Belém como o local inesperado para tentar surfar.

(créditos dos vídeos: White Flag Productions)