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Frederico Morais: eliminar um ex-campeão do mundo na última onda, check

Joel Parkinson é um australiano que já venceu um título mundial e ganhou por três vezes em Bells Beach, onde Kikas o eliminou na última onda, e nos últimos segundos, para rumar à quarta ronda da segunda etapa do circuito mundial de surf (e talvez entrar no top-10 do ranking)

Diogo Pombo

Kelly Cestari/WSL

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Faltavam dois minutos e muito poucos segundos quando, no lado direito do ecrã de quem os seguia, e algures a ecoar pelo ar na praia de Bells Beach, na Austrália, se ficou a saber que um dos surfistas que estava na água precisava de fazer uma onda que fosse avaliada em, pelo menos, 3.07, para ganhar a bateria. Uma onda à qual chamar razoável seria quase um elogio, portanto.

Esse surfista era Frederico Morais e foi com esta informação na cabeça que partiu para a última onda que apanharia.

Ele remou, levantou-se na prancha e foi curvando na parede da onda com notória cautela e prudência. Não puxou pela velocidade, não exagerou na inclinação da prancha, não se esticou nos leques de água. Não arriscou. Apenas cumpriu em manobras simples e certas, porque foi "horrível" e "estava nervoso" quando remou para essa onda, como admitiu.

O surfista português pontuou um mais do que suficiente 5.60, que lhe chegou para eliminar o tipo contra quem estava a competir. Era Joel Parkinson, de 36 anos, bem mais experiente e experimentado do que ele, um australiano que já foi campeão mundial de surf (em 2001) e venceu a etapa onde estão a surfar por três vezes. "O Joel é um surfista incrível, tem imensa experiência aqui e tornou-se um amigo. É alguém que idolatro", disse Kikas, no final, já com os pés na areia.

Com este resultado, o português garantiu a passagem à quarta ronda em Bells Beach, onde se está a realizar a segunda etapa do circuito mundial de surf. Na primeira, em Snapper Rocks, a mais de 1.000 quilómetros dali, Frederico Morais ficou-se pela terceira ronda e o respetivo 13º lugar.

Com esta prestação, Kikas já garantiu, pelo menos, um 9º lugar e os respetivos 3.700 pontos para o ranking - que, somados aos 1.665 que já tem, o poderão deixar entre os dez primeiros da classificação.

Tudo quando precisava apenas de uma onda na casa dos três pontos contra um antigo campeão mundial e tri vencedor de uma das etapas mais icónicas do circuito (realiza-se desde 1961, sem interrupções). Isto de quem chegou ao fim da bateria a dizer que prefere, e "é melhor pores-te de pé numa onda sabendo que precisas de um 8 ou de um 9".

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