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Waw…rinka! Já só falta Wimbledon

Stan Wawrinka foi mais forte mentalmente do que Novak Djokovic e conquistou o US Open, terceiro torneio do Grand Slam

Alexandra Simões de Abreu

Stan Wawrinka tem 31 anos e é o 3º do ranking ATP

Chris Trotman/Getty

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O ténis é um desporto de alta intensidade e velocidade, mas pelos vistos não foi (só) a boa condição física que deu a vitória a Stan Wawrinka na final do US Open. Foi a capacidade psicológica. A força da mente. Ele próprio apontou várias vezes o seu dedo esticado em direção à cabeça, enquanto dava a volta ao resultado e a Novak Djokovic.

Ao fim de quase quatro horas, o suíço, que venceu as suas últimas onze finais, ficou a um triunfo de completar o Grand Slam. Só falta Wimbledon ao número três do mundo e… chegar a número um.

Mas vamos à final. O sérvio até entrou descontraído, fazendo o seu jogo defensivo contra um Wawrinka que arrancou com tudo, agressivo. Afinal, Djokovic não só é o número um do mundo, como era o detentor do título e já tinha triunfado este ano na Austrália e em Roland Garros. Rapidamente fez o 3-0, com um break no segundo jogo e chegou a ter uma vantagem de 5-2 com dois pontos de break para fazer o 6-2.

Mas é aqui que entra o verdadeiro poder do suíço. A força psicológica. Wawrinka não só reduziu para 5-3 como consegue o break no jogo seguinte. A decisão iria para tie-break. Djokovic puxou dos galões e fez 7-1. O suíço continuou agressivo e não se deixou intimidar. Cada vez que salvava um break point e fazia tudo bem feito, Wawrinka esticava o dedo para a cabeça, como quem diz “está tudo aqui”.

Até que o sérvio começou a queixar-se de problemas nos pés (foi mesmo assistido duas vezes) o que deixou o suíço à beira de um ataque de nervos, mas sem nunca perder o norte. Muito focado Wawrinka ainda perdeu um match point, mas acabou por vencer a final após um erro não forçado do líder mundial que no fim reconheceu: “Wawrinka é um grande campeão, foi mais corajoso nos momentos decisivos e mereceu completamente ganhar este título”.

Chris Trotman/Getty

Filho de pai alemão e mãe suíça, Stan Wawrinka tem 31 anos e há dois anos tornou-se no tenista número um da Suíça, ultrapassando Roger Federer, depois de vencer o Open da Austrália, derrotando Rafael Nadal. Em 2008 foi medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, em duplas, precisamente ao lado do compatriota Federer.

O mítico ex-tenista norte-americano John McEnroe, já disse dele que é um dos jogadores mais poderosos que viu e o melhor com o braço direito.

Antes de receber o cheque de 3.5 milhões de dólares no Arthur Ashe Stadium, o suíço concluiu: “Treino no duro há muitos anos, desde miúdo. O meu objetivo sempre foi dar tudo o que tenho para ser o melhor possível. Nunca fui o número um, mas, passo a passo, vou melhorando e subindo. Foi o que fiz aqui”.

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