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O que faz falta é Kyrgios animar a malta

NIck Kyrgios teve mais um ano daqueles: refilou com árbitros, adeptos e colegas, desistiu de pontos e foi suspenso pela ATP. Momentos para esquecer? Não. Ele diz que 2016 foi "um ano de sucesso". A Tribuna Expresso apresenta-lhe o quarto dos 10 acontecimentos desportivos de 2016 que mais vale esquecer em 2017

Mariana Cabral

KAZUHIRO NOGI/GETTY

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Normalmente o processo é assim: fazemos asneira, levamos tau tau, arrependemo-nos, não voltamos a repetir. Pelo menos é assim para quem não se chama Nick Kyrgios. Depois de mais um ano recheado de trapalhadas, o tenista australiano fez questão de dizer a quem o ouve que 2016 foi um belo período. "Obviamente houve alguns altos e baixos, mas o meu ranking passou de 30º para 13º, portanto é um ano de sucesso", explicou.

E mais: "Foi um ano animado. Fiz muitas coisas divertidas".

Como esta:

Ah, que animação. Se de Kyrgios já nos habituámos a ouvir esta ou aquela boca para adversários, árbitros e até adeptos, o miúdo (com 21 anos ainda é miúdo, mas é ainda mais miúdo se notarmos que passa os dias a jogar Pokémon e a passear com os amigos de 13 e 14 anos - leia AQUI) australiano desceu um degrau na escala do mau comportamento ao tornar também comum a falta de pachorra para disputar pontos.

Depois da fita que fez no Torneio de Xangai, onde desistiu de pontos (tal como já tinha feito em Wimbledon no ano anterior) e foi malcriado com o árbitro e com os adeptos (“Queres vir para aqui jogar? Senta-te e cala-te, e vê o jogo” foi um dos mimos), Kyrgios foi multado e suspenso pela ATP, por oito semanas, por ter ido "contra a integridade do jogo".

A suspensão ainda se mantém em vigor até meados de janeiro, mas foi reduzida quando o tenista aceitou as idas ao psicólogo - sugeridas pela ATP. E até as considerou proveitosas. "Tenho falado com alguém e até tem sido bom. Também tenho relaxado mais e passado mais tempo com a família e com a minha namorada", explicou o tenista que Roger Federer diz que é "um grande jogador" e que Rafael Nadal diz que tem "um grande potencial".

Só lhe falta o resto. Mas ele diz que está no bom caminho, apesar de nem ter um treinador (ninguém o aguenta ou ele não aguenta ninguém há dois anos). "Esta é outra forma de olhar para as coisas: pelo menos tive mais tempo para estar com a família e para treinar bem. Depois cabe-me a mim regressar bem em 2017".

A malta cá te espera. Até para ouvir mais coisas como esta: "Chegar a número um não me interessa muito. Seja 13º ou 20º, é só ténis, não é assim tão importante no quadro geral das coisas."

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