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Rui Gustavo

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Jornalista

Qual é a justiça de eu não ter jeito nenhum para o ténis e este tipo parecer que nasceu para isto?

Rui Gustavo, editor de sociedade e tenista das horas livres, escreve sobre Roger Federer, o jogador de quem nunca gostou muito. Até hoje

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Que dizer de um campeão que aos 35 anos regressa a uma final de Grand Slam (a 28º da carreira) e contém os festejos porque do outro lado da rede está um amigo e colega da seleção com quem até já teve alguns arrufos?

“Tem que se inventar uma palavra para este gajo”. A ideia é do André Nunes, ator talentoso e jogador de ténis esforçado, como eu. Nunca falei com ele sobre isso, mas o Roger Federer sempre me irritou. É bom de mais. Parece que não sua a jogar.

Não há maneira, sequer, de tentar imitar um único golpe que ele faça (os de outros também, mas a distancia é menor). Assisti ao domínio implacável do suíço durante os anos 2000, vi-o a derrotar o Sampras, vi-o a fazer um passing-shot de costas ao Djokovic no US Open que perderia para o del Potro, vi-o partir uma raqueta uma única vez na carreira (sabe Deus como isso é difícil), viu-o bater o recorde de títulos de Grand Slam e a tomar o lugar de Sampras como o melhor de sempre; viu-o a jogar no Open do Estoril, a sorrir para os putos chatos dos autógrafos, mas nem assim me rendi.

Qual é a justiça de eu não ter jeito nenhum para o ténis e este tipo parecer que nasceu para isto? Ele não anda, nem corre; desliza. E dura. É verdade que já não ganha como dantes, mas continua a ser temível. Tem 35 anos e está a caminho do 18º título do Grand Slam e tanta unanimidade à volta dele irrita-me.

Mas confesso que aquele sorriso tímido, quase a pedir desculpa, por ter ganho, é de homem. No domingo tens mais um fã, Roger o-maior-jogador-do-mundo-de-sempre-que-por-acaso-é-bom-rapaz. Pode ser esta a palavra, André? .