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Queriam a final do século? Aí a têm: amanhã há Federer-Nadal na decisão do Open da Austrália

Espanhol de 30 anos afastou o búlgaro Grigor Dimitrov com os parciais de 6-3, 5-7, 7-6(5), 6-7(4) e 6-4 e confirmou o duelo que todos queriam: a final do primeiro torneio do Grand Slam do ano será um regresso ao passado, com Roger Federer do outro lado da rede

Lídia Paralta Gomes

Quinn Rooney/Getty

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Foi Federer que contou a história e hoje Rafael Nadal recordou-a. Em outubro, o suíço viajou até Maiorca para a abertura da academia do espanhol e ambos falaram da possibilidade de jogar uma partida de exibição. Mas Federer recuperava de uma lesão no joelho e Nadal sofria com um problema num pulso: tudo o que conseguiram foi trocar umas bolas com algumas crianças.

“Na altura pensámos ‘Neste momento isto é o melhor que conseguimos fazer’”, recordou Federer. Três meses depois, eles estão na final do Open da Austrália e toda a gente abre a boca de espanto. Eles, principalmente.

Tal como Federer na véspera, Rafael Nadal precisou de cinco sets para garantir um lugar naquela que já é por muitos considerada a “final do século”. Foram quatro horas e 56 minutos sem desperdício, com o espanhol afastar o búlgaro Grigor Dimitrov com os parciais de 6-3, 5-7, 7-6(5), 6-7(4) e 6-4, numa partida jogada sempre com grande intensidade parte a parte.

Assim, domingo é dia para quem gosta de história (e de estórias). Será a final do século porque estamos a falar de mais do que um jogo de ténis: é o regresso à glória dos dois maiores dominadores da primeira década do século, afastados das decisões nos últimos anos a contas com problemas físicos e com a afirmação de Novak Djokovic e Andy Murray. Federer tem 35 anos, Rafael Nadal 30 e o ano de 2016 foi particularmente difícil para ambos: Roger Federer não jogou mais de metade da temporada, com uma lesão no joelho, e Rafael Nadal passou grande parte da época a lutar contra uma lesão no pulso, que o obrigou a desistir a meio de Roland Garros e a abdicar de Wimbledon.

Federer e Nadal na final de Roland Garros em 2006, que o espanhol conquistou: ambos ainda tinham grandes guedelhas

Federer e Nadal na final de Roland Garros em 2006, que o espanhol conquistou: ambos ainda tinham grandes guedelhas

BERTRAND GUAY/Getty

“É um privilégio e muito especial para ambos voltarmos a competir um contra o outro numa final de um torneio do Grand Slam”, sublinhou Nadal momentos após bater Grigor Dimitrov.

Desde 2011, em Roland Garros, que não havia uma final Roger Federer-Rafael Nadal num torneio do Grand Slam. A primeira foi há mais de uma década, também em Paris, em 2006. Juntos têm 31 títulos em majors: Federer é o recordista, com 17 e Nadal não está longe, com 14. O suíço não vence um torneio do Grand Slam desde 2012 (Wimbledon) e o espanhol desde 2014 (Roland Garros). No confronto direto, Nadal tem clara vantagem (23-11), tal como em finais do Grand Slam (6-2).