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Este tenista já quis ser arquiteto e vacila quando lhe perguntam se prefere ver ao vivo um Benfica-Porto ou um jogo de João Sousa

João Domingues é o quarto melhor jogador português da atualidade. Ontem, ultrapassou Ernests Gulbis, que abandonou, lesionado. À Tribuna Expresso, este rapaz de Oliveira de Azeméis fala do jogo, do curso que abandonou, e do seu FC Porto

Patrícia Gouveia

Fernando Correia

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Tem 23 anos, nasceu em Oliveira de Azeméis, é o tenista número quatro nacional e ocupa, neste momento, a posição mais alta da sua carreira no ranking ATP, a 259ª. João Domingues garantiu, ontem, o apuramento para a segunda ronda do Millennium Estoril Open depois da desistência de Ernests Gulbis, jogador que está na 169.ª posição mundial. Mas atenção, o lituânio já esteve no top 10. Visivelmente satisfeito depois do encontro, o atleta, que trocou a arquitetura pela paixão do ténis, falou à Tribuna Expresso sobre o próximo adversário, o compatriota Gonçalo Oliveira.

Jogaste contra Ernests Gulbis. Estavas a ganhar por 6-1 no primeiro set, mas o teu adversário desistiu Como achas que correu o jogo?
É só um jogo. Obviamente, tenho pena de ele ter desistido porque é um grande jogador. Todos nós sabemos, já foi número 10 do Mundo e fez uma meia-final de um Grand Slam. Por coincidência, os últimos dois dias tinha treinado com ele e, quando me saiu no sorteio, fiquei surpreso.

Deram-se bem nos treinos?
Demo-nos muito bem, ele é cinco estrelas e espero que volte o mais rápido possível.

Esta não é a tua primeira vez num Millennium Estoril Open. Quais são as expectativas para esta edição?
É ir ao mais longe possível, claro.

Como é que te preparaste?
Em relação a este jogo, não estava mesmo nada à espera que ele me saísse no sorteio. Foi uma coincidência, tive uma preparação ligeiramente diferente, porque eu não o conheço tão bem. Conheci-o a ele, e à sua maneira de jogar, nos treinos, apesar de não se jogar como se treina. Mas com a minha equipa técnica fui-me focando mais no meu jogo do que no dele, porque não o conheço tão bem. Em relação à preparação tenho vindo de vários torneios Futures - e este é um ATP. A diferença é brutal, é mais mental. Vou tentar o melhor possível para estar aqui ao máximo.

E este bichinho do ténis, nasceu quando?
É bichinho de família. O meu tio-avó jogava, o meu pai jogou, os meus primos jogaram e então foi nascendo daí.

Então não foste o típico miúdo que jogava futebol?
Gosto muito de futebol, até cheguei a jogar, mas, entretanto, saí e dediquei-me ao ténis.

Como é que tens contruído o teu percurso nesta modalidade
Tenho jogado praticamente em torneios Futures, joguei alguns challenger e ATP’s tenho jogado sempre aqui no Estoril Open.

Sofreste com lesões?
Sim, tive algumas lesões pelo caminho, o que me impossibilitou de fazer algumas coisas, mas este ano, e já no final do ano passado, tenho feito um trabalho diferente e tenho trabalhado mais e melhor. O objectivo é estar o mais saudável possível durante o ano para ser mais sólido nos resultados. E a meta deste ano é consolidar-me num nível Challenger.

Este é o teu 3.º Millennium Estoril Open. Como correu no ano passado?
No ano passado perdi na primeira ronda contra um jogador croata que estava na posição 130 do mundo, que era o Franko Skugor. Perdi 7-6 no terceiro set, foi uma derrota difícil porque tive chances de ganhar e, desta vez consegui fazê-lo. É a primeira vez que passo uma ronda aqui no Millennium Estoril Open.

No torneio do ano passado, estavas em 466.º no mundo. Agora chegas a esta edição na posição número 259. Apesar de estares a subir no ranking ATP, nunca consideraste uma carreira longe do ténis?
(Risos) Quando acabei o secundário, entrei num curso numa área que gosto que é Arquitectura.

Fernando Correia

Mas conseguias conciliar com o ténis?
Não. Por isso, passado um ano na faculdade, desisti porque nem fazia bem uma coisa, nem fazia bem outra. Estava a prejudicar o ténis e o curso. Tive de optar. Graças a Deus, os meus pais têm a capacidade de me suportar e ajudar. E aceitaram a minha decisão.

Tens algum tipo de apoio do Estado?
Apoios do Estado... no ténis é muito complicado. Até ao dia de hoje nunca tive nenhum, somente os meus pais. No mundo do ténis em Portugal é difícil ter apoios.

Falaste que jogaste futebol. Suponho que seja uma modalidade que acompanhes.
Sim, acompanho e gosto de ver.

E tens algum clube que apoies?
(Risos) Tenho, sou do FC Porto.

Achas que o FC Porto pode acabar por surpreender e ganhar o título?
Sinceramente não sei. Este ano está complicado.

Se te dessem dois bilhetes, um para Benfica-FC Porto e outro para um jogo do João Sousa, qual optarias por ver?
(Risos) Eish, isso é muito difícil de escolher. Não sei, teria de pensar sobre isso.

Quem é a tua inspiração no ténis?
Para mim, e creio que para muitos tenistas, a inspiração é o Roger Federer. O homem é um monstro.

Qual é o próximo torneio depois deste Estoril Open?
É uma boa pergunta porque eu ainda não sei. É algo que ainda vou definir com a minha equipa técnica.

Já se sabe que no próximo jogo vais defrontar um português, o Gonçalo Oliveira. Conheces?
Conheço bem, já joguei várias vezes contra ele. E o espanhol Inigo Cervantes, que ele defrontou, também é um grande jogador. É bom que Gonçalo tenha ganho porque é mais um português a ganhar e será um jogo português contra português.