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Roland Garros: a festa para a qual Sharapova não foi convidada, mas Lestienne sim

A Associação de Ténis Feminino já se mostrou descontente com o raciocínio de atribuição do wildcard – a russa Sharapova não foi convidada a participar no French Open, mas o francês Constant Lestienne sim

Cláudia Alves Fernandes

A tenista russa não vai competir no French Open deste ano

Giuseppe Bellini

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Durante 15 meses, Maria Sharapova esteve suspensa, por doping, de participar em competições. Inicialmente, a pena aplicada seria de dois anos, mas acabou por baixar para os 15 meses. Desde que voltou, há pouco menos de um mês, a tenista russa já teve possibilidade de competir no torneio de Estugarda, logo no dia 26 de abril,data em que celebrava o fim da proibição de pisar um campo de ténis, em competições oficiais.

No ranking oficial da Associação de Ténis Feminino, Sharapova ocupa o lugar 211 e a batalha para recuperar o tempo de suspensão tem sido longa e árdua. E foi com o argumento de proteger os standards do desporto, que a Federação Francesa de Ténis (FFT) se recusou a presentear a tenista com um wildcard, ou seja, um convite para participar no torneio, que é atribuído pelos organizadores dos torneios, quando a classificação do atleta não é suficiente.

Mas Steven Simon, director da Associação de Ténis Feminino, chegou-se à frente para defender a campeã por duas vezes do torneio- em 201e e 2014 -, para o qual não foi agora convidada: “Não há motivos para penalizar qualquer jogador além das sanções estabelecidas nas decisões finais que resolvem essas questões”. Bernard Giudicelli Ferrandini, director da FFT, defendeu-se, dizendo que os wildcards servem para regressos em casos de “lesões, mas nunca de doping”.

Para melhorar o dia de Sharapova, duas horas depois de saber que não ia poder competir no French Open, a tenista foi forçada a abandonar o campo do Italian Open, com uma lesão na coxa.

Mas a (nova) polémica que envolve agora a tenista de 30 anos não fica por aqui. Quem, por sua vez, recebeu um convite para o evento de ténis, também conhecido com Roland Garros, foi o francês Constant Lestienne. E porque é que muitos estão contra o wildcard do tenista que ocupa o lugar 253 do ranking mundial?

É que o francês foi proibido de jogar durante sete meses, por ter apostado em 220 jogos entre fevereiro de 2012 e junho de 2015. Na competição do ano passado, Lestienne foi convidado como ´cabeça de cartaz´ do torneio, mas o convite foi retirado, assim que as investigações da Unidade de Integridade do Ténis começaram.

Na altura, a FFT veio a público assumir que o convite tinha sido retirado porque "não se toleravam comportamentos antiéticos". Cinco meses depois, Richard Ings, o homem que chefiou o programa Antidoping da Associação de Tenistas Profissionais, entre 2001 e 2005, levantou o debate.

No Twitter, Ings fez várias publicações a criticar o argumento da FFT para não convidar Sharapova, e ignorá-lo quando se trata de Lestienne.

Quem não vai também ao torneio, que começa a 28 de meio, é o suíço Roger Federer, mas por opção própria: o tenista disse que ia limitar as provas em terra batida, por já não ter condições técnicas, nem físicas, segundo avança a Euronews.

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