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“As crianças transgénero são obra do diabo”, diz a antiga tenista Margaret Court

Considerada por muitos como a maior tenista de todos os tempos, Margaret Court diz ver agora o ténis como um desporto “cheio de lésbicas”

Cláudia Alves Fernandes

A tenista está envolta em polémica depois das declarações polémicas sobre a comunidade homossexual

Stuart Hannagan

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Dentro do court é um exemplo a seguir. Fora dele nem por isso.

Margaret Court, um nome sonante no mundo do ténis, disse que o desporto no qual já foi rainha "está cheio de lésbicas" e que as "crianças transgénero são obra do diabo".

A ex-atleta de 74 anos protestou contra o apoio da empresa australiana Qantas ao casamento do mesmo sexo, dizendo que “sempre que possível” não ia voar com a companhia.

“Quando eu jogava, havia apenas algumas lésbicas. Mas elas começaram a conviver com as atletas mais jovens, levaram-nas a festas...”. À Rádio Vision Christian - uma rádio católica - a ex-atleta acrescentou ainda que “queria ajudar a ultrapassar”, dizendo que não estava contra “essas” pessoas: “Eu acho que isto é bullying. Não tenho nada contra homossexuais enquanto pessoas - eles podem fazer o que quiserem -, mas, enquanto cristã, eu acredito num casamento como a Bíblia ensina”.

A Arena Margaret Court, o local onde se disputa o Open Austrália, foi renomeado em 2003, em homenagem à ex-tenista e campeã. Depois das declarações polémicas, a Tennis Australia disse que o nome do campo não seria alterado, apesar do pedido de vários nomes do desporto, como Martina Navratilova e Billie Jean King, vencedoras do Grand Slam. A Federação disse que se ia afastar da polémica, afirmando que a opinião pessoal de Court é um assunto à parte.

A tenista australiana Sam Stosur veio também a público apelar a que os jogadores se recusassem a jogar na arena no torneio do próximo ano, em protesto contra as declarações de Margaret Court. “As declarações dela são uma loucura. É obvio que a comunidade de ténis não partilha a opinião de Margaret e nós vamos agir de acordo com isso”.

Andy Murray, o número 1 do ranking ATP, disse na terça-feira que esperava que a questão ficasse resolvida antes do próximo Open Austrália.