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João Sousa : À procura dos pontos perdidos e dos "botões" certos

A temporada de João Sousa na relva segue sem vitórias, mas para trás não foi melhor. Falamos com uma especialista em Psicologia da Performance sobre competências, estratégias e, claro, botões.

FILIPA SILVA

Julian Finney

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João Sousa não está a fazer uma boa época. O melhor tenista português de todos os tempos segue numa série de derrotas consecutivas que já o fizeram dar um “trambolhão” na hierarquia do ATP.

O tenista, que já esteve no lote dos 30 melhores do mundo, caiu esta segunda-feira para a posição 62, um máximo negativo que não registava desde 2013.

Esta segunda-feira, em Wimbledon, o português somou a quarta derrota consecutiva à primeira ronda, desta feita diante do alemão Dustin Brown, numero 97 do ranking, isto depois de uma primeira parte do encontro em que esteve à beira do 2-0 em sets, e como tal de uma vitória na partida.

Caiu de rendimento, Brown subiu e Sousa perdeu, não sem antes se ter desentendido com o árbitro da partida.

Miguel Ramos, que acompanha o atleta há largos anos, diz à Tribuna Expresso que João Sousa “está bem” e “está confiante” para o jogo que tem para disputar esta quarta-feira, em Wimbledon, na vertente de pares.

“Ele está a trabalhar bem, confiante também no trabalho que está a fazer com toda a equipa, e tenho a certeza que rapidamente os resultados vão voltar a surgir”, declarou.

Nos últimos nove torneios em que participou, o vimaranense só venceu um jogo. O que se passa com João Sousa?

Ana Ramires nunca trabalhou com o tenista, mas de um aspeto está segura: “para ter chegado ao patamar a que chegou tem que ter, necessariamente, as competências mentais e psicológicas para competir ao mais alto nível”.

Olhando ao caso geral, e perante a necessidade de derrotar a adversidade, a especialista refere que “é muito importante saber quais são as estratégias que ajudam e as que não ajudam. Ter uma correta perceção da caixa de ferramentas, do perfil”, o que muitas vezes não acontece com atletas de alta competição.

Em suma, é fundamental saber onde estão os “botões”, como lhes chegar, quando carregar em cada situação.

Os grandes atletas, diz, “têm tudo automatizado, porque foi automatizado e integrado ao longo dos anos. Numa fase em que descarrilam, também não têm o controle sobre o processo, de forma clara e objetiva, que os faça regressar mais rapidamente ao padrão de excelência.”

“Aquilo que levou [João Sousa] ao sucesso e aquilo que o levou ao insucesso, é multifatorial. Quanto mais um atleta controla o seu processo de sucesso e de insucesso, sabe como se desregula e se torna ineficiênte e sabe como é que se regula e se torna eficiente, mais rapidamente ele consegue ter um desempenho positivo”.

Na sua opinião, os atletas de elite, portadores de características físicas e técnicas de excelência, “ao longo da sua vida nunca se detêm muito tempo a investigar outras ferramentas, que também têm, de excelência, e que normalmente atuam de forma involuntária e inconsciente”.

“Mas sabe qual é que é a parte gira?” E desta não escapa qualquer Messi ou Cristiano Ronaldo, diz. “É que eles têm margem de progressão. Só que desconhecem e, como quando olham para baixo veem os outros tão longe, também não sentem a necessidade. Porque qualquer pessoa fazendo um trabalho mais aprofundado nesta área fica a saber onde estão os botões para ficar ao melhor nível nas áreas que valoriza”.

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