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A barba e o cor de rosa não combinam com Federer

Há quanto tempo não via Roger Federer com a barba por fazer ou a adornar-se no court com uma t-shirt rosa? Talvez nunca. O suíço não parecia ele próprio e perdeu a final do Masters 1000 de Montreal contra Alexander Zverev, que o tem como ídolo e o igualou no número de torneios (cinco) conquistados este ano

Diogo Pombo

Minas Panagiotakis

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Acordar, esticar os músculos e os ossos com uma espreguiçadeira, caminhar até à casa de banho e, com base no que o espelho devolve, achar que a pilosidade facial não é motivo para trabalhos forçados. Não é costume Roger Federer ter uma manhã assim, despreocupado com a área acinzentada na cara, sem paciência para encostar uma lâmina à pele e aparecer imaculado no court. Não foi só mais um dia na vida do, provavelmente, humano com mais jeito de sempre para bater com a raquete numa bola.

O suíço que, todos os dias, antes de se ver ao espelho, acorda com 19 troféus de torneios do Grand Slam arrumados no quarto (vamos supor que assim é), resolveu apareceu com barba de três dias e com uma t-shirt cor de rosa na final do Masters 1000 de Montreal, no Canadá. Se o adorno pode ser mais culpa da Nike, que o veste e patrocina, a barba fugida à gilete terá sido uma escolha do suíço. E, com este novo aspeto, Federer perdeu (6-3, 6-4) contra Alexander Zverev.

O alemão, de 20 anos, cresceu a idolatrá-lo e a vê-lo impecavelmente barbeado e com a fita a prender o cabelo - e a jogar como um robô que não comete erros e bate na bola com a precisão de um cirurgião.

O contrário do que foi durante os 68 minutos em que Zverev o fez parecer lento, enferrujado e incapaz de responder aos brutos serviços e pancadas de direita do alemão, no fundo do court. Roger Federer perdeu bem. Agora, os tenistas estão empatados no confronto direto (2-2) e no número de títulos (cinco) conquistados em 2017.

Minas Panagiotakis

Um ano que pode ser muito especial para ele. Ou para outro monstro que, por sinal, também é amigo de uma barba rente à pele.

Porque, esta segunda-feira, arranca outro Masters 1000, em Cincinnati, nos EUA, onde Roger Federer ou Rafael Nadal podem alcançar a liderança do ranking ATP. Já se sabe que a anca de Andy Murray também não o deixará participar no torneio e o número um com menor quantidade de pontos acumulados, num ano, pode perder o trono durante esta semana.

Tudo depende do que o suíço e o espanhol façam. Nadal precisa de furar caminho com a esquerda em top-spin até às meias-finais para superar os 7.750 pontos do inglês - ficará com 7.825 - e Federer necessita de bater elegantemente na bola até se ver a levantar o título - para alcançar os 8.145 pontos e somar mais tempo às 302 semanas que já passou no topo do ténis.

O espanhol não tem o prazer de se sentar em tal posição desde julho de 2014. E a última vez que o príncipe suíço não é o, de facto, rei do ténis, já foi em outubro de 2012.

Talvez seja altura de Federer teimar a barba com uma lâmina, equipar-se com cores mais neutras e decidir, de uma vez por todas, se lhe apetece voltar a ser o melhor. "Agora preciso de ver como me vou sentir nos próximos dias. Vou viajar ainda esta noite para Cincinnati e dentro de alguns dias decido se jogo ou não", disse o suíço, após perder a final em Montreal.

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