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Longos dias têm três anos. Rafael Nadal volta a ser número um

Foi em Cincinnati que chegou pela primeira vez ao topo do ranking ATP e, nove anos depois, é ali que Rafa Nadal volta à condição de líder. Uma boa época do espanhol conjugada com uma onda de lesões dos adversários justificam o feito. Voltar ao topo, três anos depois da última vez, não é fácil, mas manter-se por lá será ainda mais difícil

FILIPA SILVA

Rafael Nadal já liderou o ranking ATP durante 141 semanas.

Matthew Stockman

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“Cincinnati traz-me boas memórias. Foi aqui que cheguei, pela primeira vez, a número 1 do mundo”. Estávamos em agosto de 2008 e Rafael Nadal tinha 22 anos. Nove anos passados, o maiorquino tem garantido que vai voltar a ser feliz na cidade do estado de Ohio.

Aconteça o que acontecer, Nadal será o novo número 1 do mundo na próxima segunda-feira. Mais de três anos depois de ter abandonado o posto, em julho de 2014.

Mas o Masters 1000 de Cincinnati está longe de se oferecer como um passeio para Nadal. Afinal, ao número 1 do mundo não basta sê-lo.

O tenista espanhol já se estreou no torneio esta madrugada e saiu do court com uma vitória clara sobre Richard Gasquet. Dois sets a zero, com 6-3 e 6-4 como parciais.

É certo que Nadal nunca perdeu um único set para o francês nos 15 jogos que ambos disputaram, mas ficou dado o sinal de que o primeiro cabeça de série de Cincinnati está nos Estados Unidos para dar continuidade à boa temporada que está a fazer este ano.

Agora, dadas as ausências de Roger Federer, Andy Murray e Novak Djokovic, entre outros, do torneio – todos por lesão – e da eliminação do jovem Alexander Zverev, Nadal já só tem um jogador do top 10 como possível adversário em Cincinnati: o austríaco Dominic Thiem. Para já, nos oitavos de final, quem Nadal vai encontrar é o compatriota Albert Ramos Viñolas.

A boa época de Rafa

Voltar aos 31 anos ao lugar cimeiro do ranking não é para todos. No caso de Nadal, o feito é o resultado de uma boa época combinada com o mau momento de alguns adversários. Especialmente Murray e Djokovic, a braços com lesões.

Mas, como o prórpio notou, nada que no passado também não lhe tenha pesado na fatura. “Desde a última vez em que estive à frente do ranking, aconteceram muitas coisas. Lesões, momentos muito difíceis, mas mantive a paixão e o amor por este desporto e foi isso que me deu a possibilidade de voltar ao topo", declarou numa entrevista à organização do Masters de Cincinnati.

Em 2017, Rafael Nadal conquistou o décimo - sim, décimo - torneio de Roland Garros, o Open de Madrid, o Masters 1000 de Montecarlo e o ATP 500 de Barcelona, além de ter chegado às finais do Open da Austrália, de Monterrey e do Masters 1000 de Miami. Em Wimbledon, caiu logo nos oitavos de final, mas só depois de um jogo épico de quase cinco horas com Gilles Muller.

Agora é certo que Rafa vai voltar ao lugar mais alto da classificação ATP e que só dependerá dele para se manter lá. Mas se em Cincinnati não há derrota que lhe estrague a festa, o mesmo não serve para o quarto e último Grand Slam da temporada, que arranca já a 28 de agosto. Vem aí o US Open e a liderança voltará a estar em causa. Falta saber se Federer recupera, tal como Murray. Djokovic, já o assumiu, não joga mais até ao final da temporada.