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Petra voltou a sorrir

Nove meses depois de ter ficado com a mão esquerda praticamente desfeita, a checa Petra Kvitova está nos quartos de final do Open dos EUA, onde vai defrontar Venus Williams

Alexandra Simões de Abreu

Matthew Stockman

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“Não vou voltar a jogar ténis”. A ideia, confessa, tirou-lhe o sorriso do rosto durante mais tempo do que queria. Petra teve (quase) tanto medo de olhar para mão depois da primeira das duas cirurgias a que foi sujeita, como no dia em que foi obrigada a defender-se dos ataques de um homem que entrou em sua casa, com uma faca, em dezembro último. Durante o assalto sofreu cortes em sete tendões da mão esquerda, a sua “mão direita”.

Mas depois de temer o pior, fez o mais importante, não desistiu.

Após meses de recuperação, a tenista checa, de 27 anos, bicampeã de Wimbledon, voltou finalmente à ribalta. Aconteceu esta semana, no Open dos EUA, no primeiro encontro com uma top 10, desde que regressou à competição. Petra surpreendeu com um bom serviço e pancadas fortes do fundo do court.

Garbiñe Muguruza, campeã em título de Wimbledon e 3ª no ranking mundial, começou por dominar o encontro ajudada pelos erros cometidos inicialmente por Kvitova, mas depois de salvar três break-points, a checa parece ter reencontrado o seu melhor nível e acabou por eliminar a espanhola por 7-6 (7/3), 6-3. “Sonhei regressar e voltar a jogar nos grandes palcos, frente a grandes jogadoras. Isso motivou-me durante a minha recuperação”, confessou Kvitova, visivelmente emocionada depois desta vitória.

Já tinha deixado o aviso ao conquistar o seu 20º título da carreira no WTA Premier de Birmingham, naquele que foi o segundo torneio disputado após o incidente. A seguir foi eliminada na segunda ronda de Roland Garros e de Wimbledon, mas a esquerdina que nasceu no dia da mulher (8 de março), não baixou os braços e continuou a luta pela recuperação total.

É verdade que não consegue fechar totalmente a mão esquerda e que de vez em quando ainda tem flashbacks do que lhe aconteceu, está confiante e “satisfeita por não ter de mudar nada tecnicamente, por não ter de alterar a raquete ou algo do género”. “Mas sei que a minha mão nunca vai ficar a 100%”, assume.

Chris Trotman

Petra Kvitova surgiu verdadeiramente para a elite do ténis em 2011, ano em que venceu Madrid e o seu primeiro Grand Slam, Wimbledon, onde derrotou, na final, Maria Sharapova. Fechou o ano com o triunfo no WTA Tour Championships. Com seis títulos conquistados em 2011, foi eleita a melhor jogadora do ano pela WTA.

Em 2014 voltou a conquistar Wimbledon e um ano depois, durante o mês de março, não disputou os torneios de Indian Wells e Miami, alegando cansaço. Cinco meses depois foi-lhe diagnosticada mononucleose. Ainda assim, a temporada não foi má, uma vez que foi campeã de três torneios WTA – incluindo o Premier Mandatory de Madrid, onde derrotou a nº1, Serena Williams -, e chegou pela primeira vez aos quartos de final do Open dos EUA.

Já 2016 foi um ano de grandes decisões e emoções. Após a passagem pelo Australian Open - perdeu na segunda ronda com Daria Gavrilova -, anunciou o fim da relação de trabalho com David Kotyza, técnico com quem estava há sete anos e passou a ser treinada por Jiri Vanek. Foi medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio e em dezembro sofre o dramático incidente.

Hoje, Petra Kvitova tem pela frente mais um teste de fogo, frente à norte-americana Venus Williams, nos quartos de final (17h, Eurosport). Nas seis vezes que se defrontaram, Petra venceu cinco, mas aconteça o que acontecer no Arthur Ashe Stadium, a checa não tem dúvidas: “Sinto que adoro mais o ténis agora do que antes, porque sei o que realmente significa para mim. E vou sorrir e ficar contente por ter voltado mesmo que perca”.

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