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Os momentos LOL de 2017: um gajo dá em maluco, João Sousa

Em tempos, o melhor tenista português de sempre era conhecido por, às vezes, perder a cabeça e barafustar em campo. Em Wimbledon viu-se um resquício desse velho João Sousa, quando começou a refilar, aos palavrões, contra o juiz de cadeira e a forma como a vida, no geral, lhe estava a correr no momento. Este é o terceiro dos momentos LOL de 2017 escolhidos pelos jornalistas da Tribuna Expresso

Diogo Pombo

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O ténis não é diferente de outras modalidades que colocam um indivíduo contra outro. Praticar desporto assim é tramado, porque o individual rima quase sempre com a solidão, a pressão, a concentração e a decisão. As coisas boas são tuas, mas os erros e as frustrações idem, e são elas que mais pesam quando a mente tem de fazer contas ao final do dia. E quando se distrai e começa a pensar em justiça, um conceito que existe, mas não pode existir, no desporto.

Perguntem a João Sousa e ele vos dirá o que é estar num court de ténis, em Wimbledon, o mais icónico e tradicional dos Grand Slams, e perder a cabeça para a emoção.O português jogava o terceiro set do seu encontro da primeira ronda contra Dustin Brown, um alemão com sangue e aparência jamaicanas, fiel animador do público inglês, que o adora pelas rastas, longas até ao rabo, e o estilo de jogo, frequente produtor de trick shots e voos para a relva. Apoiado por quem assistia à partida, ele foi entrando nos nervos de João Sousa, que parecia estar a controlar (venceu o primeiro set) até se tornar errático e deixar o adversário se superiorizar.

O português começou a multiplicar os erros que tiram um tenista do sério e escavam a proteção que qualquer um constrói para que estas coisas não o afetem.

Mas afetaram João Sousa.

"Este gajo é um anormal, desculpa lá. Este gajo não dá uma para a caixa, eu não meto uma resposta. É inacreditável, um gajo assim dá em maluco, dá em maluco."

O português perdeu essa proteção e foi perdendo a cabeça, disparando protestos adornados por palavrões, alternando-os com críticas ao juiz de cadeira - que, mesmo ouvindo-as em português, não gostou e lhe deu um warning - e desabafos de como o ténis, lá está, estava a ser injusto com ele.

“O ténis é tão injusto, ca*****. Tão injusto. É inacreditável. Este gajo não existe, ca*****. Este gajo não existe. There is no sense in you giving me a warning because of this. I just won the point.”

Ouvir e ver um tenista refilar para o ar, com palavrões a servirem quase como vírgulas, até pode ser engraçado e engatilhar o riso. Porque é.

Mas, no caso de João Sousa, foi uma breve amostra do que o tenista era, antes de ser o primeiro português a terminar cinco anos seguidos dentro do top-100 do ranking, por exemplo - alguém muito mais vulnerável ao que o ténis, como desporto individual, exigem da cabeça e da mentalidade de quem o pratica.

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