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Djokovic, o primeiro a ganhar mais de 100 milhões, quer mais dinheiro para os tenistas

Dizem que Novak Djokovic juntou os jogadores que estão a participar no Open da Austrália, pediu aos responsáveis do torneio para abandonarem a sala e deu a ideia de formarem um sindicato para reivindicarem um aumento dos prémios de jogo. Isto vindo do sérvio que se tornou no primeiro jogador na história a receber mais de cem milhões de dólares

Diogo Pombo

Clive Brunskill

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A temporada do ténis é das mais longas, árduas e cansativas do desporto. São 11 meses de viagens e aviões e hotéis de pouca dura, de janeiro a novembro, e há apenas um dia em que os jogadores são obrigados a comparecem a uma reunião. Acontece em Melbourne, antes do Open da Austrália arrancar, onde se juntam com os organizações do torneio e da ATP para, em suma, lançarem a época.

Aí, na sala de conferências de um qualquer hotel da segunda maior cidade do país dos cangurus, Novak Djokovic teve uma ideia.

No meio de cerca 150 jogadores, o sérvio levantou-se da cadeira, caminhou até ao palco e pediu para ter a palavra. Depois, amigavelmente, pediu a todos os não tenistas que saíssem. A essa classe pertenciam Chris Kermode, diretor executivo da ATP, ou Craig Tiley, o diretor do Grand Slam australiano, bem como uma série de outros dirigentes. Apenas ficaram na sala alguns intérpretes.

Esvaziado o espaço das pessoas indesejadas, Djokovic discursou sobre a possível criação de um sindicato de jogadores no circuito, uma entidade que os representasse. E que, sobretudo, agisse em prol de um aumento dos prémios de jogo, noticiou o “Daily Mail”. Porque o ténis, por muitos milhões e dinheiro que envolva, ainda é um jogo desigual, em que os 100 melhores tenistas do ranking prosperam enquanto quem vive fora desse top junta as migalhas em torneios Futures e Challengers.

As sugestões do sérvio, ao que parece, não caíram bem no goto de muitos tenistas.

PAUL CROCK

O que pode ser compreendido pelo facto de ele ser quem é: Djokovic foi o primeiro tenista da história a superar os 100 milhões de dólares em prémios de jogo, equivalentes a quase 81,5 milhões de euros. É muito dinheiro, ao qual se junta o que vem dos contratos de patrocínio e publicidade do homem que já passou 223 semanas como número um do mundo e tem 12 títulos do Grand Slam aconchegados em casa.

Mais ainda quando, minutos antes de falar nessa tal reunião, todos ficaram a saber da boca do diretor do Open da Austrália que, nos próximos cinco a seis anos, o torneio ia aumentar o valor total dos prémios de jogo em pouco mais de 64 milhões de euros (e, se quisermos ser picuinhas, ainda há o facto de Djokovic residir no Mónaco, onde o regime fiscal é simpática para quem muito aufere, como ele).

Sendo de presença obrigatória, as propostas do sérvio, atual 14º classificado do ranking e membro do Conselho de Jogadores do circuito, foram ouvidas por tipos como Roger Federer, Rafael Nadal, Andy Murray ou Stan Wawrinka. Até ao momento, muito poucos tenistas reagiram publicamente – nem a ATP o fez –, mas o The Guardian escreveu que Federer estará contra a ideia apresentada por Djokovic.

Kevin Anderson, um dos poucos a comentar a reunião, resumiu que se tratou "apenas de uma conversa" e "nada mais do que isso. O sul-africano é o atual vice-presidente do Conselho de Jogadores e foi um dos finalistas da última edição do US Open.

Novak Djokovic defendeu, em março de 2016, que tal faz sentido, quando argumentou que os prémios “deviam ser distribuídos justamente” tendo em conta “quem atrai mais atenção, mais espetadores e vende mais bilhetes”.