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Wawrinka já está fora do Open da Austrália porque assim é o Tennys

O suíço, vencedor do torneio em 2014, caiu logo na 2.ª ronda frente a um norte-americano de 26 anos que tem o nome do desporto que pratica

Lídia Paralta Gomes

PAUL CROCK/Getty

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É bem capaz de ser um dos clichés mais usados no desporto. Porque é vago e deixa a porta aberta a discussões mais ou menos filosóficas na altura da derrota, altura essa em ninguém gosta muito de dar explicações.

Quantas vezes não vimos um futebolista explicar-se depois de um resultado surpreendente com um “o futebol é assim”?

Desta vez não foi no futebol, mas sim no ténis. Apesar de estar agora a regressar à competição após uma longa paragem devido a uma lesão no joelho, ninguém estaria à espera que Stan Wawrinka, 8.º do mundo, fosse eliminado logo na 2.ª ronda do Open da Austrália, torneio que venceu em 2014.

Mas assim é o Tennys.

O Tennys, sim. Desta vez não há cá questões vagas sobre a inevitabilidade do papel do acaso num court de ténis: estamos mesmo a falar de Tennys Sandgren.

Tennys Sandgren é o tenista norte-americano que bateu o suíço no primeiro torneio do Grand Slam do ano, em apenas três sets, com parciais de 6-2, 6-1 e 6-4. Tudo despachadinho em menos de hora e meia. Sandgren é apenas o número 97 do ranking e até esta semana nunca tinha passado qualquer ronda num dos quatro principais torneios do calendário.

Nascido há 26 anos, Tennys tem feito quase toda a carreira em torneios da categoria Future ou Challenge no seu país ou no Canadá. Até há bem pouco tempo envergava bigode à Hulk Hogan e cabelo longo. Parecia mais um cantor de country do que exatamente um tenista.

Tennys Sandgren apresentou-se na Austrália já sem o bigode e cabelo longo que era imagem de marca

Tennys Sandgren apresentou-se na Austrália já sem o bigode e cabelo longo que era imagem de marca

PAUL CROCK/Getty

Agora vem a parte que ninguém estava à espera: o nome Tennys nada tem a ver com ténis, o desporto. É o nome do avô de Sandgren, que tinha origem sueca. Os pais, disse em agosto ao “The Washington Post”, “acharam piada ao nome” e assim ficou. Ao contrário do que muita gente chegou a pensar, o nome também não foi inspirado no estado norte-americano onde nasceu, o Tennessee. É, na verdade, uma grande e engraçada coincidência.

Piadas sobre o nome, essas, são constantes, mas nenhuma delas boa. “Mas que raio é que me vão chamar, bola de Tennys?”, disse também ao diário da capital norte-americana.

De facto, não é uma boa piada. Aliás, Tennys faz piadas bem melhores no seu Twitter.

Quanto à pressão que o nome acarreta, Tennys diz que há alguma, apesar de não parecer excessivamente preocupado com o facto de nunca ter sido melhor que 85.º no ranking ATP. “Sinto que pelo menos tenho de jogar de forma decente. Tenho de ser bom, não dá para ser mau. Tenho de pelo menos não ser terrível, é esse o objetivo”.

Não só não é terrível, como acabou de derrotar um antigo top 3 mundial. Sandgren vai agora enfrentar outro jogador que chega à 3.ª ronda apesar de figurar para lá do Top 90: o alemão Maximilian Marterer, que na 2.ª ronda bateu o espanhol Fernando Verdasco.