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Kyle Edmund: quem é afinal a grande esperança britânica

Depois de bater Dimitrov nos quartos de final do Open da Austrália, os britânicos encontraram um substituto para Andy Murray neste jovem de 23 anos

Cátia Leitão

Scott Barbour

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Kyle Edmund tem 23 anos e é o número 49 da lista da ATP. E também é a grande esperança britânica a partir do momento em que Andy Murray anda num vai, não vai com dores na anca.

Porquê? Porque Kyle bateu esta terça-feira Grigor Dimitrov, nº3 mundial; precisou de quatro sets para vencer o búlgaro por 6-4, 3-6, 6-3 e 6-4 nos quartos de final do Open da Austrália. Kyle está, assim, na meia-final do Open da Austrália, onde vai encontrar o croata Marin Cilic (que ultrapassou o lesionado Rafa Nadal). É a primeira vez na sua carreira que chega tão longe num torneio Grand Slam.

Recapitulando: Kyle é novo, tem um ranking modesto, é britânico e está a viver o melhor momento da carreira. Mas quem é, afinal, Kyle Edmund? E de onde apareceu?

Bom, Edmund nasceu em Joanesburgo, na África do Sul, mas mudou-se para East Yorkshire, em Inglaterra, com apenas 3 anos, juntamente com os pais e com a irmã, Kelly.

Gosta de música e de jogar golfe, mas também adora Fórmula 1 e todos os tipos de desportos de carros. Se não fosse tenista, seria jogador de críquete ou condutor de fórmula 1.

Pegou na primeira raquete aos 10 anos de idade depois de a mãe Denise o inscrever num clube local onde a irmã tinha aulas de natação. Kyle era uma criança cheia de energia e a mãe viu ali uma oportunidade de o manter ocupado. O filho revia-se em Marat Safin, o russo enfant térrible que um dia ocupou o lugar n.º1 do planeta.

Treinava uma hora por semana aos domingos de manhã e embora a natação e críquete fossem os seus desportos de eleição, decidiu dar uma hipótese ao ténis e rapidamente foi possível perceber que ali estava uma grande promessa na modalidade.

Quando o seu talento começou a dar nas vistas, Kyle viu-se obrigado a sair de casa dos pais, com apenas 14 anos, para integrar uma academia especializada em ténis, em Bisham Abbey, em Buckinghamshire.

Edmund teve então de deixar para trás a comodidade e o conforto da casa dos pais para se dedicar a 100% à carreira de tenista. Durante este percurso, os pais de Edmund apoiaram-no sempre e tiveram mesmo de apostar muito dinheiro na formação do filho, que apenas os conseguia visitar aos fins-de-semana.

Três anos depois, começou a treinar no Lawn Tennis Association's National Training Centre, as instalações onde treinam os atletas de alto rendimento, em Roehampton, no sudoeste de Londres. A partir desta etapa, a Lawn Tennis Association (LTA) responsabilizou-se pelos custos de treino de Kyle. A família respirou de alívio. E a carreira dele explodiu.

No ano de 2012, Kyle ganhou o primeiro título de um Grand Slam, em juniores, quando fez parceria com o tenista português Frederico Silva. Juntos derrotaram a dupla australiana de Nick Kyrgios e Jordan Thompson por 5-7, 6-4 e 10-6 e venceram assim o título de pares do US Open desse ano. No ano seguinte, voltou a juntar-se a Frederico para derrotar a dupla de Christian Garín e Nicolás Jarry em Roland Garros, o segundo título de Kyle num Grand Slam.

GREG WOOD

Em 2015, estreou-se na final da Copa Davis, sendo apenas o sexto jogador na história do torneio a estrear-se numa final desta competição de nações. Kyle perdeu contra o belga David Goffin, mas a Grã-Bretanha acabou mesmo por vencer a ‘saladeira’ pela primeira vez desde 1936. Além de Edmund, a equipa incluía James Ward, Dominic Inglot, Andy Murray e o irmão deste, Jamie Murray. Um ano depois, tornou-se um dos únicos três jogadores de ténis com menos de 21 anos a entrar para o top 40.

E, quando há duas semanas Andy Murray anunciou que não iria participar no Open da Austrália, nem em qualquer outro torneio nos próximos meses devido a uma operação à anca, ou seja, quando os britânicos estavam quase a perder a esperança na competição, Kyle Edmund deu-lhes uma razão para festejar. Será o jovem destemido de 23 anos capaz de derrotar Cilic?