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“O conto de fadas continua para nós, para mim”. Para ele, Roger Federer, que chegou aos 20 torneios do Grand Slam

Tenista suíço é campeão do Open da Austrália depois de vencer o croata Marin Cilic em cinco difíceis sets, com parciais de 6-2, 6-7(5), 6-3, 3-6 e 6-1. São 20 títulos em torneios do Grand Slam, seis títulos no Open da Austrália, alguns decilitros de lágrimas e uma paixão pelo ténis que não esmorece, só está mais forte

Lídia Paralta Gomes

Graham Denholm/Getty

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Quando Rod Laver, do alto dos 79 anos, Rod Laver, o homem que fez duas vezes na carreira o Grand Slam, Rod Laver, 'o' Rod Laver, saca do seu telemóvel e desata, de forma mais ou menos atabalhoada, a tirar-te fotos, a ti e ao teu troféu, é porque estás a fazer algo bem.

Uma lenda a tirar fotos a outra lenda: é preciso maior confirmação que esta?

É verdade que não foi a sua melhor final, não foi a sua maior demonstração de poder, mas Roger Federer chegou ao mais redondo número alguma vez alcançado por um tenista masculino. Vinte-títulos-vinte. Duas vezes todos os dedos das mãos de títulos em torneios do Grand Slam, depois de bater este domingo na final do Open da Austrália Marin Cilic em cinco difíceis sets, com parciais de 6-2, 6-7(5), 6-3, 3-6 e 6-1.

Para lá de cimentar a liderança na tabela de homens que mais torneios de Grand Slam venceram - Rafael Nadal está agora a quatro de distância - o suíço de 36 anos entrou no restrito lote de atletas com 20 ou mais majors, onde já estavam Steffi Graf (22), Serena Williams (23) e Margaret Court (24).

É o sexto título para Federer em Melbourne Park, o segundo seguido desde esta espécie de renascimento e que não parece afrouxar: o suíço tornou o lado errado nos 30 no mais certo de todos, mesmo que a final deste domingo não nos tenha oferecido o melhor Federer.

O helvético entrou forte, venceu facilmente o 1.º set, mas a partir daí não só Cilic subiu o nível como o jogo de Federer se tornou mais flutuante, nervoso - sim, o homem ainda fica nervoso.

Um campeão também chora, pois claro

Um campeão também chora, pois claro

Michael Dodge/Getty

A final, apesar dos cinco sets, foi de qualidade só assim-assim, com altos e baixos dos dois jogadores, às vezes até no mesmo set. Federer só voltou a encontrar o controlo completo no derradeiro parcial, talvez no momento em que percebeu que não queria deixar parar este regresso em versão conto de fadas.

"Quando jogas à tarde, acordas, jogas e fica feito. Mas quando o encontro é à noite ficas a pensar nele o dia todo", disse Roger Federer, from Switzerland but loved all over the world, como anunciou o anfitrião da cerimónia de prémios.

O homem também se enerva e embora não pareça, muito vezes é humano. Como quando chora compulsivamente depois de fazer o que já fez em outras 19 ocasiões: levantar um troféu de um torneio do Grand Slam.

Foi assim que o humano Roger Federer falou e disse. "O conto de fadas continua para nós, para mim". E desatou a chorar. Tal como quando agradeceu aos adeptos do ténis, all over the world.

"Vocês continuam a deixar-me nervoso, vocês fazem com que eu vá para o court e continue a treinar". Parece-me que isto é das coisas mais bonitas que alguém que já ganhou tudo o que havia para ganhar disse aos seus admiradores.

Apesar de não se ter despedido com o habitual "vejo-vos para o ano", não será de esperar que, nesta forma, com esta superioridade, Roger Federer esteja a pensar não voltar a Melbourne para um sétimo título. Um sétimo título que o colocaria sozinho na lista dos maiores vencedores do Open da Austrália. Tem agora seis, tal como Roy Emerson e Novak Djokovic.

Porque Federer continua nervoso, continua a treinar, continua com uma fome de títulos como se ainda estivéssemos em 2004, as cores predominantes do Open da Austrália fossem o verde e o preto e o suíço envergasse um rabo de cavalo genérico.

Como se fosse o primeiro, lá está.

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