Tribuna Expresso

Perfil

Ténis

O corpo, o maldito corpo de Nadal outra vez

Desta vez foi o músculo iliopsoas, algures na sua coxa direita, a obrigar Rafael Nadal a parar uma vez mais. O tenista espanhol não vai jogar os Masters 1000 de Indian Wells e Miami, voltou a ser traído pelo corpo e abre a porta para Roger Federer poder garantir pontos suficientes para ser número um do mundo até à temporada de relva

Diogo Pombo

Hector Vivas

Partilhar

Já foi no cotovelo, já apareceu no pé esquerdo, já sentiu no ombro e, claro, já foi em ambos os joelhos. Escrevemos sobre lesões e maleitas que afetam estes cruzamentos do corpo humano e, portanto, já saberá que vamos escrever sobre Rafael Nadal, o titulado e espetacular tenista que, uma vez mais, é traído pela forma como sempre se comportou dentro de um campo ténis. Forte, explosivo, intenso e pujante como é, o espanhol foi exemplificando como tudo na vida tem o seu contrário.

E o dele parte de uma frase : "A mente comanda o corpo".

Porque Nadal, por mais que tente, renasça, retorne ao trono do ténis e reclame mais hegemonia na terra batida, acaba sempre por ser traído pelo próprio corpo. Já o parou em muitos tendões e ligamentos e, desta vez, foi algures na coxa da perna direita, onde está o músculo iliopsoas que o obrigou a retirar-se do torneio de Acapulco, no México, já o tinha chateado em Melbourne, na Austrália, em janeiro, e agora fê-lo abdicar de Indian Wells e Miami.

O dono de 16 títulos do Grand Slam não estará nos dois torneios da categoria Masters 1000, a que chamou "a perna americana de março" da temporada do ténis. "Confirmaram-se os meus piores presságios e a lesão que sofri em Acapulco, antes de começar o torneio, é na mesma zona que [senti] em Melbourne", confirmou, por escrito, no Facebook.

O tenista espanhol revelou que o objetivo é tratar-se e recuperar "para estar no ponto quando começar a temporada de terra batida". Ou seja, Rafael Nadal estará a apontar para 16 de abril, data de arranque do Masters de Monte Carlo que abre alas para a fase laranja da época. É a partir daí que o circuito se centra nos campos cobertos por pó de tijolo, onde Nadal é rei (dez títulos em Roland Garros) e senhor (tem uma percentagem de vitória superior a 90%).

A reincidência desta sina de Nadal com lesões é quase a repetição de uma bonança para Roger Federer. O mês passado, o suíço regressou à liderança do ranking mundial, em Roterdão, após mais de cinco anos longe do trono e caso some, pelo menos, 711 pontos entre Indian Wells e Miami, garante que ninguém ficará como número um até ao início da temporada de relva, lá para maio.

E isto pode querer dizer outra repetição: o ano passado, Federer optou por ficar a descansar durante as semanas de terra batida para curar o corpo e poupar-se para a relva, onde acabaria por vencer em Wimbledon. Porque, com estas idades, Nadal (31 anos) e Federer (36) sabem que é o corpo a comandar quase tudo.

  • O lado direito (ou torto?) de Nadal

    Ténis

    O tenista espanhol não tem partilhado um histórico muito feliz com o joelho direito, que o fez desistir várias vezes, mas garante que vai regressar no final do mês e já pensa em... Roland Garros

  • O joelho é quem mais ordena dentro de ti, ó Nadal

    Ténis

    Ele tentou, insistiu e coxeou, mas nada feito e a temporada, agora sim, acabou, porque o joelho, que é o seu pior inimigo, ordenou Rafael Nadal a desistir. O espanhol retirou-se do ATP Finals (é a sexta vez que uma lesão o retira de Londres), o torneio que junta os oito melhor tenistas do ano, pois "faz pouco sentido" jogar "se não tiver hipóteses de ganhar"