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Então até daqui a três meses, Roger

Há 15 anos que um número um do mundo não era derrotado por um tenista com um ranking tão baixo. Talvez este facto tenha pesado quando Roger Federer decidiu saltar, outra vez, a época de terra batida. O suíço deixará de ser o líder dos tenistas a 2 de abril e só voltará a jogar a 11 de junho, na relva que tanto adora

Diogo Pombo

Al Bello

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Acho que posso escrever por qualquer fã de ténis, e afirmar, que Roger Federer decidiu o que todos temíamos: não vai jogar um jogo em terra batida este ano, tal como não jogara uma única vez sobre o pó de tijolo em 2017.

A opção não é, propriamente, inesperada, como um volley alto de esquerda, em suspensão e rotação, como já o vimos fazer quando entra em modo-Deus. O ano passado, Federer quis poupar os joelhos e o resto do corpo, e nem pareceu muito preocupado em fazê-lo, abdicando de disputar qualquer jogo em terra batida.

Parou e, quando voltou, ganhou Wimbledon pela oitava vez, aos 35 anos. Como se a relva fosse o ingrediente que usa na sua mistura de elixir do rejuvenescimento.

Talvez Federer, hoje com 36, já esteja a pensar em replicar esse plano, porque apenas voltará a jogar a 11 de junho. Será daqui a quase três meses, em Estugarda, onde terá, de novo, um tapete de relva debaixo dos pés e um jogo rápido, acelerado e com menos trocas de bola - o contrário do estilo mais moroso, desgastante e rotativo que a terra batida implica.

O suíço anunciou a decisão no sábado, pouco depois de perder na segunda ronda do Masters de Miami, contra Thanasi Kokkinakis, 175º tenista da classificação. Há 15 anos que um número um do mundo não perdia contra alguém tão distante dele na hierarquia do ténis (desde que Francisco Clavet bateu Lleyton Hewitt em 2003, também em Miami). "Decidi não jogar a época de terra batida. Estou a tentar perceber algumas coisas, agora vou ter tempo", disse, sem se alongar por aí além.

Al Bello

Há quatro anos que Federer não perdia dois jogos seguidos - já fora derrotado por Juan Martin Del Potro na final de Indian Wells, resultado que o obrigava a chegar, pelo menos, aos quartos-de-final em Miami, para impedir o que vai acontecer daqui a uma semana.

A 2 de abril, a liderança do ranking voltará para o top-spin veloz de Rafael Nadal, mesmo sem que o espanhol (lesionado) tenha pegado numa raquete durante este par de torneios americanos do Masters 1000. Mas, no final desse mês, pode voltar a ser de Federer, também sem que o suíço seja visto a jogar ténis: a lógica do ranking ATP funciona por defesa de pontos que tenham sido conquistados na época anterior e o espanhol tem centenas deles por resguardar na terra batida, enquanto Federer não.

Contas feitas, Nadal tem de ganhar em Monte Carlos se não quiser ver o velho rival, que hoje em dia é mais um velho amigo, a retomar o trono.

Certo é que Roger Federer não vai estar equipado, com a fita na cabeça e a distribuir esquerdas a uma mão com a classe que é só dele, enquanto os ténis vão ficando tingidos com o laranja do pó de tijolo.

O rei dos Grand Slams (são 20, se for preciso reavivar a memória) não vai estar na superfície e no torneio, Roland Garros, que toda a gente quer ganhar e ele só ganhou uma vez (em 2009). Não, pelo segundo ano consecutivo, Federer diz um até já a todos nós. Então até aqui a três meses, Roger.

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