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Um Azar do Kralj

Salvio e Guedes: voltem, estão perdoados (considerações de Um Azar do Kralj)

Um Azar do Kralj chegou a pensar que “Lisandro e colegas chegaram a fazer os adeptos sonhar – com uma reedição de Vigo”

Um Azar do Kralj

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CARLO HERMANN

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Júlio César

É um dos mistérios do futebol moderno. Semana após semana, milhões de benfiquistas regressam a “A Arte da Guerra para Treinadores”, best-seller do New York Times, perdão, da Dica da Semana, e vasculham as entrelinhas do Sun Tzu de Alverca do Ribatejo, numa tentativa de compreender o que leva Rui Vitória a mudar de guarda-redes em todos os jogos. Será esse o legado que o mister pretende deixar? Já imaginamos um aprendiz da modalidade na FMH, a apresentar a sua tese de doutoramento: “Alternância de guarda-redes como factor de sucesso do bloco basculante”. Bom, esta experiência intrigante é capaz de ter ficado por aqui. Júlio César conseguiu a proeza de sofrer 3 golos em 7 minutos - 2 deles com responsabilidades - e provocar mais alguns calafrios, um feito só ao alcance de um bom guarda-redes num dia espectacularmente mau. Éderson, podes ir aquecer. Tu não, Paulo Lopes. Calma.

Nélson Semedo

Entrou bem no jogo, com um cruzamento perigoso para a pequena área, que quase dava golo de Mitroglou. Foi perdendo fulgor na missão ofensiva e desunhou-se para controlar o ímpeto do adversário junto à área benfiquista. Por duas vezes na primeira parte ultrapassou um adversário e voltou para trás. É melhor assim. Baby steps, Nélson. A segunda parte mostrou, aqui e ali, um nível de entendimento com os centrais análogo ao do encontro entre um ocidental e uma tribo indígena na Amazónia. Felizmente, aquele observador do Inter de Milão discorda.

Lindelöf

Não se lhe reconhecem talentos de análise preditiva, mas, sabendo que o calmeirão sueco apanhou dois cagaços, respectivamente, aos 10 e aos 38 segundos de jogo, é crível que tenha pensado “ui, tamos lixados”. Os 19 minutos seguintes fizeram-no questionar a sua intuição, a dele e a dos colegas, entusiasmados perante um conjunto de circunstâncias ilusórias que permitiram realizar mais do que três passes na direcção da baliza adversária. A partir daí, Lindelof não mais confiou na intuição, mas nem por isso jogou muito melhor, desenhando coreografias com colegas mais próximos da lateral, só ao incrível de baratas tontas numa prova de natação sincronizada.

Lisandro

Eu tinha aqui um apontamento escrito algures na primeira parte, que dizia “mais eficaz nas saídas com bola”, para descrever meia dúzia de minutos do Lisandro. Prosseguir essa linha de raciocínio seria um pouco como reagir ao terramoto de 1755 dizendo: "Olha, ao menos está sol". Que mais se pode dizer? Que Lisandro e colegas chegaram a fazer os adeptos sonhar - com uma reedição de Vigo.

Grimaldo

Eu prometi a mim mesmo que só diria mal do Grimaldo hoje se ele assassinasse alguém. Não sendo esse o caso, podemos dizer que esteve longe de ser dos piores e fez, algures na primeira parte, não me obriguem a ir ver, o melhor corte que verão em qualquer competição oficial este ano. Foi sendo lentamente engolido pelas circunstâncias e pareceu quase sempre incomodado com o rumo dos acontecimentos. Esperemos que não mate ninguém.

André Almeida

André Almeida é o ministro Vieira da Silva deste plantel. Capaz de ocupar várias posições, sempre disponível para o combate, competente e abnegado na maioria das tarefas realizadas, intelectualmente honesto no despique, e capaz até de gerar simpatia nos adversários (caso contrário seria Augusto Santos Silva). Regressou ao relvado e à titularidade, mas não exactamente na posição em que mais gostámos de o ver no passado. Fez pela vida, mas não conseguiu evitar meia dúzia de lances em que parecia um espectador da Volta a Portugal a ver os napolitanos passarem. Terminou com o nariz intacto.

Fejsa

Cerca de 71% da superfície terrestre é coberta por água. O resto não só não foi coberto pelo Fejsa, como é a terceira vez nos últimos três jogos que nos ameaça estragar um dos melhores ditados da história da internet portuguesa. Chegaram a ver isso? Era um mapa-mundo com a cara dele sobreposta. Uma coisa maravilhosa. Isto hoje é que não teve graça nenhuma. Cabe na cabeça de alguém que um sérvio com dois metros de altura e ar de criminoso se deixe surpreender por um eslovaco com uma crista? É que nem de uma naifa sacou. Vê lá se atinas, Ljubomir.

Pizzi

Quem é que já teve um aquário com um Betta? É uma espécie piscícola conhecida pelas suas múltiplas personalidades. Nunca sabemos bem o que nos vai sair na rifa com um betta. É uma emoção. Há para todos os gostos: os muito extrovertidos, os idiotas, os pouco dados à sua envolvente, os que se entendem lindamente com outros peixes, e os que vão pelo cano abaixo enquanto lavamos o aquário. Raio de espécie piscícola.

André Horta

Os requisitos de um centro-campista que visita o San Paolo são fáceis de enumerar: pressão defensiva, agressividade nos confrontos individuais, pragmatismo a circular o jogo, capacidade de progredir no terreno, se possível com um objecto esférico próximo do pé, e muita qualidade na posse de bola. Face a todos estes requisitos, André Horta conseguiu não vestir o equipamento virado do avesso. Foi uma espécie de carrinho de rolamentos nas 24 horas de Le Mans.

Carrillo

Foi um dos responsáveis pelo “até estamos a jogar bem” que povoou a cabeça dos benquistas durante os primeiros 20 minutos de jogo. A partir daí, teve dificuldade em reaparecer no jogo, mas fez tudo para não cair no esquecimento, designadamente através de passes falhados, lances excessivamente individualistas e um ligeiro desdém com que efectua passes a 20 metros ou mais de distância, numa aplicação da parte inteiro do pé direito que parece dizer “agora corre, cabrão”. Merecia uma oportunidade a titular e aproveitou-a com a infelicidade de um espectáculo de comédia num velório.

Mitroglou

Fez tudo o que podia para cumprir a única indicação táctica recebida de Rui Vitória para o jogo de hoje: não sei, desenmerda-te.

Gonçalo Guedes

It's like rain on your wedding day / It's a free ride when you've already paid / It's the good advice that you just didn't take / Who would've thought... it figures

Salvio

Calou o San Paolo, calou o Twitter, calou o Estádio da Luz, calou-vos a todos e só não nos calou a nós: volta Salvio, estás perdoado. O argentino substituiu André Horta e entrou com aquela genica-a-Prozac que tantos erros bem intencionados tem provocado esta temporada. Cedo se tornaria alvo de uma emboscada levada a cabo pelos colegas de meio-campo, que se divertiam a colocar a bola 30 metros à frente do seu pé direito. Já vimos praxes mais dignas. Vingar-se-ia com o pé esquerdo aos 86 minutos, num belíssimo golo a fazer lembrar o velho Toto. Esperamos que o observador do Inter de Milão ainda estivesse no estádio.

Zé Gomes

Coitado do puto.