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Um Azar do Kralj

O coque masculino, a joie de vivre do Grimaldo e o gesto técnico do Luís Aurélio (e outras palavras catitas do Azar do Kralj)

Vasco Mendonça e Nuno Dias viram o jogo desta tarde e recolheram as melhores (e as piores) impressões da goleada encarnada. É ler

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

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Ederson

Sem muito mais que o ocupasse no regresso à titularidade, passou a primeira parte entretido a tentar marcar um golo de baliza à baliza. Os seus pontapés deixariam um rasto de destruição, tendo atingido o drone de um jovem sportinguista que já estava a ter um dia mau, e uma marquise em Telheiras. Rui Vitória surpreendeu ao iniciar a segunda parte com o mesmo guarda-redes, e Ederson não desperdiçou a oportunidade. Aos 60 minutos, anulou um contra-ataque do Feirense a chegar primeiro não a uma, mas a duas bolas que se encontravam em campo. Como se isto não bastasse, ainda fez a defesa da tarde aos 85 minutos. Esperemos que Rui Vitória resista à tentação de o substituir.

Nélson Semedo

Há uns dias apareceu na internet um daqueles vídeos que nos fazem chorar com a felicidade dos outros. Rafa Nadal, prestes a servir, percebe que uma mãe presente nas bancadas perdeu a sua filha de vista. A mãe chora, grita, não percebe como pode ter perdido de vista a sua filha. Os segundos passam, parecem minutos, horas, semanas, até que a menina é avistada e abraçada pela mãe. O público aplaude, o espectador lá em casa chora, Rafa Nadal pede bolas novas. Foi um pouco isso que sentimos com o regresso de Nélson Semedo às grandes exibições. Nunca mais fujas dos pais, meu menino.

Lindelöf

Ouviu com muita atenção tudo o que Luisão lhe disse ao longo de 90 minutos e acenou com a cabeça, mesmo quando não percebeu nada. De vez em quando arranca para o ataque com vontade de mudar o mundo, mas as leis da física e algum azar têm-no impedido de ser feliz. Um passe curto para Grimaldo aos 51 minutos devolveu a bola ao Feirense e a coisa quase terminava em golo deles, num lance em que foi muito mais Victor do que Lindelof.

Luisão

O capitão regressou à titularidade e os colegas foram uns bacanos, já que passaram grande parte do jogo a tentar oferecer-lhe um golo, o tipo de brincadeira que talvez fosse melhor guardar para a última jornada - ou para o Zé Gomes. Luisão fez uns excelentes 90 minutos e entendeu-se muito bem com Lindelöf, sinal de que afinal aquele curso de inglês que fez há uns meses não tinha nada a ver com o Wolverhampton.

Grimaldo

Um pai babado diz à BTV que valeu a pena trazer o filho à bola. No longo regresso a casa, partilhará com ele um conjunto de lições que nos deviam fazer, a todos, querer ser um pouco mais Grimaldo. Sim, à sétima jornada já é adjectivo. Ser Grimaldo é a joie de vivre no desempenho das mais elementares tarefas; é concentração em qualquer terço do terreno ou da vida; é a mais abnegada das éticas de trabalho. É ser-se capaz de ultrapassar as adversidades, mesmo quando jogam na nossa equipa (sim, Carrillo). É ser mais alto, é ser maior, ainda que metaforicamente. E acima de tudo dizê-lo, cantando, a toda a gente. REPITAM COMIGO.

Ljubomir Fejsa

1. Para fazer um man bun (ou coque masculino) deverá ter o cabelo limpo e um sentido posicional extremamente apurado. Isso evitará aquela imagem de cabelo seboso e fragilidade defensiva que associa a alguns coques já vistos anteriormente.
2. Aplique um produto para dar brilho e fixação. Aproveite para fazer a dobra aos laterais.
3. Penteie o cabelo para trás, faça um rabo de cavalo e enrole-o até estar sensivelmente ao nível da nuca. Ganhe a segunda bola e mantenha metade do cabelo solto, o que transmitirá uma aparência descontraída, mesmo em momentos de pressão alta.
4. Repetir as instruções ao longo de 90 minutos. No final, o seu coque masculino estará pronto a mostrar ao mundo. Continue a agir normalmente, como se não fosse o maior.

Luis Aurélio

Começou a partida muito ausente das manobras ofensivas, mas acabou por aparecer num momento-chave com um excelente gesto técnico que deu tranquilidade à equipa. Merece mais minutos em campo.

André Carrillo

As suas intervenções no jogo dividem-se em quatro categorias:
a) “eh pá, tenham calma, veio a custo zero e está sem ritmo, vão ver daqui a umas semanas!"
b) “é a terceira vez que ele tenta esta jogada, até um cego já sabe para onde a bola vai"
c) “#$&-se, até o Carcela jogava melhor"
d) “PELO AMOR DE DEUS, TIREM-ME ESTE GAJO DO CAMPO"

Toto Salvio

Esteve nos lances mais ridiculamente mal pensados, nos mais bem desenhados, e nos golos quase todos. E quando assim é, um gajo tem mais é que guardar as críticas para si, vulgo ficar caladinho. Salvio não foi muito feliz durante a primeira parte, mas isso agora pouco interessa. Aproveitou a segunda parte para se redimir, e de que maneira, protagonizando com Nelson Semedo uma ofensiva terrestre que destruiu o pouco que restava do autocarro estacionado pelo Feirense durante a primeira parte. Melhor em campo. É uma montanha russa fabricada na Argentina, país pouco reconhecido pela sua engenharia, mas antes isso que, por exemplo, um carrossel fabricado no Peru.

Pizzi

Os cães ladram e a caravana pissi. Mais uma boa exibição de alguém que lida confortavelmente com o pior dos seres humanos e nos tem habituado, jornada sim jornada não, a boas exibições. Esperem lá: será que isto é mais uma daquelas ideias malucas do Rui Vitória?

Kostas Mitroglou

É do conhecimento popular que os gregos não gostam de viver à mercê do acaso, e Mitroglou cedo percebeu que o destino do jogo seria ditado não pelo seu desempenho, mas pelo bater de asas de uma borboleta em Tóquio, que pouco depois faria um adversário fisicamente apto colocar a bola na própria baliza. Atordoado, o grego ainda tentou oferecer os seus préstimos, mas depois do golo de Salvio percebeu que, às vezes, mais vale deixar a realidade operar à sua maneira.

Gonçalo Guedes

Desisto. Gonçalo Guedes é cada vez mais o André Almeida do ataque benfiquista. Exibe níveis de mediania absolutamente essenciais à equipa, por vezes tem a intensidade de uma aula de crossfit em que jamais quisemos participar, e um dia destes vamos ter saudades dele.

Cervi

Depois de um autogolo e de um corte na direcção da baliza, nada melhor do que um cabeceamento de um anão para confirmar a vitória do Benfica. É inaceitável que o impeçam de usar o nome Chucky na camisola.

Zé Gomes

20 minutos em campo e algumas queimaduras de 1º grau causadas pelo contacto com a bola. Nada que um creme gordo e mais alguns treinos com a equipa sénior não resolvam. É um miúdo e hoje acusou a pressão causada pelos quase 60 mil adeptos presentes na Luz, ansiosos por ver um golo seu e o nascimento de um novo ídolo. Se é isso que querem, não o enervem.
Porra, pá. Sempre a mesma coisa.

Zivkovic

Pouco tempo em campo, uma ou duas intervenções ao nível de um flop que é craque no Football Manager. Por enquanto continua a ser mais interessante acompanhá-lo no Instagram do que no relvado.

Stefan Schwarz

Nota final para um dos poucos indivíduos suecos por quem temos carinho:
Os comentários de Stefan Schwarz são uma das melhores campanhas de marketing na história recente do futebol português. E os resultados estão à vista: milhares de adeptos fugiram do sofá, assim como dos comentários ininteligíveis de Schwarz, e esgotaram a Luz. É ISTO MESMO. JUNTOS!