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Um Azar do Kralj

Uma estrelinha? Não, uma constelação de tetracampeão (a análise de Um Azar do Kralj)

Depois do clássico, Um Azar do Kralj devia passar a Uma Sorte do Kralj, tal como a A1 poderia passar a “ASamaris”

VASCO MENDONÇA E NUNO DIAS, UM AZAR DO KRALJ

Lisandro foi decisivo para o Benfica no Dragão

Getty

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Ederson

O estômago de Ederson não reagiu bem ao primeiro clássico no Dragão, que aos 14 minutos já vomitava em pleno relvado. Foi uma figura central do jogo, em especial na primeira hora de jogo, com o Benfica a apresentar-se num novo esquema táctico totalmente dependente de Ederson para colocar a bola no meio-campo adversário. Foi uma boa experiência, sendo o resultado um país inteiro à beira de um ataque de nervos. O internacional brasileiro estaria à procura de linhas de passe quando Diogo Jota lhe apareceu por perto e exigiu que voltasse a assumir a sua principal função em campo. Chegou tarde, mas abriu a pestana entretanto e safou algumas.

Semedo

Um artigo da revista Science explica que um dos mais importantes avanços civilizacionais foi marcado pelo assassinato em massa de diversas espécies de gazelas. Hoje, poucas são as espécies sobreviventes, sendo a mais conhecida Nelsonius Semideus, estirpe renascida no Sintrense há alguns anos. Passou o jogo quase todo a defender e de facto pode dizer-se que foi comido de cebolada no lance do golo, mas demonstrou instintos de sobrevivência notáveis, tendo depois desse lance safado inúmeras situações de alto risco na ala ou até mesmo na área. Os observadores do Inter Milão e do World Wildlife Fund terão ficado entusiasmados e por bom motivo.

Luisão

Literalmente 15 minutos à Benfica. Volta depressa, capitão.

Lindelöf

Quase marcava aos 43 minutos no único lance perigoso do Benfica durante a primeira parte. Passou a segunda parte a desenhar os fundamentos teóricos do maximalismo nórdico, num chavascal tático da sua equipa em que evitou com pouca elegância mas muita eficiência cerca de várias investidas do adversário.

Eliseu

Como é possível que as autoridades deixem um streaker permanecer em campo durante 94 minutos? Só neste país.

Samaris

“A SAD do Benfica negou hoje em comunicado oficial qualquer intenção de mudar o nome da A1 para ASamaris.” Coitado. O grego bem se esforçou por ocupar o espaço deixado livre por Fejsa, o que é mais ou menos o mesmo que pedir a Jorge Jesus que transforme água em vinho ou Castaignos num jogador de futebol. Samaris apresentou a frescura física de um jogador de mini-golf e a disponibilidade mental de uma alface. Melhores dias virão ou, como ele diria, confiemos na fortuna do porvir.

Pizzi

Só um enorme lapso explicará que não tenha sido convidado para o Web Summit. Senão vejamos: é português e está avaliado em muitos milhões; tem desenvolvido conhecimentos preciosos, nomeadamente como liderar as operações de uma multinacional líder no seu sector; é responsável por ter criado pelo menos um hashtag popular (#pissi); foi recebido várias vezes com pompa e circunstância por Fernando Medina nos últimos anos. Que mais precisa este homem de fazer?

Salvio

Um dos esteios do 6-3-1 com que o Benfica brindou os seus adeptos e o adversário durante a primeira parte. Procurou conquistar a felicidade na segunda parte, não tanto como no livro de Bertrand Russell, mas como no Arte da Guerra para Treinadores.

Cervi

Teve uma noite pouco inspirada, mas ainda deu para fazer uma cueca a Maxi Pereira e bater toda a equipa portista num sprint tecnicamente perfeito rumo aos festejos do golo.

Guedes

Protagonizou mais uma daquelas exibições de sacrifício, dele e nosso. No final jurou a pés juntos que viu Mitroglou em campo. Deve ter sido da emoção.

Mitroglou

As suas exibições recentes encontram paralelo nas últimas semanas de Pedro João Dias. Se não perceberam e precisam que façamos um desenho, é possível que sejam portistas.

Lisandro

Há quem lhe chame estrelinha, mas o diminutivo não espelha aquilo que aconteceu. Isto hoje foi uma autêntica constelação de campeão. Perdão, de tetracampeão. Lisandro entrou mais frio que um cadáver, mas foi-se adaptando às circunstâncias do jogo - o resto dos colegas não jogarem grande coisa - tendo ascendido ao estatuto de melhor elemento da defesa nos minutos que lhe couberam em sorte. De resto, cada um tem o Kelvin que merece. Inchem amigos.

Horta

Ocupou a ala direita e ajudou Pizzi e Semedo a acreditarem na possibilidade de a equipa do Benfica realizar mais do que 3 passes consecutivos no jogo de hoje. Essa réstia de esperança, a par do cruzamento que fez para um golo do empate que mantém o Benfica pelo menos 5 pontos à frente dos rivais, acaba por ser agradável, constituindo por isso um belíssimo regresso aos relvados.

Jiménez

Tem quase sempre poucas oportunidades para brilhar, mas hoje foi letal quando encostou as mãos às orelhas, não sabemos se para fazer pouco de Herrera (RIP) ou se pedir aos adeptos da casa que se fizessem ouvir. Seja como for, rimo-nos.