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Um Azar do Kralj

William fez tremer engenheiros em Silicon Valley e Um Azar do Kralj já tem missão para André Silva em 2026

Subjetivamente falando, Um Azar do Kralj sente que deve ser objetivo a falar de Cristiano Ronaldo. Entre outras coisas, com isto diz que Nani está para ele como Bale está quando jogam juntos no Real Madrid

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

FRANCISCO LEONG

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Rui Patrício

Obrigado a defesa atenta logo aos 9 minutos. Entre esse momento e o golo da Letónia, aos 66’, aproveitou a boa visibilidade dos céus algarvios e a inépcia do adversário para tentar observar a super lua. Quando percebeu que isso é só amanhã, decidiu pôr leituras em dia e acabou a assinar uma petição para abolir a eleição do colégio eleitoral nos EUA. É de longe a pessoa menos culpada no lance do golo e na eleição de Donald Trump.

João Cancelo

Um lateral que consegue ser tão bom a defender como os seus concorrentes - Cédric e Nélson Semedo - e quase sempre melhor a atacar. Fez o que quis dos seus oponentes directos mas revelou excesso de misericórdia num ou noutro lance em que esperou que o defesa recuperasse o fôlego para lhe dar mais um nó. É titular do Valência e pretendido por Barcelona e Real Madrid. Alguns invistais afirmam que isso se deve aos dotes empresariais de Jorge Mendes. Apenas uma coisa é certa: não se deve aos dotes tácticos de Jorge Jesus.

José Fonte

Aos 26 minutos foi apanhado desprevenido em zonas mais avançadas do terreno e aproveitou para se tornar o oitavo jogador da selecção portuguesa a humilhar um letão com uma finta inconsequente. Pelas feições que apresenta, não parece ser o tipo de pessoa que prega partidas ao Renato Sanches no snapchat, o que nos deixa confortáveis.

Bruno Alves

O nosso gigolo favorito fez a vez de Pepe e até marcou, mas não esquecemos a passividade no lance do golo da Letónia. Enquanto José Fonte se esfalfava para, pelo menos, dar a entender que fizera o possível para evitar o empate, Bruno Alves acompanhou o lance com a atitude de quem sabe que vai voltar para o banco.

Raphaël Guerreiro

Cristiano Ronaldo terá dito há uns dias que, a ter de escolher um jogador para reforçar o Real Madrid, seria Raphael Guerreiro. Depois da sua prestação no Europeu ao lado de Fernando Santos, ninguém duvida da seriedade desta afirmação. Para que se perceba melhor, Cristiano Ronaldo não recomendava a contratação de ninguém desde que exigiu a presença do Regufe em qualquer circunstância da sua vida. Quanto ao Guerreiro, joga por Portugal, veio lá da França, e agora que trabalha em Dortmund parece mais engenharia alemã do que Citroen. O seu futebol fá-lo parecer mais velho do que é, característica que partilha com Renato Sanches, excepto a parte do racismo.

William Carvalho

Desconhece-se quantos empregos serão ocupados por robôs nos próximos anos, mas se William Carvalho continuar a jogar assim, o seu posto de trabalho está seguro. De longe o melhor em campo. Não só cumpriu com elevada nota artística tudo aquilo de maquinal que se espera de alguém responsável pelas operações a meio-campo, como ainda criou inúmeros lances ofensivos que fizeram centenas de engenheiros em Silicon Valley temer pelos seus empregos. Se dúvidas restassem, ainda apareceu lá à frente e marcou um golo de cabeça. Agora, digam-me o nome de um robô que tenha marcado golos de cabeça. Digam-me um! Digam-me um!

André Gomes

Costuma piar mais fininho quando joga no Barcelona e se vê remetido ao papel de André Almeida do meio-campo catalão. Hoje, porém, vimos André Gomes, o esteta, em todo o seu esplendor. Nunca negou as responsabilidade proletárias que lhe assistem e acompanhou bem William nas tarefas defensivas, mas procurou quase sempre jogar bonito numa floresta de troncos de leste. É um dos poucos jogadores portugueses que tem quase sempre uma ideia genial sobre o que fazer à bola assim que lhe chega aos pés. Como nem sempre a poesia se cumpre numa modalidade com tantos canalizadores, esperam-lhe uns 10 aninhos de amor e ódio nesta selecção.

João Mário

É um jogador que raramente demonstra qualquer tipo de emoção em campo, limitando-se a fazer aquilo que o seu quociente de inteligência dita, sendo isso 99 em cada 100 vezes suficiente para lhe assegurar a titularidade nesta selecção. Hoje pareceu-nos um pouco triste em campo. Aqui vai uma dedicatória: Esquece lá a adversidade / E vê se te pões bom João / Aproveita as gatas dessa cidade / E caga no Inter de Milão.

Nani

Todo o Cristiano tem o seu Gareth Bale, incluindo na selecção. Serve isto para dizer que a relativa pobreza exibicional de Cristiano durante a primeira parte foi compensada por um Nani irrequieto. Tal como Bale no Real Madrid, acabaria ofuscado pelo festival de golos marcados e falhados pelo seu colega de equipa. Always the bridesmaid, never the bride.

André Silva

Que maravilha de jogador. Hoje não marcou, mas fartou-se de ajudar os colegas a encontrarem espaços, tanto nos flancos como na área. Tem um problema sério de métrica, já que é conhecido pelo seu primeiro e último nome. Ora, ninguém no seu perfeito juízo consegue imaginar-se no Verão de 2018 em plena rua a cantar “e foi o André Silva que os f$%#&”. Mas o melhor mesmo é que já não conseguimos imaginar esta selecção sem o miúdo. Ainda por cima marca penáltis, algo que nos poderá dar jeito em 2026, quando Ronaldo se reformar.

Cristiano Ronaldo

Objectivamente falando, é o melhor marcador desta fase de qualificação, marcou dois golos e só não marcou mais dois ou três porque não calhou. Subjectivamente falando, sentimos que devemos ser objectivos.

Quaresma

Depois do futebol taciturno de João Mário, até os adversários terão ficado emocionalmente desgastados. Fernando Santos percebeu a oportunidade e colocou Ricardo Quaresma em campo. E o que é que aconteceu? Uma ofensiva terrestre, foi o que aconteceu. Quaresma rebentou com a pouca aptidão futebolística que se encontrava no flanco esquerdo da Letónia e contribuiu decisivamente para a vitória. No final, exibiu a já típica expressão facial de quem se limitou a fazer o que era necessário. Não, esse dobrar da língua é quando lhe apetece agredir alguém.

Gelson

Nós não queríamos nada dizer uma daquelas baboseiras institucionais, tipo presidente da federação, sobre como o Gelson, o André Silva e tantos outros nos permitem vislumbrar um futuro muito risonho para esta selecção nacional, portanto vamos ficar por aqui.

Renato Sanches

Cinco minutos em campo, três passes realizados, zero falhados e meio golo numa assistência para Ronaldo. A brincar a brincar foram as suas melhores estatísticas esta época. Não deixa de ser o maior.

  • Fernando, sorria, este ano foi bom e acaba e bem

    Seleção

    As coisas chegaram a parecer fáceis. Ronaldo marcou um penálti, mas quando falhou outro e a Letónia empatou, a seleção tremeu. Até Quaresma começar a receber bolas à direita e a cruzá-las para William e Cristiano engordarem uma vitória (4-1) que Bruno Alves ainda tornou mais enganadora. Fernando Santos acabou com cara de poucos amigos. Agora, a seleção só volta em 2017