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Um Azar do Kralj

Um Benjamin Button na defesa, os Pauliteiros do Alto dos Moinhos mais à frente (ou como Um Azar do Kralj viu Mitroglou a fazer nada)

Lindelof foi a Dortmund jogar no erro do adversário, o que não seria um problema não fosse o sueco defesa. Vasco Mendonça e Nuno Dias viram ainda como foi necessário recorrer a um detector de metais para descobrir onde raio andava Salvio

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

Wolfgang Rattay/Reuters

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Ederson

Teve uma noite com pouco trabalho, dada a avalanche de futebol ofensivo criada pelos colegas. Aproveitou a oportunidade para assistir a uma das melhores noites da história do futebol. Infelizmente é tudo o que vos podemos dizer sobre a exibição de Ter Stegen, uma vez que esta colaboração com o Expresso tem como finalidade analisar a exibição de jogadores do Benfica. Mas esqueçamos por momentos a asfixia democrática. As melhores intervenções de Ederson no jogo aconteceram em lances interrompidos pelo fiscal de linha, que convenientemente deixou a bola rolar nos quatro remates que Ederson não conseguiu defender. Em suma, mais uma trama da UEFA. Se aquele pontapé em Aubameyang na primeira mão tem sido mais certeiro, talvez a história hoje fosse outra.

Nélson Semedo

Terá dito aos jornalistas, após o fim do jogo, que quer ficar muitos anos no Benfica, um lirismo futebolístico cuja fiabilidade estatística está ao nível do voto de confiança que um presidente deposita no seu treinador após meia dúzia de derrotas. Na verdade, depois do que se viu hoje, estranhamos que não tenha pedido asilo político. Procurou agir de forma esclarecida, um pouco como um indivíduo bem educado num arrastão em Carcavelos, não evitando por isso meia dúzia de estaladas sem ter feito nada para as merecer.

Lindelof

Aproveitou a visita a Dortmund para desafiar a lógica e jogar no erro do adversário, uma concepção táctica que costuma resultar em zonas avançadas do terreno. Quis a ordem natural das coisas que esta aposta favorecesse o atacante. Mistérios do futebol. Lindelof não ganhou um único lance aéreo e, descontente com a falta de protagonismo, ainda ofereceu um golo a Pulisic, cimentando o estatuto de Benjamin Button da inteligência defensiva benfiquista.

Luisão

Deu falsas esperanças a milhões de pessoas quando ganhou um lance em corrida a Aubameyang, levando-nos inclusivamente a escrevinhar uma alusão àquele episódio do Ferrari contra o burro nas autárquicas de 1993. Infelizmente, e apesar da exibição esforçada de Luisão, o congestionamento esperado na linha do Benfica mais pareceu o IC19 às 4 da manhã, proporcionando sprints espectaculares do Saxo Cup de Aubameyang e companhia.

Eliseu

O tempo de reacção a algumas iniciativas ofensivas do Dortmund deveria ter obrigado o nosso campeão europeu a soprar no balão. Quase se tornou herói quando arrancou uma falta a Dembelé que justificava o segundo amarelo. Infelizmente o árbitro não concordou, sujeitando Eliseu mais a 50 minutos na condição de mero Eliseu.

Samaris

Esteve em evidência no primeiro golo e foi talvez quem primeiro antecipou o desfecho da partida. Talvez isso explique as muitas faltas que fez já com um amarelo - a sua cor favorita - como que pedindo para sair de campo antes da coisa descambar. Sempre que fala aos jornalistas parece ser o único futebolista no mundo com um QI igual ao batimento cardíaco em ritmo de jogo, mas infelizmente a verbosidade não marca bem à zona. A dupla formada com André Almeida - os Pauliteiros do Alto dos Moinhos - serve para lembrar, neste Dia Internacional da Mulher, que há também muitos homens crescidos que sofrem por esse mundo fora. Saiu aos 74 minutos ovacionado por dois amigos da sociedade Mensa.

Pizzi

Iniciou a melhor jogada do Benfica nos primeiros 25 minutos, que quase dava em golo de Cervi. Liderou as operações com sucesso até final da primeira parte, dando a sensação de que era possível não apenas sair de Dortmund sem quatro no bucho, como até ter adeptos à espera no aeroporto. A coisa acabou já no balneário com um SMS da mulher a dizer que era melhor chamar um Uber.

André Almeida

Apresentou um novo penteado, mas deu para perceber que era ele.

Salvio

As incursões de Salvio junto à linha lateral continuam a empolgar os muitos adeptos que desejam vê-lo sentado no banco de suplentes, mas não há forma de Rui Vitória nos fazer a vontade. Os seus piores lances esta época davam para seis temporadas e um filme na netflix, e hoje não foi excepção. Conseguiu ser o menos eficiente de todos os que participaram nos melhores minutos da primeira parte. A partir daí, mais do mesmo: foi desaparecendo do jogo, ao ponto de ter sido necessário usar um detector de metais para o encontrar no relvado. Se algum dia o contratarem terão de pagar aquela placa no braço.

Cervi

Foi o melhor jogador do Benfica. Sem bola, demonstrou o espírito humanitário de um capacete azul no Darfur. Com bola, revelou a clarividência de um taxista em hora de ponta, encontrando quase sempre o caminho mais curto e mais rápido para chegar ao destino pretendido. Até a ser substituído conseguiu o melhor. Saiu de imediato pela linha lateral, o mais depressa que pôde, mas não conseguiu esconder o olhar apreensivo de quem não sabe quando voltará a ser titular. Como nós te compreendemos.

Mitroglou

O que é que um grego mal encarado faz sozinho numa quarta à noite em Dortmund? Exactamente: nada.

Jonas

Continua a treinar sem bola, esperando-se que regresse ao treino sem limitações assim que a infecção no departamento médico do Benfica estiver debelada.

Zivkovic

Coitado. Nem um vídeo do Guilherme Cabral resolveria os problemas do Benfica nesta fase do jogo.

Jimenez

Aproveitou o final do jogo para pedir mais minutos em campo. Olha, antes isso que um aumento.