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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj vai passar o resto da noite em posição fetal, a repetir mentalmente: “Dependemos apenas de nós”

Um Azar do Kralj viu Luisão a sair do clássico com um Tiquinho no bolso, mas lamenta que Lindelöf não tenha feito o suficiente para evitar que “um uruguaio malcriado” mandasse “calar o estádio que fez dele o homem sem verruga que é hoje

Nuno Dias e Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Ederson

Mais uma exibição com tiques de divindade. O melhor guarda-redes do mundo com cara de quem trabalha numa empresa de mudanças. Destacam-se as defesas aos 36 minutos, a remate de Brahimi, e uma saída aos pés de Soares, um dos bons avançados do futebol português com cara de quem trabalha numa empresa de mudanças.

Nélson Semedo

Assumiu, como é seu hábito, a responsabilidade de conduzir o flanco direito da equipa e cortar as vazas ao adversário direto, primeiro Brahimi, depois Diogo Jota. Permitiu algumas investidas a ambos, mas foi levando a melhor na maioria dos duelos, tendo por isso sido premiado com uma estalada de Diogo Jota. Acima de tudo, não é o Maxi Pereira.

Luisão

Excelente exibição do capitão. Saiu do relvado com um Tiquinho no bolso para mais tarde recordar e só lhe faltou mesmo marcar um golo, ele que adora decidir nestes jogos grandes. Felizmente, ainda vamos a Alvalade.

Lindelöf

Os níveis de concentração e agressividade acima da média demonstrados na primeira parte não foram suficientes para evitar que um uruguaio malcriado surgisse, aos 50’, isolado no seu raio de acção, pronto para mandar calar o estádio que fez dele o homem sem verruga que é hoje.

Eliseu

Entendeu-se lindamente com Rafa na primeira parte, tendo anulado quase todas as iniciativas do Porto pelo seu lado. A malta chama-lhe gordinho, mas Eliseu é hoje um jogador em crescendo que se alimenta das piadas dos haters para provar que aquele lugar à esquerda é merecidamente seu. Alimenta-se das piadas dos haters e de uma boa fraldinha de porco.

Samaris

Aos 3 minutos já tinha mandado uma fruta a Alex Telles, numa clara tentativa de conquistar os adeptos da casa mais pela atitude do que pelo futebol jogado. Mostrou-se melhor a defender do que tem sido habitual, com mais sangue na guelra e mais pé na canela. As saídas de bola passaram quase sempre por si, tendo alternado saudavelmente entre passes conservadores para os colegas mais próximos e alguns movimentos de rutura que culminariam nos pés de adversários. É complicado. Aquilo que faz bem raramente nos enche as medidas; aquilo que faz mal costuma ser extremamente irritante.

Pizzi

Joga que se farta, mas os adeptos entendem que não tem o glamour de outros médios ofensivos, os mesmos adeptos que comem lasanha do Lidl no restaurante italiano e vão dar os parabéns ao chef. Não tem o glamour, mas impôs ordem no jogo, a defender e a atacar. Soube evitar o amarelo, distribuindo carinho apenas quando Carlos Xistra lhe dizia "vá, só mais uma".

Salvio

A ideia era boa.

Rafa

Até foi das suas melhores exibições, em especial no apoio defensivo. Já a atacar leva-nos do céu ao desespero em poucos segundos. Se o seu cérebro fosse um campo de futebol, diríamos que continua a pecar no último terço do terreno.

Jonas

Quase se lesionou após agressão de Nuno Espírito Santo sem bola, mas recuperou a tempo de cavar um pénalti e inaugurar o marcador. Já na segunda parte teve oportunidade de colocar o Benfica novamente em vantagem, mas Casillas defendeu e, portanto, vamos todos passar o resto da noite em posição fetal a repetir mentalmente que dependemos apenas de nós.

Mitroglou

Obrigou Casillas à defesa da noite, provando assim que esteve em campo.

Cervi

Fez o que pôde numa fase do jogo em que já havia mais coração do que cabeça, e toda a gente sabe como estes jogos em casa contra equipas pequenas às vezes se complicam.

Carrillo

Meia dúzia de minutos em campo e um remate para o terceiro anel do qual até ele se riu.

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