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Um Azar do Kralj

Uma ode de Um Azar do Kralj a Paulo Lopes, o homem que há quase três anos não parte uma taça (apesar de todas as oportunidades)

Vasco Mendonça e Nuno Dias despedem-se da temporada com um agradecimento a esse grandessíssimo tetracampeão que é o terceiro guarda-redes do Benfica

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

JOSE MANUEL RIBEIRO/Getty

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Júlio César

Bem a ir buscar a bola ao fundo da baliza duas vezes e ainda melhor na saída do relvado para ceder o lugar a Paulo Lopes. São as únicas coisas que nos lembramos de o ver fazer.

Pedro Pereira

Tem o toque de bola de um futuro titular do Real Madrid, o talento de um suplente não utilizado de Jorge Jesus e a verdura de um titular da equipa B. Aguardemos serenamente pela próxima época ou, como um amigo nosso costuma dizer a propósito de miúdas na noite: deixa-as pousar.

Kalaica

Lindequem? Está encontrado o próximo titular da defesa do Benfica. E que não se pense que isso se deve somente ao golo da jornada. Chega atrasado a alguns lances mas na segunda liga ainda estaria à espera do adversário directo. Já o imaginamos no final da próxima época a ser entrevistado por Jardel em directo para a BTV no relvado da Luz, sem conseguir dizer duas palavras de português enquanto Cervi lhe despeja champanhe em cima e o monster truck de Eliseu se passeia no relvado.

Lisandro

Foi patrão da defesa por um dia, no entanto mostrou a postura de um assalariado com a mania das grandezas. Foi comido de cebolada no segundo golo do Boavista. Por este andar ainda acaba a criar uma startup.

Eliseu

Qualquer perito em psicologia organizacional vos dirá que devemos que os colaboradores de uma empresa devem ser diferentes entre si. Precisamos do tipo com pensamento matemático que é um bocadinho arrogante quando alguém não percebe o que ele está a dizer, precisamos de um, precisamos de estrategas que não fazem nenhum, precisamos de criativos que um dia se despedirão para perseguir aquele sonho numa agência de publicidade, precisamos de pessoas que marquem as reuniões, e acima de tudo precisamos de um tipo que saiba mexer em computadores e perceba o que se passa com o raio da impressora. No entanto, décadas de investigação não foram suficientes para concluir o que nós, colaboradores das ditas empresas, estamos cansados de saber. Toda a firma precisa de um palhaço, e Eliseu demonstrou na semana passada que é o nosso. Pode não estar a jogar um charuto, mas, se há homem neste plantel disponível para entrar no estádio da Luz de parapente no último jogo em casa da próxima época, é Eliseu. E isso, meus caros, é um valor intangível que não aparece nas notas individuais do Football Manager, e muito menos nos manuais de psicologia organizacional. Vem nos livros de história, amigos. É matéria de museu. Renovação já.

Hermes

Chegou a meio da época e foi apresentado como lateral esquerdo, donde se infere que a titularidade no meio-campo não passou de uma partida pregada por Rui Vitória. Isso e já nem nos lembrávamos que o tal Hermes fazia parte do plantel. Tem ali qualquer coisa de titular do Arouca na próxima época.

Filipe Augusto

A titularidade na última jornada é um pau de dois bicos. Por um lado não queremos apressar conclusões num jogo a feijões, por outro lembramo-nos que Filipe Augusto esteve na iminência de substituir Pizzi no meio-campo e falhou em mais lances do que Pizzi na segunda volta. Um abraço onde quer que estejas, quinto amarelo.

Samaris

E não é que foi um dos melhores em campo? Acompanhou os centrais nas tarefas defensivas e nas saídas a jogar, uma espécie de Fejsa com menos 7 títulos nacionais. Começou o jogo apresentando níveis de concentração elevados mas depressa se lembrou que já é campeão. A partir daí foi vê-lo descontrair, um lance gingão atrás do outro, um passe à Pirlo atrás do outro. Perdão, à Pizzi, que até isso ele fez melhor que o colega Filipe Augusto. Lembramo-nos de ouvir a certa altura o comentador da Sport TV dizer de um lance disputado junto à área "Samaris numa zona que não é a dele". Mas como, se o grego encheu o campo?

Horta

Os pézinhos do costume. O líder dos No Name do Seixal trata a bola como poucos nesta equipa e hoje não foi excepção. Notou-se ainda assim aquela lentidão de quem passou uns meses a fazer treino específico no Fifa 17. É mais um de uma linhagem de craques do Benfica esta época que vão perdendo gás ao longo do jogo, até alguém perguntar onde estão e der por si a chamar a Polícia Judiciária. Miúdo: vê lá se atendes as chamadas do Jorge que a malta quer-te no plantel da próxima época.

Zivkovic

Apetece-nos dizer "aquela máquina", mesmo não sendo verdade.

Mitroglou

Marcou, não marcou? Então parem de lhe pedir que sorria.

Rafa

Perdeu a bola que resulta no segundo golo e redimiu-se com um contra-ataque que devolveu a esperança ao Benfica. Não, não é essa. Queremos lá saber do jogo. Falamos da esperança de um dia ganharmos dinheiro com o seu passe. Mas vamos com calma. Talento não lhe falta e vai ter muitas oportunidades. Depois do hexacampeonato falamos.

Raul Jimenez

Mais uma participação preciosa, desta vez a apoiar Rafa no lance do primeiro golo. Fez o suficiente nas últimas duas semanas para nos convencer de que 40 milhões pelo seu passe talvez seja pouco, que é como quem diz, para continuar no plantel. Os chineses que voltem a tentar em Janeiro.

Paulo Lopes

O que dizer deste herói? Que o adoramos? Que já não conseguimos viver sem ele? Tudo isso e muito mais. Ninguém fala disto, mas Paulo Lopes tem vindo a melhorar consistentemente ao longo destes últimos anos. Há quase 3 anos que não parte uma taça e oportunidades não faltaram. A sua carreira segue de vento em popa. É, provavelmente, o único guarda-redes do futebol mundial com mais títulos do que golos sofridos em toda a sua carreira sénior. Sorte? A sorte dá trabalho, amigos. Hoje, cerca de 12 meses após uma exibição contra o Nacional maculada por um golo dos madeirenses, chegou ao fim da partida não apenas com zero golos sofridos e pelo menos duas intervenções atentas que ajudaram o Benfica a empatar. Mas querem saber a melhor parte? É um lance em que Rafa quase marca de trivela e a câmara da Sport TV filma Paulo Lopes, angustiado ao ver que a bola não entrou como se isto fosse a contar. E não é que foi mesmo? Parabéns meu grandessíssimo tetracampeão.

Uma nota final: isto foi uma das coisas mais divertidas que já fizemos. Desculpem se ofendemos alguém, se nem sempre tivemos piada, e acima de tudo desculpem se levámos alguém a pensar que isto era jornalismo, ou sequer uma coisa séria. Muito obrigado à Tribuna por nos ter convidado.