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Um Azar do Kralj

Um ribatejano na Forbes, a Segway de Eliseu, o mentalista Jonas e o luchador Jiménez (o penta, por Um Azar do Kralj)

Estão criadas as condições para o Benfica ser pentacampeão? Os autores de Um Azar do Kralj defendem que sim, mas há um certo e determinado comentador de televisão que devia desaparecer antes. E, então, sim, a equipa liderada pelo homem da Forbes estará no ponto

Vasco Mandonça e Nuno Dias, Um Azar Do Kralj

MIGUEL A. LOPES

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Vem aí uma nova época. O Ferrari será obrigado a trocar de pneus, mas nada que impeça a máquina de carburar. O motor mantém a potência, o encarnado continua a reluzir e o sistema de navegação revela-se cada vez mais fiável. Rui Vitória, o nosso GPS, é um pouco como aquele motorista ucraniano da Uber que já todos apanhámos: pedimos-lhe que nos leve de São Bento ao Campo Grande e, ainda que às tantas demos por nós no Prior Velho sem razão aparente, sabemos que chegaremos sãos e salvos ao destino. Um abraço, Aleksandr. Se não fosses tu nunca teria visitado a Ameixoeira.

Após as vendas de Ederson e Lindelöf, a equipa tetracampeã conserva a maioria dos jogadores que garantiram o primeiro tetracampeonato na história do clube. Mais importante ainda, foi instalada uma nova firewall. Neste momento só falta mesmo fazer desaparecer Pedro Guerra e estarão reunidas as condições para o pinta. Por falar nisso, quando é que o Ultra Levur começa a patrocinar um programa televisivo de comentário desportivo? Se há contexto em que a diarreia se torna incontornável, é esse.

Mas há mais: temos o primeiro ribatejano a aparecer na capa da Forbes. É certo que Rui Vitória foi capa da edição portuguesa, uma espécie de Super Interessante das edições internacionais da Forbes, mas que isso não nos impeça de dizer alto e bom som: inchem, amigos. Francisco Marques bem tenta, mas por este andar nem na capa da PC Guia vai aparecer.

No entanto, a inevitabilidade do penta não significa que não devamos acautelar a próxima época. É importante que a contenda fique arrumada o mais cedo possível, para que a visita a Alvalade na penúltima jornada seja um momento de festa e desportivismo. Espero que os adeptos de ambos os clubes se comportem, mas acima de tudo que o Sporting deixe Eliseu entrar no relvado com a sua Segway.

Quanto à necessária gestão do plantel, que era aliás o pedido original da redacção, comecemos pela defesa. Se a saída de Ederson enfraquece a equipa, o fim da carreira de Paulo Lopes enfraquece os festejos do título. Primeiro, precisamos de alguém que seja forte nos lances de bola parada, capaz de lançar ataques repentinos com os pés e com uma presença forte nas redes sociais. Felizmente já se identificou uma solução. Resta saber se Hugo Gil aceita a proposta. Em segundo lugar, precisamos de um tipo bem disposto que consiga subir à trave da baliza e erguer uma taça. Pode ser um daqueles jagunços que todos os anos trepam a estátua do Marquês de Pombal.

Na defesa, é muito importante manter Jardel, de preferência com a cabeça completamente ligada para intimidar os adversários. Em linha com esse princípio, Luisão deverá manter a titularidade, mas agora com a ajuda de um andarilho. Se as pernas falharem perante um arranque de Tiquinho ou Doumbia, o andarilho permitirá cobrir uma área maior e provavelmente derrubar o adversário. Não se preocupem com o árbitro, isso está a ser tratado. Lisandro parece gostar da vida em Lisboa, por isso pode ficar. Se todos estes se lesionarem, teremos um problema.

É que os suplentes Rúben Dias e Kalaica sairão no final da época cada um por 45 milhões. Nas laterais, antecipamos o sucesso estrondoso daquele tipo que veio da Sampdória, não, esse é outro, pá, não, é aquele tipo que já tinha jogado no Benfica, não, esse saiu por 15 milhões, este acho que foi dispensado. Eeeexatamente. Pedro Pereira. Estava difícil lembrarmo-nos do próximo prémio revelação da Liga NOS. Se tudo falhar, há sempre André Almeida, uma afirmação que aliás poderíamos fazer em relação a mais oito posições no terreno e dezasseis situações do quotidiano.

Na esquerda, continuaremos a alternar entre a elegância catalã de Grimaldo e a sapiência insular de Eliseu. Eles que venham. Na pior das hipóteses, temos Hermes, um lateral com nome de mala de senhora que não impressionou nas poucas vezes que foi avistado em campo. Lamento apenas que não possamos contratar o Rúben Semedo ao Villareal. O miúdo merecia sentir-se desejado novamente, de preferência pelos seus.

No meio-campo, parece que teremos Pizzi, portanto a análise podia terminar aqui. Importa no entanto destacar as contratações de Martim Chrien e Krovinovic, um eslovaco e um sérvio de quem se espera que tudo façam para não serem o próximo Mukhtar ou o Djuricic seguinte, até porque o entusiasmo dos adeptos já faz deles os próximos Kroos e Modric. Isto para não falar de Filipe Augusto, o próximo Casemiro, pelo menos segundo aquilo que Jorge Mendes tem dito a dirigentes de outros clubes.

Entretanto, estive a ver a lista de transferências e descobri que o Salvador Agra foi contratado pelo Benfica. Mais do que perguntar o óbvio - para quê? - celebre-se a eficácia desta decisão. É menos um adversário detestável na próxima liga e mais um suplente não utilizado. Teremos também Salvio, o único futebolista internacional argentino que não se importa de passar o resto dos seus dias em Telheiras.

Será titular independentemente do que acontecer, a menos que seja este o ano de afirmação de Carrillo como expoente máximo da consistência futebolística, um pouco como um porco a voar. André Horta merece uma oportunidade para demonstrar que é mais do que um benfiquista do caraças. Se eu mandasse era titular em todos os jogos e passaria a entrar em campo munido de um megafone. Samaris teve um fim de época conturbado e não me espantaria nem entristeceria se fosse despachado. Talvez seja o momento ideal para terminar o seu primeiro conjunto de poemas na Assírio e Alvim, "Verme Grego".

No ataque, manteremos a nossa espinha dorsal de natureza circense: um mentalista (Jonas), uma aberração da natureza (Mitroglou) , um malabarista (Rafa), um luchador (Jimenez), uma criança sobredotada (Zivkovic) e um anão (Cervi). A não ser que Seferovic saiba fazer truques de cartas, terá vida difícil na Luz. Talvez ajudasse contratar mais um tipo habituado a marcar golos no nosso campeonato, mas parece-me que será essa a missão do Lima.

Em suma, a SAD está a trabalhar e temos praticamente tudo o que precisamos para chegar ao penta. Se correr mal, ligamos ao Nhaga.

P.S. Não estranhem termos deixado Fejsa de fora desta análise. Quanto menos se falar dele, maior a probabilidade de o segurarmos no plantel

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