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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj elogia aquele funcionário exasperado que nos diz “ó meu amigo, só tenho dois braços e duas pernas” (isto é, André Almeida)

Entre o seguramente mediano e o medianamente seguro, André Almeida foi o grande herói do Benfica-Portimonense (2-1)

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

André Almeida, lateral direto do Benfica

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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Bruno Varela

Voltou a cumprir o seu curioso ritual pré-jogo, que consiste em beliscar-se violentamente até um colega confirmar que isto está mesmo a acontecer. Não só acontece como até se pode dizer que corre bem. Mais duas ou três defesas decisivas como as que fez hoje e a cláusula de rescisão passará aos proverbiais 45 milhões. Se essa venda acontecer, belisquem-me. Ainda tem tiques de guarda-redes de equipa pequena, como aquele pontapé na direcção das Laranjeiras aos 93 minutos, como se jogasse no Portimonense e estivesse a ganhar fora ao Benfica, o que só por acaso não aconteceu. Por acaso e, também, por causa do nosso Varela.

André Almeida

Enorme. Os mais preciosistas irão discutir se o seu cruzamento-remate foi intencional, mas apenas uma coisa é certa: a intenção de André Almeida é sempre ajudar a equipa a ganhar os jogos. Grande, fabuloso golo a coroar mais uma exibição que foi alternando entre o seguramente mediano e o medianamente seguro. André Almeida é aquele funcionário exasperado que nos diz "ó meu amigo, só tenho dois braços e duas pernas". E nós anuímos, esmagados pela intransigência da anatomia humana.

Lisandro López

Uma inexplicável confiança em si mesmo levou a que cometesse dois erros caricatos em apenas 5 minutos, entregando a bola a adversários em zona perigosa. Terá elevado a auto-crítica ao absurdo, questionando a sua própria titularidade junto de Rui Vitória, que prontamente o substituiu por Filipe Augusto. Talvez não pareça, mas é esse o caminho. Que mantenha este ceticismo enquanto for titular. Só duvidando sistematicamente da sua capacidade para a prática da modalidade poderá ser uma solução para esta defesa. Em suma, se não inventar já é bom.

Luisão

Acertou há momentos a sua marcação a Fabrício, esse mago brasileiro de uma equipa patrocinada não pela McDonalds mas por um franchisado da McDonalds. Luisão revela a condição física de um titular na equipa dos Amigos do Figo. Talvez dê para anular o Vieri com 30 quilos a mais, mas vai ser encavado pelo Van Nistelrooy.

Eliseu

Aos 71 minutos, com a bola à mercê do seu afamado pastel, decidiu ajeitou com o pé esquerdo e rematou com o pé direito. Digam-me se isto tem alguma lógica. Digam-me.

Samaris

Talvez por nunca ter tido um Tamagotchi, foi excessivamente meigo com Nakagima e companhia. Procura assumir o jogo como se nos tentasse dizer: “olhem para mim, eu quero ser mais do que um mero Fejsa, eu sou um estratega meus amigos”, mas enquanto o sérvio destrói sem misericórdia os adversários no meio-campo e atira os seus corpos esquartejados ao Tejo em sacos de cimento, Samaris deslumbra-se, comove-se com a poesia da violência nesta zona do terreno e dá por si a perdoar a vida dos adversários. Não pode. É assim que se acaba esquartejado a flutuar no Tejo. Taticamente falando, claro.

Pizzi

Com Pizzi a 100%, o Benfica é um avião topo de gama da Emirates e os adeptos viajam em primeira classe, com todas as mordomias e mais alguma. Turbulência é pouca ou nenhuma e quando damos por nós já aterrámos no Marquês e somos campeões outra vez. Com Pizzi a 80% viajamos num avião da TAP. Podia ser pior, mas partimos com 2 horas de atraso e serviram-nos amendoins frios ao lanche. Com Pizzi a 43%, o Benfica é um charter pilotado por um comissário de bordo que em tempos jogou o Flight Simulator da Microsoft. Isso e viajamos todos no porão. Deus nos ajude.

Zivkovic

Foi um dos que mais aproximou a equipa da baliza adversária, ainda que metade dos seus lances individuais tenham como consequência imediata fazer-nos duvidar da primeira parte desta afirmação. Está no Benfica há um ano e meio e continua a parecer ligeiramente perdido. Em vez do déjà vu ofensivo que define os melhores jogadores, Zivkovic é um apologista do jamais vu. Demoramos sempre um instante a perceber quem é aquele tipo, o que faz ali, se já jogou no Benfica antes. É a surpresa da descoberta, mas em mau.

Cervi

Um criativo nato, excelente até na mediocridade. Ao invés de simplesmente verbalizar a sua vontade junto do treinador, Franco Cervi inventou uma sucessão de lances desastrados que expressaram de modo não-verbal o seu desejo ardente de ir para o balneário mais cedo. Rui Vitória não é nenhum mestre da tática, mas lá percebeu a mensagem.

Jonas

Exibição pouco inspirada mas ainda assim eficaz. Mesmo não tendo críticos, resolveu responder-lhes com mais um golo no campeonato. Pareceu-nos cansado em alguns lances. Chá de limão com mel e treino de piscina, não vá o homem estar a chocar uma lesão.

Seferovic

Aí está ele. Para quem perguntava pelo tal jogador mediano do Eintracht Frankfurt que o Benfica contratou sabe-se lá porquê, é este que vimos hoje. Claramente em noite não. Precisava de colegas mais capazes a construir jogo. Foi procurando apoios como pode, mas o melhor futebol que já o vimos jogar apoia-se, isso sim, nos corpos prostrados dos adversários.

Salvio

Como se costuma dizer, chegou, viu e cavou. Valeu-nos esse penálti para lançar a reviravolta. O crescimento do PIB benfiquista mostra sinais claros de abrandamento, mas a dívida a Salvio continua a aumentar. PUMBAS. Faz lá um destes, José Gomes Ferreira.

Filipe Augusto

Foi o jogador mais esclarecido do Benfica. E esta, hein?

Jiménez

Como é que diz o mister? Isso. Se fosse fácil não era para nós.

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