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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj propõe que se mostrem os jogos do Douglas ao Grimaldo, mas com a música do Benny Hill

Sobre Jonas, o abono que começou sentado no banco de suplentes, Um Azar do Kralj teve isto a escrever: "Substituiu Diogo Gonçalves e obrigou a algumas mexidas tácticas, mas o essencial da ideia de jogo promovida por Rui Vitória manteve-se: não jogamos ponta"

Nuno Dias e Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Laurence Griffiths

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Svilar

O guarda-redes mais jovem de sempre na Liga dos Campeões fez uma excelente exibição no segundo jogo ao serviço do Benfica, mostrando segurança, personalidade e atenção em quase todos os lances. Cometeu um erro que nos custou um golo num jogo em que os colegas não conseguiram fazer um remate à baliza. No final da partida, a primeira coisa que fez foi pedir desculpa aos adeptos. Um exemplo improvável para alguns portugueses.

Douglas

Alguns adeptos perigosamente otimistas teimam em enaltecer as qualidades ofensivas de Douglas, como se a sua inaptidão para qualquer outra tarefa que não fazer cruzamentos fosse um mal menor, um pequeno defeito que nós, cépticos, devemos aceitar. Imaginem uma sociedade com este grau de tolerância: o cirurgião invisual a quem é permitido operar porque consegue vestir a bata sozinho, um operador de call center com um impedimento de fala que sabe pegar num telefone e marcar o número, ou um neonazi que nunca fez mal a um gato. É nesse mundo que queremos viver?

Luisão

Exibição segura do nosso ancião, cuja vida parecia estar em risco com a presença de Lukaku na Luz. Nada mais errado. Luisão fez dois ou três cortes providenciais, liderou o quarteto defensivo numa das exibições menos más da época e aproveitou ainda para estragar tudo com uma expulsão desnecessária aos 92 minutos, que muito provavelmente garantirá uma goleada em Old Trafford. O quê, pensavam que íamos à Liga Europa?

Rúben Dias

Foi hoje recebido na Maçonaria dos futebolistas, o mui exclusivo Clube da Cachola Ligada. Depois de Jardel, Tonel e mais alguns tipos de quem o leitor se irá lembrar e depois nos dirá, hoje foi a vez de Rúben Dias se tornar membro desta sociedade secreta com lugar garantido em Bilderberg e/ou no banco de suplentes. Quase tão importante como isso foi o modo como conseguiu que lhe ligassem a cabeça: com uma valente cabeçada em Filipe Augusto. Quem nunca? Fora de brincadeiras, Rúben Dias já mostrou sangue e muito suor. Merece a titularidade. Só lhe faltam as lágrimas, mas oportunidades não deverão faltar até final da época.

Grimaldo

Prova de que o melhor criador ofensivo da equipa pode ser um defesa que - estão sentados? - também sabe defender. Os jogadores costumam ver imagens da sua exibição nos dias seguintes, não é? Boa. Mostrem os jogos do Grimaldo ao Douglas. Já agora, mostrem os jogos do Douglas ao Grimaldo, mas com a música do Benny Hill.

Fejsa

Num jogo em que terminámos com 38% de posse de bola, Fejsa contribuiu para que os restantes 62% fossem piores, o que tornou o jogo ainda mais sofrível, apesar de isso em teoria ser favorável às aspirações da nossa equipa. No fundo, nós só ganhamos se conseguirmos que toda a gente jogue muito mal, preferencialmente pior do que nós, o que tem acontecido pouco esta época. Confusos? O nosso meio-campo também. Infelizmente, o sérvio teve hoje pela frente um adversário muito complicado. Este Manchester a 30% não é brincadeira, amigos.

Filipe Augusto

Tem que levar mais cabeçadas nos primeiros minutos de jogo. Parecem fazer-lhe bem, já que foi um dos melhores esta noite. Agressividade na cobertura defensiva ao lado de Fejsa, mais qualidade a passar a bola do que o nosso amigo Pizzi, algumas incursões bem conseguidas por terrenos que lhe são menos familiares. Em suma, é provável que daqui a poucos dias me arrependa de ter feito elogios.

Pizzi

Alguns passes errados, algumas perdas de bola atípicas, algumas intervenções apáticas, alguns lances mal gizados, e meia dúzia de situações em que a intenção até era boa. Tudo somado, dá razões suficientes para ficar no banco nos próximos jogos.

Salvio

Depois de dizer, na véspera, que os jogadores do Benfica estavam ao nível do Manchester sem que lhe pedissem para soprar no balão, Salvio acabou por ser dos que melhor combateu o adversário. Procurou por diversas vezes lançar ataques impetuosos, para espanto e descrença de muita gente no estádio, incluindo alguns dos colegas em campo.

Diogo Gonçalves

O futuro desta equipa é risonho, e por futuro entenda-se os próximos 3 meses, já que Diogo Gonçalves está pronto para rumar ao Valência. Isto é um elogio. O miúdo sabe o que faz em campo. Ainda não acerta todas, mas isso faria dele um milagre na presente equipa. Se uma hecatombe impedir a sua saída, é muito provável que tenhamos aqui um novo craque. Façam figas para que o Futebol United ganhe em mais um aguerrido derby com o Contabilidade FC.

Jiménez

Tem sido incansável. Ninguém questiona a sua entrega. Ajudou a equipa em vários momentos difíceis, foi sempre um bom colega e dele nunca se disse uma coisa má, mas as coisas são como são e isto não está fácil. Tudo coisas que poderíamos dizer para elogiar Jimenez ou para enrolar antes de despedir alguém.

Zivkovic

Entrou para o lugar de Pizzi, mas foi-lhe pedido que interpretasse o papel de um brasileiro cheio de manhas que irrita os adversários e salva a equipa em todos os jogos. É exigir demasiado de um adolescente sérvio que nem no Carnaval se mascara.

Jonas

Substituiu Diogo Gonçalves e obrigou a algumas mexidas tácticas, mas o essencial da ideia de jogo promovida por Rui Vitória manteve-se: não jogamos ponta.

Cervi

Quem nunca adormeceu a ver um jogo do Benfica que atire a primeira pedra.

Rui Vitória

No final, perante a insistência dos jornalistas, disse a muito custo: “Querem que eu diga que não jogamos uma beata? Ok, não jogamos uma beata.” Tem razão.

  • As Mile e uma coisas que correm mal ao Benfica

    Liga dos Campeões

    Contra o Manchester United, uma delas foi Mile Svilar agarrar uma bola e entrar com ela na própria baliza, é um facto. O Benfica perdeu (0-1) pela terceira vez na Liga dos Campeões, mas os 18 anos de um miúdo que é um guarda-redes que promete e tem a confiança de um adulto foram o menor dos problemas da equipa de Rui Vitória