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Um Azar do Kralj

A app de mindfullness de Rui Vitória, o Clonix de Seferovic, o rei Leónidas que há em Salvio (por Um Azar do Kralj)

Os autores de Um Azar Do Kralj estão que nem podem com dois ou três jogadores do Benfica. E com o treinador também. Esta é a análise ao onze encarnado

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar Do Kralj

ARND WIEGMANN/REUTERS

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Svilar

Algumas defesas para a profile picture e um jogo de pés propenso a meter os pés pelas mãos. Acima de tudo, ele ou o seu encarregado de educação deverá escolher um equipamento de outra cor. Como se sabe, o amarelo representa luz, felicidade e calor, ou seja, uma série de atributos que definem o oposto a equipa em que Svilar joga. Não é preciso ser-se perito em moda para saber que vestir amarelo perante o futebol deprimente que o Benfica tem jogado está ao nível de aparecer para jantar em casa dos sogros com um daqueles fatos de treino que o presidente Vieira veste. A não ser que seja uma piada, não tem piada nenhuma.

André Almeida

Se André Almeida fosse uma técnica de tortura seria o garfo dos hereges - com um twist. A técnica consiste na colocação de um objecto de metal com duas extremidades pontiagudas colocadas entre o esterno e a garganta. O cansaço sentido pelo torturado leva a que este sofra múltiplas perfurações no pescoço. Isto não acontecia em Portugal desde a Idade Média, mas tem vindo a fazer algumas vítimas desde Agosto. O twist tem que ver com a evolução tecnológica que permitiu dotar esta técnica de um requinte maquiavélico. Para além de um objecto pontiagudo, é colocada uma televisão à frente do torturado, que, se quiser evitar o pior, deverá manter os olhos abertos e a cabeça direita enquanto assiste a um jogo do Benfica. A má notícia é que esta técnica não costuma matar, servindo antes para infligir sofrimento prolongado. A boa notícia é que já só faltam 7 meses para o final da época.

Luisão

Vamos lá entender uma coisa. Se eu quiser ver idosos respeitáveis a darem o melhor de si, vou à página de Facebook do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, não vou ver jogos do Benfica. Com todo o respeito pelo nosso capitão, que mais uma vez se exibiu a um bom nível, chegando e sobrando para as encomendas.

Ruben Dias

Continua a ter uma ou outra abordagem aos lances em que não se percebe se é o próximo Mozer ou o novo Ricardo Rocha. Felizmente estamos em condições de afirmar que não será o novo King. E isso por si só já é uma vitória. Rapidez, qualidade de passe, ratice e raça em doses recomendáveis. Mais um bocadinho e daremos por nós a dizer: mal empregado.

Grimaldo

Nos dias que correm, ver a bola chegar a Grimaldo não é apenas a certeza de que a iniciativa do jogo estará assim a cargo de um dos poucos indivíduos competentes em campo. É também uma injecção vital de cafeína que nos mantém mais ou menos acordados, aliás, que nos permite sobreviver a mais 90 minutos deste Benfica 2017/18. É uma benção e uma maldição, já que muitos de nós prefeririam dormir. A objetividade no passe, a acutilância nas combinações, a inteligência e intenção reveladas em todas as incursões no meio campo contrário, assim como os elevados níveis de concentração nas tarefas defensivas, cada vez mais dão a entender que Grimaldo está no sítio certo à hora errada.

Fejsa

A vida é como uma caixa de Filipes Augusto. Nunca sabes qual é que te vai calhar. Fejsa adaptou-se como pôde à ausência de Pizzi, mas principalmente à presença de Filipe Augusto em campo, assumindo várias vezes a responsabilidade por crimes que não cometeu. Acabou por não resistir à avalanche de erros e más ideias apresentadas pelos colega. Quando demos por ele estava sentado ao balcão a pedir o sexto whisky enquanto explicava ao empregado as circunstâncias da sua participação na guerra colonial.

Filipe Augusto

Princípio de Peter: num sistema hierárquico, qualquer funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência.

Princípio de Jorge Mendes: em princípio fico com 10%

Salvio

O futebol de Salvio é mais ou menos aquilo que aconteceria ao rei Leónidas se, depois de gritar WE ARE SPARTANS, fosse ele o único a avançar. Três adversários mais rápidos? VAMOS, MEUS SOLDADOS! Zero linhas de passe? PARA CIMA DELES SEM MEDO. Triangulações com André Almeida e Filipe Augusto? OK, ISTO ESTÁ A FICAR COMPLICADO MAS TEMOS DE CONTINUAR A ACREDITAR. CARREGA! Quando dá por si, Salvio olha para trás e vê que metade dos espartanos está no Facebook e a outra foi jantar.

Jonas

Decisivo, mesmo sem jogar grande coisa. Merecia outra noite para celebrar os 100 golos ao serviço do Benfica. Fez-me recordar aquela vez que apanhei uma gastroenterite na véspera do meu aniversário. Como esquecer? Tudo a cantar os parabéns e eu na casa de banho a fazer um Pollock. Enfim.

Seferovic

O futebol do Benfica já me obrigou a tomar Ultra Levur e Rennie algumas vezes, mas nunca tinha precisado de um Clonix.

Diogo Gonçalves

Hélder Conduto bem tenta justificar os erros do miúdo, mas fica difícil quando escolhe dizeres como “faltou frieza na definição do lance”, um tipo de expressão algo inconclusiva que nos dá a sensação de termos descoberto alguma coisa nova, uma nova leitura dos acontecimentos, apesar de não sabermos bem o que tudo isso significa - tal como Diogo Gonçalves.

Pizzi

Bons indicadores no seu segundo jogo de preparação. Precisa de mais ritmo, mas tem todas as condições para ser uma peça influente deste Benfica 2018/19.

Jimenez

O suplente mais utilizado.
[Isto parece um post do Pedro Mexia circa 2003.]

Krovinovic

Detentor de belíssimo toque de bola e co-responsável pela melhor jogada da partida, uma combinação com Diogo Gonçalves finalizada de modo deficiente por Filipe Augusto. Rui Vitória fez bem em colocá-lo em campo tão tarde. Não queremos ficar mal habituados.

Rui Vitória

Que outras apps de mindfulness recomendam para além da Headspace?