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Um Azar do Kralj

Douglas é o desflorestamento da Amazónia, o sistema judicial decadente, um assalto à mão armada no Rio (e este é Um Azar do Kralj irritado)

O Benfica voltou a perder com o Basileia (2-0) na Liga dos Campeões e Vasco Mendonça tem poucas coisas positivas a dizer sobre a equipa de Rui Vitória

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Svilar

Perante um onze que apresentava Seferovic como principal referência atacante, Rui Vitória esteve bem ao fazer regressar o melhor marcador da equipa. Desta vez Svilar não marcou, mas fica para a história como o guarda-redes mais novo a marcar dois golos ao serviço da pior equipa portuguesa na história da Champions. Tenham calma! Um gigante europeu de cada vez.

Douglas

Diz-se de todo o futebolista brasileiro habilidoso que tem samba no pé. É um duplo elogio: louvamos o jogador e celebramos o património cultural do seu país de origem. O Brasil merece. Mas, e quando se dá o caso inverso? Se o craque brasileiro tem samba no pé, o que dizer do cepo? Tentemos. Douglas é o desflorestamento da Amazónia, é o sistema judicial decadente, é o défice da educação, é uma remix drum n’ bass de Marcos Valle, balada de Xitãozinho e Xoróró em repeat, é um assalto à mão armada no Rio de Janeiro, é o escândalo da Petrobras, é pau, é pedra, é o fim do caminho, esperem, não, isso não será com certeza. Douglas é tudo o que o Brasil tiver de mau, no pé.

Lisandro

Exibição conseguida, apesar de tudo. O argentino percebeu cinco minutos tarde demais quem era o seu principal adversário no jogo de hoje. A partir daí, acertou marcações e tudo fez para impedir Douglas de voltar a comprometer as aspirações benfiquistas. Se a memória não me trai, foi um dos mais rematadores. Quem me dera que a memória me traísse. Este jogo seria uma das primeiras coisas a esquecer.

Jardel

Mais uma decisão inteligente de Rui Vitória, que prometera um Benfica ambicioso. A forma impetuosa como Jardel disputa os lances aéreos era uma das maiores armas da equipa para sair do jogo de hoje com os primeiros pontos na Champions. Infelizmente, o jogador não chegou a lesionar-se. Sobrou uma exibição solidária para mais tarde não recordar.

Eliseu

Aos 85 minutos conseguiu a proeza de fintar os próprios colegas num lance em que todos, até mesmo o próprio, terão acreditado que dali sairía o golo da jornada. Eliseu acabaria por deslumbrar-se com tanta facilidade concedida por adversários e colegas, colocando a bola nos pés do único adversário que, perante o conhecido mito urbano, resolveu consultar previamente as estatísticas do seu adversário.

Samaris

Aproveitou exemplarmente a oportunidade dada por Rui Vitória, afirmando a plenos pulmões que não lhe apetece assim tanto jogar na Champions, um sentimento aliás partilhado pela maioria dos colegas. Entrou na segunda parte com um único objetivo: acumular faltas estúpidas suficientes até Rui Vitória pressentir a sua expulsão. Missão cumprida. Na flash interview, explicaria com o pragmatismo de alguém que se está moderadamente a borrifar que o importante agora é o campeonato. Sou forçado a concordar e, nesse sentido, solicito às autoridades competentes que impeçam Samaris de voltar a jogar num futuro próximo.

Pizzi

O seu futebol continua perro. Às tantas precisa de mais uns quantos empurrões, a ver se acorda. Para não complicar mais as coisas, desta vez podem ser adeptos do Benfica.

João Carvalho

Tentou mostrar o seu jogo, mas teve sempre muita dificuldade em libertar-se da marcação do hype.

Zivkovic

Não percebeu as indicações de Rui Vitória. Só assim se explica o incómodo que foi demonstrando com o resultado e qualidade demonstrada pelos colegas. Fez os possíveis por mudar o resultado, mas não conseguiu melhor do que honrar a camisola. Quem é que este tipo pensa que é?

Diogo Gonçalves

Sempre que alguém utiliza a expressão “aposta na formação”, tem-se por adquirido que isso é uma coisa boa, como se a insistência na mesma aposta não nos pudesse levar à bancarrota ou, menos mal, ao banco de suplentes.

Seferovic

Há uns dias, em entrevista, Daniel Day Lewis explicava que ficou muito deprimido durante as filmagens do seu último trabalho e que por isso não mais voltará ao cinema. Rapidamente identifiquei as semelhanças com Haris Seferovic: também ele, em Agosto e Setembro deste ano, interpretou o papel de um avançado possante e tecnicamente evoluído que vivia obcecado com a baliza adversária. A conhecida dedicação do method actor suíço resultou num colapso que dura desde então. A diferença é que Seferovic continua a jogar. Bela merda de analogia.

André Almeida

Depois de Samaris, André Almeida. A perder em casa. Não sei o que é que Rui Vitória lhe disse, mas André Almeida entrou em campo com a abnegação de um DJ num velório. Na verdade, tal como ele, todos preferíamos não estar ali naquela ocasião.

Jonas

Parecia a Angelina Jolie numa daquelas visitas à África subsariana - beleza rodeada por miséria.

Gabigol

Tem neste momento mais tatuagens do que decisões inteligentes com a bola nos pés ao serviço do Benfica.