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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj reconhece que o corpo de Rui Vitória, afinal, possui duas pequenas massas benignas

E associou a capacidade de o treinador confirmar essas duas massas com a ida dos adeptos, no final da época, ao Marquês do Pombal, lugar onde habitualmente festejam a conquista de títulos

Vasco Mendonça e Nuno Dias, Um Azar do Kralj

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Bruno Varela

Fez tudo para aparecer no regresso à titularidade frente a grandes colossos europeus, mas não conseguiu melhor do que uma defesa atenta. Não sendo míope, até ele terá visto os penáltis por assinalar. Reafirmou-se como titular indiscutível, apesar de ter utilizado os braços menos vezes do que os jogadores do Sporting.

André Almeida

Muito bem a fazer uma falta mais dura sobre Fábio Coentrão logo aos 6 minutos, desempenhando o papel de jogador-adepto sem no entanto descer ao nível do adepto, que mais uma vez voltou a fugir ao controlo dos stewards e demais agentes de autoridade para agredir violentamente o lateral-esquerdo do Sporting com aquelas cartolinas, cujo arremesso consegue ser quase tão ridículo quanto o comportamento do Coentrão.

Rúben Dias

Se Ricardo Rocha pudesse fazer tudo novamente e começasse a carreira no Benfica, seria Rúben Dias. Ao invés do mindfulness ou do empreendedorismo, Rúben Dias continua a assumir-se como um fiel praticante do Sem Merdismo, uma corrente teológica que prega a rejeição de quaisquer decisões não pautadas pelo mais impiedoso pragmatismo e mantenham a bola próxima do nosso guarda-redes. Infelizmente, o Sem Merdismo ainda não conquistou todos os colegas da defesa, mas se este rapaz for o tal líder que hoje voltou a parecer, não tardará até termos uma Igreja e o seu pastor se chamar Rúben.

Odiadores dirão que fez uma assistência para Gelson no lance do golo e podia ter sido mais agressivo na abordagem ao lance. Devotos dirão que aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes e aumenta a cláusula de rescisão.

Jardel

Em boa verdade, ninguém achava que o Gelson ia marcar de cabeça e a marcação também não era bem dele. Portanto, dêem-lhe um desconto que ele até nem jogou mal. Destaque para uma intervenção intrigante na área sportinguista aos 36 minutos - um cabeceamento na direção oposta à da baliza fez dele, ainda que por breves instantes, o melhor central que passou pelo Sporting nos últimos anos.

Grimaldo

A exibição menos conseguida na primeira parte deveu-se apenas a uma dificuldade com o equipamento. Aproveitou o intervalo para vestir uns calções com bolsos e assim que regressou ao relvado pegou cuidadosamente no jovem Gelson Martins e guardou-o num lugar especial, situado algures nas imediações da virilha. Quem diria que cabiam 60 milhões de euros num espaço tão pequeno.

Fejsa

Não fez dos seus melhores jogos e podia mesmo ter acabado expulso. A substituição por Rafa aos 73 minutos, já depois da saída de Pizzi, teve o condão de confirmar que o corpo de Rui Vitória possui afinal duas pequenas massas benignas que doravante designaremos testículos, os quais terão de ser utilizados ao longo dos próximos meses se o mister quiser voltar a ver-nos felizes numa noite de Maio no Marquês de Pombal. Reparem que se as festas dos títulos do Benfica acontecessem no Parque Eduardo VII, esta alusão a testículos teria um significado completamente diferente.

Pizzi

Os quarenta e sete passes a rasgar a defesa do Sporting para morrerem junto a um placard publicitário provocaram um surto de derrames oculares no estádio. Rui Vitória substitui-o aos 55 minutos e Pizzi depressa se sentou no banco de suplentes, onde o esperavam um moleskine e uma caneta para tirar notas enquanto via Krovinovic.

Krovinovic

Se continuar assim, da próxima vez que quisermos vê-lo ao vivo teremos de comprar uma daquelas assinaturas anuais da Gulbenkian. Mais um recital do jovem croata que revela ponderação e criatividade na hora de ler a pauta. Apesar de já não restarem grandes dúvidas quanto à qualidade do seu jogo e importância do contributo para a manobra da equipa, ainda não sabíamos se Krovinovic era apenas um grande jogador ou um jogador à Benfica: “Praticamente massacrámos o Sporting e, com esta atitude e ambiente, vamos ganhar o campeonato (…) não vou falar sobre o árbitro porque o nosso trabalho é jogar.” Felizmente, a dúvida ficou esclarecida hoje.

Salvio

A ser verdade que ganha 250 mil euros por mês, Salvio vê-se obrigado em diante a jogar tanto ou mais do que dois Zivkovic. Não é tarefa fácil, mas o argentino continua a demonstrar que é um dos poucos jogadores neste plantel que pode ocupar duas posições no campo, ala direto ou defesa lateral. Seja numa ou noutra, apresentou-se quase sempre em condições de ultrapassar e/ou anular Fábio Coentrão, ainda que, lá está, tenha sido ajudado pelas cartolinas.

Jonas

É a síntese perfeita da noite de hoje. Uma das exibições mais discretas de Jonas esta época foi ainda assim suficiente para cimentar a liderança como melhor mercador do campeonato. É um pouco como o pior Benfica dos últimos anos, que chegou para encostar o melhor Sporting às cordas. Imaginem se jogássemos à bola.

Cervi

Obrigou Piccini a ser um dos melhores em campo, o que é simultaneamente uma crítica, um elogio e um esforço genuíno para não falar daquele corte de cabelo.

Jiménez

Esforçado. Uma mão cheia de lances capazes de motivar o uso de expressões como “a intenção era boa”, “chuta daí”, “qual era a ideia dele?” e “pagámos nós 24 milhões por isto”.

Rafa

Entrou muito bem no jogo, tornando-se desde logo um dos acontecimentos mais bizarros de 2018. Mexeu decisivamente com a movimentação da equipa, conduzindo várias vezes a bola por entre uma selva de adversários relativamente mijadinhos. Não conteve a emoção no lance do penálti. Compreende-se. O número de pessoas que ainda acreditam no valor de Rafa é quase tão baixo quanto as que achavam possível que o árbitro Hugo Miguel assinalasse um pénalti a favor do Benfica.

João Carvalho

Por pouco não marcou o melhor golo da época. Tem tudo para singrar neste Benfica, excepto minutos nas pernas.