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Um Azar do Kralj

Ronaldo a presidente? É bem capaz de resultar

Donald Trump sugeriu-o a Marcelo Rebelo de Sousa e Vasco Mendonça diz que é uma excelente ideia: Cristiano Ronaldo a presidente

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Cristiano Ronaldo e Marcelo Rebelo de Sousa

JOSE MANUEL RIBEIRO/GETTY

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Estava eu a preparar-me para celebrar a eliminação da Alemanha quando fui informado de que Portugal tinha acabado de golear os EUA em mais uma partida da Liga Mundial das Reuniões Diplomáticas Irrelevantes. Fiz o que qualquer pessoa sedenta de folclore cibernético faria e dirigi-me de imediato ao Twitter. Desta vez o embate opôs Marcelo Rebelo de Sousa ao inimputável Donald Trump. Depois de uma discussão à porta fechada sobre nada, Trump e Marcelo posaram para os jornalistas e decidiram falar sobre coisa nenhuma. Tudo decorria dentro da normalidade, como um jogo entre equipas já apuradas para a fase seguinte, quando subitamente os dois presidentes começam a falar de Cristiano Ronaldo.

Trump, habituado a fazer estes fretes que nem o Papa a receber groupies em audiência, resolve perguntar a Marcelo se este se sentia capaz de ganhar umas eleições a Cristiano Ronaldo. Marcelo, que nunca posou mal numa selfie, depressa agarrou o momento. Que nem Cristiano prestes a enfiar mais um rocket, apontou a câmara frontal para o seu melhor lado e explicou que Portugal não são os EUA. BRONCA. O vídeo rapidamente se espalhou nas redes e encheu de orgulho milhões de portugueses. A bebedeira patriótica combinou níveis inexplicáveis de euforia e a amnésia colectiva típica de quem reelegeu pessoas como Isaltino Morais, Avelino Ferreira Torres ou até Salazar como o melhor português de sempre.

Mas tudo bem. Se é para o pagode, também alinho. Eu cá votaria num governo presidido por Cristiano. Esqueçam a natureza do nosso regime. Os constitucionalistas que estiverem a ler podem atalhar já caminho e assumir que Cristiano seria Presidente da República, Primeiro Ministro e Dono Disto Tudo.

Relativamente ao seu executivo, também não restam grandes dúvidas. O ministro-adjunto seria o amigão Regufe, que anda sempre para trás e para a frente com ar de quem limpa o tampo da sanita depois de Cristiano urinar.

Na pasta da defesa, teríamos nem mais nem menos do que Pepe. Esqueçam os submarinos, a partir de agora vai tudo ao pontapé. O secretário de Estado seria Rúben Dias, que provavelmente se demitiria daqui a 3 meses por agressão sem bola numa reunião da NATO.

O Ministro das Finanças é Rui Patrício, um homem que apara a barba com o mesmo rigor com que gere o seu orçamento familiar, não tendo até hoje colocado o país numa única situação de défice orçamental.

A pasta da Segurança Social fica com José Fonte, por ser parte interessada. O nosso veterano de eleição só precisa que contabilizem 2 anos passados no Ultramar para atingir os 40 anos de carreira.

O ministro da economia será Anthony Lopes porque também tenho dificuldade em lembrar-me da cara dele.

O Ministro da Saúde é Bruno Alves, no sentido em que é a pessoa mais bem preparada para tratar da saúde a quem levantar muito a garimpa.

A pasta dos Negócios Estrangeiros fica com Ricardo Quaresma. A sua experiência de vida em diferentes países tem-se revelado valiosa. Quaresma junta criatividade às necessárias capacidades diplomáticas, tão bem demonstradas por exemplo naquela gravata a um francês na final do Euro.

O Ministro da Justiça será Cédric Soares, cuja primeira acção enquanto membro do executivo será pedir às autoridades internacionais que ajudem a capturar o árbitro do Portugal - Irão.

O Ministério da Cultura pertence a João Moutinho, que irá privilegiar as artes do correcto posicionamento em campo, com aqueles pózinhos de teatro sempre que sofrer uma falta.

O Ministro da Educação é naturalmente João Mário, ser humano e jogador de uma civilidade extrema, capaz praticar a atividade política e futebolística em qualquer zona do terreno como quem estica o dedo mindinho a beber chá.

O Ministro do Planeamento e das Infraestruturas será William Carvalho, um portento físico e táctico cuja maturidade e visão de jogo ajudarão a evitar derrapagens orçamentais e PPPs.

Finalmente, a pasta do Ambiente fica a cargo de Manuel Fernandes, que dá ares de ser o jogador que mais facilmente faria uma ganza para rodar pela malta e consequentemente criar uma atmosfera positiva no seio do grupo.

E já está. Compreendo o cepticismo, por isso pergunto: conhecem mais algum governo capaz de encher o Terreiro do Paço com 50 mil pessoas e pôr um país inteiro a cantar o hino? Bem me parecia. Isto é capaz de resultar. Obrigado pela sugestão, Donald.